A área verde (Bosquinho) criada na década de 80 não resistiu a sanha da especulação imobiliária promovida pela atual gestão (ou gestação) da Cidade da Liberdade, Benevides. Na foto acima a minuta do Projeto de Lei que autoriza a venda do terrenão.
Sou, há 45 anos, Maritubano por
adoção. Fui adotado no tempo que existiam por essas plagas igarapés de águas
caudalosas e escuras; que as festas nas sedes do Marituba Esporte Clube, Flamengo
ou Líder (uma gafifa bacana que tinha na entrada da rua Decouville.Ô saudade!)
terminavam às cinco horas da matina - às vezes amanhecia -, retornávamos a pé
para casa em Ananindeua, ou vice-versa, sem nada temer. Isso tudo fazia parte
das relações do ambiente físico e biológico daqueles anos. Relações, que assim como os igarapés, se degradaram em tão pouco tempo. Hoje além de não termos mais o
conforto e as beleza naturais de antes, ainda somos expostos a violência intensa e
explícita; jovens crescem cometendo agressões, brutalidades, tendo menos
compaixão, logo, quem não valoriza o centro das motivações do ambiente que
vive, que é o próprio ser humano, qual razão tem para preservar a natureza?
Magine...
Na verdade nasci Ananindeuense, em
1949; posteriormente passei ser Benevidense; hoje sou Maritubano. Fui trocando o meu adjetivo pátrio à medida que os
municípios de origem foram sendo emancipados, aí eu fui pulando de um para
outro. Mudando o cabeçalho dos cadernos escolares, das cartas e bilhetes que eu
escrevia naqueles tempos. E se tivesse continuado morando onde nasci hoje eu
seria Santa-Barbarense, lá da Colônia Chicano, meu berço. Hum...
Mas o assunto deste texto é meio
ambiente e isso não sai da moda, justo porque todas as atividades humanas
dependem dos vários fatores que interligam o nosso ecossistema. E esta conta nunca
fecha de forma favorável para o nosso meio circundante. O pior são as motivações,
quase sempre ganância, falta de escrúpulos, e ausência total da consciência
ética. Exemplos:
A D. Osmar, que queima qualquer monturo no
quintal da própria casa por quê, diz ela: "o quintal é meu, o lixo é
meu, eu queimo a hora q'eu quiser. E pronto!". Detalhe: a veneranda
senhora tem 87 anos, é semianalfabeta, filha de índios, e trabalhava na roça
até bem pouco tempo atrás antes da aposentadoria. Tá justificado? Não! Nesse
tempão ela já deve, pelo menos, ter ouvido falar que fogo e fumaça fazem mal à
vida e ao organismo humano. Tá bom. A
Dona Osmar tem, impregnada na alma, a cultura do fogo como forma de preparar o terreno para plantios. Está perdoada...
Agora dois casos crassos de erro e
desprezo com o meio ambiente. Um em
Marituba outro em Benevides.
Em Marituba. Na área de ampliação do Hospital
Divina Providência, foram derrubadas todas as árvores que sombreavam o lado
esquerdo da avenida João Paulo II (antiga rua da Colônia) a partir da Rua do
Fio até o Hospitalão. As acácias
centenárias, plantadas no início do século passado, viraram entulhos secos e
certamente foram queimados. E as autoridades nem thum para a devastação urbana.
Em Benevides.
Foi pior. Muito pior. O Alcaide colocou à venda uma área enorme no centro da
cidade onde era o bosque, criado na década de 80 pelo prefeito da época, o saudoso Claudionor de Lima Begot. Naquele local se realizavam as grandes festas. (Quem não lembra
do Sassaricando nos meses de junho?).
São 1.600m² que serão vendidos. O Projeto de Lei nº 047 de setembro de 2015, que
autoriza a esdrúxula venda da área do outrora bosquinho, foi votado e aprovado
na Câmara Municipal por sete dos nove vereadores que compõem a bancada.
A Política é uma das atividades
humanas mais nobres que existem. Alguns políticos, porém, a enojam.
Desacreditam-na. Muitos nem dissimulam. Fazem questão de mostrar que pensam
pelos bolsos. Regozijam-se, e têm orgulho de serem espreitadores de cofres
públicos. Apareceu uma oportunidade eles, Craw! Metem a boca na botija. A
prevalência comportamental dessa banda podre é, fundamentalmente, o egoísmo
ético e o interesse particularista. Certamente não é o caso do atual gestor benevidense
porque, segundo informações, os três milhões que ele espera apurar na venda do finado
bosquinho é para asfaltar ruas do Patrimônio, uma área de ocupação localizada
no Murinin, distrito de Benfica. Será mesmo? Imaginemos a seguinte situação:
uma audiência pública para discutir o plano plurianual do Município tendo como
dotação orçamentária uma área pública. Pode? Pode sim. Em política pode tudo...
Egoísmo. Competição. Ganância. O
próximo ano é eleitoral e a crise fez a União diminuir os repasses do FPM. O
gestor da Cidade da Liberdade sabe que não terá uma reeleição fácil. É que uma
boa parte da população, a maioria talvez, está frustrada com a administração
municipal. Ninguém se admire, portanto, se aparecer uma placa de “VENDE-SE” pendurada na fachada do prédio da prefeitura com o
objetivo de fazer caixa...E na base do que “é
dando que se recebe”, línguas de plantão andam espalhando terem ouvido na Rádio
Cipó, que prefeitura repassa um dízimo de R$ 250,00 mensais aos caciques do
PMDB.
Que saber: Eu não acredito!
Outra pergunta: Osomis se reúnem,
decidem colocar um bem público, portanto, um bem da comunidade, à venda, e
ninguém reage? Onde está a sociedade civil, organizada, ou não; igrejas
católicas, evangélicas, sindicatos, e associações, que aceitam de forma
pacífica um esbulho desse quilate ser perpetrada por pessoas com mandatos
eletivos dado pelo próprio povo? Os políticos que planejaram a monstruosidade de
tirar um espaço, que podia ser perfeitamente revitalizado para que no futuro,
como já foi no passado, fosse uma ilha verde de conforto no centro da cidade
para o deleite e qualidade de vida de netos e bisnetos dessas mesmas excelências. Esses políticos daqui
há pouco morrerão. Uns terão como recordação o nome grafado numa lápide no
cemitério; outros sairão como cinzas dos fornos crematórios dentro dum vidrinho
e serão atirados, dependendo do que fizeram em vida, no pé de alguma planta em
forma de adubo ou, quem sabe, jogados em esgotos. É, mas eles já estarão com suas almas
devidamente guardadas no inferno, certamente. O problema é o legado de
sofrimento deixados à população...
O ex-presidente Norte Americano
Henry Kissinger dizia que “noventa por
cento dos políticos dão aos outros 10% uma péssima reputação”.
A gente bem que não quer
acreditar. Mas...










