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sexta-feira, 14 de março de 2014

SEU LADRÃO, CUIDADO! VAI TER UM FORUM T'OLHANDO..

O registro fotográfico da comissão fundante do Forum


Em 1549, quando o Tomé de Souza assumiu como governador geral do Brasil, foi levado até ele um índio que tinha matado um colono. Vejam a punição: ele mandou amarrar o índio na boca dum  canhão e ordenou que disparassem a maquinona.  Resultado: o maior pedaço que sobrou do pobre índio não dava pra encher um pastel. Era uma cruel demonstração de força para dar exemplo, e intimidar quem pensasse cometer alguma transgressão. Em 1835, quando Diogo Feijó tomou posse como regente do império, uma das suas principais metas era acabar com a impunidade. Isso lá, em 1835. Magine... E é justo por causa da impunidade, que a roubalheira nunca vai acabar no Brasil.
É muito complicado, num país como o nosso, combater a roubalheira. Lembro-me dum caso que presenciei em Belém, no bairro da pedreira. Um ladrão foi flagrado com uma televisão roubada. Ele carregava a grandona na cabeça. Uma turba de justiceiros pegou o homem,  e bateram tanto, que mataram o pobre do larápio em plena Avenida Marquês de Herval. Detalhe: quando os ânimos serenaram e a polícia chegou, a televisão tinha sumido. Alguém do grupo de “justiceiros” simplesmente praticou uma ratonice no espólio do rapinante, isto é, cometeu um crime bem mais grave, latrocínio, contra quem praticava um roubo. Um roubo simples.
A cultura da esperteza leva-nos ao enfraquecimento na luta contra a corrupção. Justo por querermos levar vantagem em tudo. Exemplos reais: no bairro da cabanagem, em Belém, um vendedor de açaí adicionava farelo de farinha de tapioca para engrossar o açaí, e cobrar mais caro pelo litro (“do grosso”); na estrada Nova, bairro pobre, também em Belém, o dono da venda misturava no açaí, papel higiênico. Amassava tudo junto, assim  “engrossava” o produto e, claro, vendia mais caro (“açaí papa”); empresas revendedoras de carros usados fraudam a quilometragem pra vender mais caro o possante “pouco rodado”; o gerente do banco usa contas encerradas e manipula-as para, usando mecanismos técnicos,  auferir lucros; casas bancárias pregam os avisos sobre taxas e outros serviços, que podem favorecer os clientes, numa coluna ou parede do banco lá no alto, fora do alcance da vista do cliente; o taxista frauda o aparelho que marca quilometragem e preço; supermercados, que têm praça de alimentação, aproveitam frangos estragados e fazem pratos saborosíssimos que são consumidos na boa; queijos fatiados e vendidos na embalagem do mercado são produtos vencidos, etc.,etc.,etc., Enfim, somos vítimas de toda forma de roubalheira. Mas, e nós, somos santos...? Não, claro que não. Como, então, cobrar honestidade de políticos?
Que a corrupção é um câncer que   destrói o país, estamos carecas de saber; que políticos canalhas, ladrões e hipócritas sugam, se tiverem oportunidade, até a última gota das veias financeiras que estejam sob seus controles, todos sabemos. É fato que a súcia está infiltrada nos poderes judiciário, legislativo  executivo, e em todos os níveis, estadual, municipal e federal. E “eles” morrem de morte natural, aos 98 anos de idade...
Fazer o quê? No início desta escrevinhação, lá em cima, tem o exemplo dado pelo portuga Tomé de Souza, explodindo o supapuaçu que tinha matado um colono. Só que o portugão-chefe, também ladrão mas com autoridade de governador, usou o poder que tinha para mandar pelos ares índio, que era o verdadeiro dono da terra invadida. A explosão que esfarelou o nativo foi um ato de justiça? Acho que não. Foi, sim,  mais uma das barbáries cometida pelos invasores?
O certo é que leis existem para combater crimes de todo tipo. Depois do exemplo que o seu Tomé deu as coisas só pioraram. Leis não são cumpridas. Aí os  embusteiros deitam e rolam. Melhor, rolam nos  dinheiros larapiados e deitam-se nas mordomias que a rapinagem lhes proporciona.
Sou morador de Marituba a mais de 40  anos. Pobre. Ferrado. Militante. E agora estou presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa – serviço voluntário, sem renumeração-. Convocado participei,  junto com o Dr. Lázaro Falcão, Dr. Alberto Primo, Danuzia Sônia, Ivan de Melo, Joana Santos e o Reginaldo Cardoso (fora os doutores, eu e os demais somos representamos  da sociedade civil do escalão inferior), da reunião de criação do fórum permanente do controle social e cidadania do município de Marituba. 
 Participei dessa primeira reunião, mas estou consultando um dos meus neurônios que ainda funciona. Ele que vai acender a seta indicando se fico ou não na comissão de criação do tal fórum. Sou cismado. Detesto ser usado como massa de manobra. Ademais, é muito rato ao redor do queijo, logo, não tem gato que dê conta...

Ah, os objetivos principais do fórum é fiscalizar aplicação do dinheiro público. Hum hum...
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