“A beleza de tudo
é a certeza de nada"
(Zeca Baleiro)
Em meados dos anos 60 na colônia Chicano
do Tauá, zona rural na época município de Ananindeua, um dos sistemas de
comunicação bastante usado era a batida na sapupema da sumaumeira, indicava
direção; soprar numa fenda feita com as mãos em forma de concha, o som de
acordo com o timbre emitido mandava uma mensagem diferente; viajando pelos rios
batendo ritmado com os remos na beirada da canoa, sinalizando que ali ia um
defunto a caminho do cemitério. Era a nossa conectividade cabocla. Na
construção da estrada de ferro de Bragança, por volta de 1910, os engenheiros
americanos responsáveis pela obra no setor de manutenção escreviam recados
curtos nas costas do tio Gregório. Ele era negrinho e os ianks faziam isso de pura sacanagem, divertiam-se, humilhando.
Com a chegada do primeiro rádio a
pilha, foi uma verdadeira revolução em termos de comunicação através dos
programas radiofônicos das emissoras AM,
com as mensagens para o interior. Em 1967 eu tive o meu primeiro contato
com um telefone – número 1516 na casa do Dr. Caubi Cruz, meu escravizador (já
está no andar de cima) - e em 1998 instalamos o primeiro aparelho em casa. Vieram
a internet e o celular (não exatamente nesta ordem) junto com as redes sociais.
O mundo diminuiu. Quase não escreve-se mais cartas, passa-se e-mail. A quantia de “amigos”, que não se abraçam
e nem se olham nos olhos; onde o calor, nada humano, está restrito a
temperatura do aparelho usado na emissão das mensagens virtuais. Abraço físico,
percepção de sutilezas nas expressões faciais, no tom de voz e nos gestos? Impossível,
claro. Agora as mensagens são de texto, instantâneas, o bate-papo verbal até
que acontece, mas por vídeo.
Afinal, o que é rede social?
É um site (sítio eletrônico, em língua portuguesa) que permite aos
usuários compartilhar informações entre si. No Brasil os mais populares são
Orkut, twiter, myspace, Yahoo e facebook, esse ultimo com mais de 800 milhões
de usuários no mundo. As redes têm
seus perigos e vantagens. O perigo depende mais de como o usuário utiliza essa
tecnologia, por exemplo, revelar detalhes demais do seu perfil, fotos e
atualizações de status (mensagens
breves enviadas a todos de sua lista de amigos) e seus comentários (suas
respostas às atualizações de status
de outras pessoas). Esses detalhes podem revelar onde você mora, quando está ou
não em casa, onde trabalha ou estuda. Aqueles comentários cheios de pavulagem do tipo “vamos viajar amanhã”,
de repente pode ser tudo que seu menino
precisa para lhe dar uma gatunada. De
tão democrático que é o uso das redes que alguns perdem a noção de como usá-la.
Elas dizem coisas que normalmente não diriam numa conversa de verdade. Algumas não percebem que uma postagem de mau gosto pode
lhe custar sua boa reputação.
No
livro A hora da Geração Digital do
escritor e pesquisador Don Tapscott, o autor escreve: “Dê uma olhada em sua página do ponto de vista de outra pessoa.
Pergunte-se: “É assim mesmo que quero ser vista pelos outros? Se alguém visse as fotos que postei e me
descrevesse com base nelas, o que provavelmente diria? ‘Que sou linda’?
‘Provocante’? ‘Sensual’? ‘Ou alguém que está querendo se exibir’? Será que é
mesmo essa impressão que eu estou querendo causar, será que isso, de fato,
representa meus valores?
Se você é jovem, pergunte-se: ‘E se meus
pais, meu professor ou adultos que admiro vissem minha página? Será que eu
ficaria envergonhada por causa das coisas que eles poderiam ver ou ler?”Bom,
tudo é muito relativo. Certamente se você é uma jovem de bom nível intelectual,
independente total, vai esnobar a teoria do cuidado
com que posta, ainda vai dizer, ou postar, “tô cagando pra vocês e suas teorias, faço parte de uma estrutura social
composta por pessoas que adoram a minha autoadmiração, meu narcisismo. Essa é a
minha forma de pensar, interagir, trabalhar, socializar, tô nem aí. Ó, procês...” e ainda vai dobrar os
dedos anelar e indicador deixando o médio todo inteiro e teso fazendo um sinal
que simboliza bem a raiva contra alguém ou alguma coisa, (o popularíssimo cotôco).
No
livro A Liberdade do Ver, do poeta,
escritor e pensador Artur da Távola, ele escreve: “O processo de tomada de
contato com a realidade vem através de mecanismos que, por mobilizarem mais os sentidos, diminuem a carga de
esforço e atuação de outros elementos componentes do sistema neuropsíquico do
indivíduo, principalmente a razão...”.
Todos os
nossos sonhos e atitudes são revistos o tempo todo. Eis que intelectuais urbanos ou matutos pirentos
(como eu) que detestava computador e internet, mudamos, nos adaptamos. Que bom
que somos assim. Acredito que da mesma forma que a TV, nos anos 50/60, mudou
toda a forma de ver, pensar e conviver por causa da novidade daquela época, a
internet hoje é também, um marco transformador e ajuda na fixação do homem do
campo na sua cidade, sem o risco da asfixia cultural de anos atrás. Mas
cuidado! Rede social popular como facebook, por exemplo, é como um tabuleiro,
revirando tudo se encontra coisa boa. E é como um redemoinho que suga a pessoa
para dentro dele, excelente, porém, desde que usado com cautela. O mais irônico
na internet: facilita o contato quando pessoas da família estão distante
fisicamente, e os mantém afastados quando estão muito próximo, que é em casa...
Orkut
já era. Agora é face. Questione-se:
você não se acha uma pessoa chata quando posta com frases prontas, tristezas,
desabafos, frustrações, repetidamente e ainda pede, compartilhe. Imagine a cara das outras pessoas “amigas” lá na outra
telinha. Hum hum...



Excelente texto Orlando.
ResponderExcluirQueria acrescentar que o que mais temos a perder nas redes sociais é a nossa privacidade, tão subestimadas por alguns. No caso do Facebook, por exemplo, ao criar uma conta você aceita termos (que provavelmente não leu) afirmando que tudo que você postar em sua página será de propriedade do Facebook, imagens, fotos, vídeos e até aquele texto sem compromisso que você escreve depois de chegar porre da balada pode ser usado da maneira que eles quiserem. Pode ler mais sobre isso aqui: http://tecnologia.br.msn.com/internet/cuidado-com-mais-um-aviso-mentiroso-postado-no-facebook
E eu penso que aquele velho ditado "a primeira impressão é a que fica" tá mudando, porque, hoje em dia, achar o seu perfil em uma rede social e julgar você pelo o que posta lá está cada vez mais fácil e é inclusive o que algumas empresas fazem na hora de contratar alguém.