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sábado, 5 de setembro de 2015

...EU. VELHO, NEGRO, POBRE E TRANSFÓBICO...

Princípios Cristãos derrotados, ou a humanidade  bagunçada?
Nem uma das duas mija em pé e nem sacode o pinto, mas estão aí representando as novas normas sociais




Na década de sessenta, em Belém, duas emissoras de rádio AM tinham na programação as radionovelas. As estórias eram encenadas nos estúdios e tinha pelo menos uma vantagem, ninguém via os "atores". A mais famosas que "passou" naqueles tempos foi Jeronimo, o Herói do Sertão. Emocionava... E aconteciam coisas engraçadas, também, como o episódio que eu vou relatar.  
No capítulo "a maldição da pedra negra", o radioator cuja participação nesse dia era apenas pronunciar a frase: "meu amor, os seus olhos têm as cores da violeta...", faltou ao serviço. O elenco ficou em polvorosa, e a solução encontrada foi pedir ao pedreiro liberar o ajudante (tinha uma obra na emissora) para fazer a fala do ator faltoso. O rapazinho foi chamado às pressas e todo nervoso tomou um banho rápido, passou por um treino acelerado, no caso, repetiu várias vezes a frase: "meu amor, os seus olhos têm as  cores da violeta..." 
Tudo certo. O jovem lá, sentado na cadeira em frente ao microfone, separado dos outros atores e do funcionário da rádio por uma vidraça, tinha sido orientado pelo diretor a falar no exato momento que fosse dada duas batidinhas no vidro. Tó tó. O chefe deu o sinal, liberando a fala do "ator" improvisado e o jovenzinho falou, e bem mais alto do que era necessário, quase gritando: Meu amor, os seus olhos têm as cores da bicicleta!. 
Até o sonoplasta colocar um fundo sonoro que encobrisse a falha ocorrida, as gargalhadas já tinham chegado nas casas dos ouvintes que não entenderam nada do que estava acontecendo. O tempo restante da programação destinada à novela virou um musical. 
No dia 28 de agosto terminou mais uma novela da globo. Entre o escandaloso e inusitado beijo de duas velhas lésbicas, e os casamentos que finalizam as tramas, teve também a paixão entre dois homens, que em outros tempos eram chamados, dependendo da região, por nomes diferentes: viado, qualira, rabo de jumento, baitola, pederasta, fresco, boneca, florzinha, bicha, boiola, goiabinha... Já para as mulheres lésbicas sobram poucos adjetivos e o mais conhecido é sapatão. Na novela Babilônia surgiram outros nomes, sapatosas (aglutinação de sapatas + idosas) e invertidas. Provavelmente esses nomes farão parte, doravante, do vocabulário que se refere às pessoas homoafetivas, que, aliás, é o termo politicamente correto. Tá. 
A minha cabeça ainda está lá atrás. E vai ficar. Eu sou do tipo vintage. Um retrógado inveterado. Eu sou tão antigo que ainda tomo bênção da minha mãe e beijo-lhe a mão. E assim faço com tios e padrinhos. Ainda não vejo como "normal" pessoas do mesmo sexo beijando-se nas bocas. E o pior,  é não poder se manifestar. Sou negro e como tal sou vítima de preconceito e discriminação, tenho 67 anos, e faço parte dessas  minorias. Mas assisti com asco os beijos do final da novela. Sou assim e não me esforço muito para mudar, aliás, não quero mudar! Porque que pessoas como eu, temos que ficar na encolha,  sem poder demonstrar nossos gostos? Claro, porque se o fizermos o mundo cairá sobre nossas costas! Não podemos dizer que somos a favor da maioridade penal; que somos contra casamentos gays; que somos contra cota para negros; que somos contra política paternalistas que o governo dispensa aos índios; que somos contra tratamento vip para presidiários, etc., etc.,  etc.   
Ah! Da lista acima de nomes relacionadas nesta escrevinhação e que são designativos para a "moçada" da homoafetividade, também não podemos chamá-los por nenhum das tais denominações. É homofobia. Dá processo ou linchamento público. Portanto, devagar com o andor. Devagar... 
Na real mesmo a família tradicional não vai acabar nunca, mas aos poucos vai perdendo a hegemonia. Agora, ridicularizar os seus defensores como fez a Globo na novela, com os personagens que foram transformados em figuras burlescas, caricatas, só porque defendiam a família clássica normal,  ao invés da unidade social, que é o ajuntamento de dois machos queima rosca ou duas fanchonas chupa-charque, isso devia merecer reações mais enfáticas . Devia, mas... 
Bom, não existe legislação federal de punição para "crimes" homofóbicos com exclusividade para lgbts., mas o apoio que a thurma do outro lado  têm da Lei e de uma boa parte da sociedade é muito forte. Por isso, confesso: convivo bem com a diversidade de gêneros, porém, no meu íntimo ainda viceja o sentimento transfóbico, né, fazer o quê? Eles(as) vão entender. Espero... 

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