| O registro fotográfico da comissão fundante do Forum |
Em 1549, quando o Tomé de Souza assumiu como governador geral do Brasil, foi levado até ele um índio que tinha matado um colono. Vejam a punição: ele mandou amarrar o índio na boca dum canhão e ordenou que disparassem a maquinona. Resultado: o maior pedaço que sobrou do pobre índio não dava pra encher um pastel. Era uma cruel demonstração de força para dar exemplo, e intimidar quem pensasse cometer alguma transgressão. Em 1835, quando Diogo Feijó tomou posse como regente do império, uma das suas principais metas era acabar com a impunidade. Isso lá, em 1835. Magine... E é justo por causa da impunidade, que a roubalheira nunca vai acabar no Brasil.
É muito complicado, num país como o nosso, combater a
roubalheira. Lembro-me dum caso que presenciei em Belém, no bairro da pedreira.
Um ladrão foi flagrado com uma televisão roubada. Ele carregava a grandona na cabeça. Uma turba de justiceiros pegou o homem, e bateram tanto, que mataram o pobre do
larápio em plena Avenida Marquês de Herval. Detalhe: quando os ânimos serenaram
e a polícia chegou, a televisão tinha sumido. Alguém do grupo de “justiceiros”
simplesmente praticou uma ratonice no espólio do rapinante, isto é, cometeu um
crime bem mais grave, latrocínio, contra quem praticava um roubo. Um roubo
simples.
A cultura da esperteza leva-nos ao enfraquecimento na luta
contra a corrupção. Justo por querermos levar vantagem em tudo. Exemplos reais:
no bairro da cabanagem, em Belém, um vendedor de açaí adicionava farelo de
farinha de tapioca para engrossar o açaí, e cobrar mais caro pelo litro (“do
grosso”); na estrada Nova, bairro pobre, também em Belém, o dono da venda
misturava no açaí, papel higiênico. Amassava tudo junto, assim “engrossava” o produto e, claro, vendia mais
caro (“açaí papa”); empresas revendedoras de carros usados fraudam a
quilometragem pra vender mais caro o possante “pouco rodado”; o gerente do banco
usa contas encerradas e manipula-as para, usando mecanismos técnicos, auferir lucros; casas bancárias pregam os
avisos sobre taxas e outros serviços, que podem favorecer os clientes, numa
coluna ou parede do banco lá no alto, fora do alcance da vista do cliente; o
taxista frauda o aparelho que marca quilometragem e preço; supermercados, que
têm praça de alimentação, aproveitam frangos estragados e fazem pratos
saborosíssimos que são consumidos na boa; queijos fatiados e vendidos na embalagem
do mercado são produtos vencidos, etc.,etc.,etc., Enfim, somos vítimas de toda
forma de roubalheira. Mas, e nós, somos santos...? Não, claro que não. Como,
então, cobrar honestidade de políticos?
Que a corrupção é um câncer que destrói o país, estamos carecas de saber; que
políticos canalhas, ladrões e hipócritas sugam, se tiverem oportunidade, até a última
gota das veias financeiras que estejam sob seus controles, todos sabemos. É
fato que a súcia está infiltrada nos poderes judiciário, legislativo executivo, e em todos os níveis, estadual,
municipal e federal. E “eles” morrem de morte natural, aos 98 anos de idade...
Fazer o quê? No início desta escrevinhação,
lá em cima, tem o exemplo dado pelo
portuga Tomé de Souza, explodindo o supapuaçu
que tinha matado um colono. Só que o portugão-chefe,
também ladrão mas com autoridade
de governador, usou o poder que tinha para mandar pelos ares índio, que era o verdadeiro dono da terra
invadida. A explosão que esfarelou o nativo foi um ato de justiça? Acho
que não. Foi, sim, mais uma das
barbáries cometida pelos invasores?
O certo é que leis existem para
combater crimes de todo tipo. Depois do exemplo que o seu Tomé deu as coisas só
pioraram. Leis não são cumpridas. Aí os embusteiros
deitam e rolam. Melhor, rolam nos
dinheiros larapiados e deitam-se nas mordomias que a rapinagem lhes
proporciona.
Sou morador de Marituba a mais de
40 anos. Pobre. Ferrado. Militante. E
agora estou presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa – serviço
voluntário, sem renumeração-. Convocado participei, junto com o Dr. Lázaro Falcão, Dr. Alberto
Primo, Danuzia Sônia, Ivan de Melo, Joana Santos e o Reginaldo Cardoso (fora os
doutores, eu e os demais somos representamos
da sociedade civil do escalão inferior), da reunião de criação do fórum permanente do controle social e
cidadania do município de Marituba.
Participei dessa primeira reunião, mas estou consultando um dos meus neurônios que ainda funciona. Ele que vai acender a seta indicando se fico ou não na comissão de criação do tal fórum. Sou cismado. Detesto ser usado como massa de manobra. Ademais, é muito rato ao redor do queijo, logo, não tem gato que dê conta...
Participei dessa primeira reunião, mas estou consultando um dos meus neurônios que ainda funciona. Ele que vai acender a seta indicando se fico ou não na comissão de criação do tal fórum. Sou cismado. Detesto ser usado como massa de manobra. Ademais, é muito rato ao redor do queijo, logo, não tem gato que dê conta...
Ah, os objetivos principais do fórum é fiscalizar aplicação do dinheiro
público. Hum hum...

