Estive nos dias 11 e 12/08/2012
na cidade de São João dos Patos, interior do Maranhão, em encontro de leigos
que atuam como agentes pastorais da igreja católica, a serviço da Congregação das
Irmãs de São José. Entidade religiosa que atua em todo Brasil e em mais de 55
países. É a segunda vez que participo desse encontro, e para a enorme tristeza
viajei sem a companheira, cúmplice dos momentos felizes e tristes da nossa
caminhada de mais de oito anos, minha mulher Nazaré. A irmãzinha, como eu gosto de tratá-la.
O suplício do viajante começa
pela estação rodoviária de Belém onde uma quadrilha do setor de bilhetagem da
empresa de transportes Guanabara, vendeu-me, por R$ 20,00, o passe gratuito
destinado ao idoso. A eficiente intervenção do funcionário da ANTT, acionado por mim, reverteu a
situação. Os espertinhos funcionários devolveram os meus vintinhos. Bem feito. Não quis nem fazer a ocorrência por escrito.
Livrei a cara dos malandros. Não sei se fiz o certo.
Essas viagens são verdadeiros
périplos. Ao descer do ônibus, doze horas depois de sair de Belém, fica-se no
terminal do Peritoró onde a gente paga 1,00 para dar uma mijadinha, a característica principal das cidades que ficam no
trajeto de Peritoró a São João dos Patos é o desconforto e a imundície dos banheiros.
Mas é isso aí, nesses casos os fins justificam
os meios. Finalmente cheguei ao destino final da minha viagem, São João dos
Patos. Fui acolhido por uma família, que é confirmação de que a Comunhão é a
realidade mais profunda, ela unge, dá sentido e razão ao que somos, é essa a
causa do existir do amor, da benquerença, da amizade, da doação entre os
humanos. Éramos três pessoas na mesma casa e não nos faltaram atenção e carinho
em nenhum momento. ISA E TANIÇON, o casal que nos acolheu vão ficar perenes e
indeléveis no meu coração.
Missão cumprida. O retorno. No domingo a noite
comecei voltar para casa. São cinco horas de viagem de São João dos Patos a
Peritoró. Tudo igualzinho. O diferente é que quando o coletivo chegou à cidade
de São Domingo tinha um comício político do candidato a prefeito, olhe o nome, Tratorzão.
Incrível! Nada mudou. A relação entre o coronelismo antigo com o atual está
na forma, hoje esses senhores não
rasgam mais uma cédula no meio para entregar a outra metade depois da
confirmação do voto – o lendário voto de cabresto – os tratorzões da vida
exploram a miséria do povo.
A quantia de gente nas ruas da
cidade impediu a passagem do ônibus, que não conseguiu chegar à estação
rodoviária. Um emissário foi enviado com recado aos passageiros que tiveram de
carregar as bagagens na cabeça para ir ao encontro do coletivo. E o povaréu?
Ah, os políticos aproveitadores sabem que a nossa composição social é uma
polifonia de vozes, ideias e sentimentos, embalados em costumes, tradições,
culturas regionais e fome. Muita fome. Por isso eles mandam tocar forró e distribuem mingau. Lá em São Domingos o
povo andava nas ruas com copos de mingau na mão e pratinhos plásticos. Comiam,
riam alegres. E o mais chocante: um enorme contingente de crianças. Caminhonetes,
com dois andares improvisadas,
superlotadas e, segundo uma religiosa
que viajava no ônibus, aquelas pessoas viajariam umas duas horas naquelas
conduções e condições, sem nenhuma segurança, até as comunidades de Viola e
Bancos, comendo poeira e tendo como sobremesa cem por cento de risco de vida.
Não fiz um registro fotográfico porque quem tem joelho tem medo. É, e eu tenho
dois, logo...

