O Zé Brocoió, repórter do
blogdojambu, sabia que o Papa Francisco não é de dar entrevista. Mas ele é repórter.
Ele não desiste. No Rio fingiu-se de gari, bandido mirim, adicto, mendigo,
peregrino argentino E nada. Só deu certo, enfim, quando disfarçado de camareira,
o ZB conseguiu entrar no alojamento do Sumaré, onde o Pontífice estava
hospedado. Foi a 2ª "entrevista". A primeira aconteceu no dia que o ainda
cardeal, Bergoglio, foi consagrado Papa, e foi publicada aqui no blog com o título “Um Francisco sem delongas”. O detalhe é que
depois o Pontífice foi entrevistado por uns jornalistas da poderosa Globo News,
que deve ter desembolsado uma fortuna em propinas com padres, cardeais, bispos, assessores do vaticano e políticos do alto escalão do governo federal, que intermediaram o
encontro.
A "Entrevista" concedida ao Zé Brocoió começou
tensa. Foi assim:
Z.B. – S.S. eu sou aquele
repórter que lhe entrevistou lá no Vaticano quando o declararam Pa...
A reação do Sumo Pontífice foi inusitada:
S.S.- Mas, que diacho é isso? Você não é a irmã Brocolina? (nome com o qual o Zé
vinha se identificando). Saia já daqui!
Me ajoelhei e implorei. Aí prevaleceu o coração mole do
Padre-Chefe , que aquiesceu. “Tá, tá, tudo bem”. E foi ele quem acabou fazendo
a 1ª pergunta:
S.S. – Quem era aquela mulher
volumosa, decotuda, da boca larga,
vestida toda de amarelo, que cantou na
cerimônia de acolhida da JMJ em Copacabana?
Z.B. – É a Fafá. Ela é de Belém,
minha terra. E o Senhor é o 3º Papa que ela homenageia cantando. Ela cantou com
o Tancredo Neves, também. Um politicão que existiu no Brasil. Já finou-se. Por
falar em político, é verdade que o governo brasileiro tentou colar a sua
popularidade a imagem da presidente Dilma que tá despencando nas pesquisas?
S.S. – Tentaram. Tentaram sim. Mas
desde quando o vesgueta do Nestor Kirchiner (nesse momento o super-padre se
benzeu) me chamou de “líder espiritual de oposição” nunca mais eu quis saber de
muito papo com essa cambada, que sempre quer levar vantagem em tudo.
Z.B. – Côngrua, a ajuda de custa
que os padres brasileiros recebem fica
em torno de dois mil reais por mês. S.S. como representante supremo da
igreja católica deve receber uma côngrua bem gorda. Quanto o Sumo Pontífice recebe mensalmente? É em dólar
ou euro?
S.S. – Primeiro, eu não gosto de
ser chamado de Sumo Pontífice. Depois quanto eu recebo não é da tua conta e nem
da conta de ninguém. E se tu fizeres mais uma pergunta igual essa eu encerro a
entrevista. Hum!...
Z.B. - S.S. pagou com sua grana a conta da casa onde se hospedou durante o
conclave; continua morando na casa Santa
Marta, que é onde hospedam bispos em transito pelo Vaticano; dispensou uma
senhora mordomia dum luxuosíssimo
apartamento com dez aposentos; carrega a própria maletinha quando viaja de
avião e dispensa também a cama papal; mandou vender os carros de luxo que
serviam os Sumos Pontífices que o antecederam. Na Europa já o estão chamando de
folclórico...
S.S. – Pois é. Eu tenho pensado
nisso também. Esse continente passou mais mil e duzentos anos convivendo com
papas europeus. O Papa Leão XII desfilava pelas ruas de Roma na tal Berlinda Di
Gran Gala, construída especialmente pra ele em 1826, que tinha decoração em
madeira pintada com folhas de ouro; não pisavam no chão nem olhavam o povo nos
olhos e ainda viviam a serviço dos poderosos. É, de fato, eu fico pensando... Ah!
deixa chamar e pensar o que quiserem. Eles que vão tomar no tubodocutubo. Num
tô, nem aí...
Z.B. – A faxina que S.S. está
fazendo já colocou o Monsenhor Nuzio Scarano, responsável pelo Banco do
Vaticano e peIo IOR – Instituto de Obras Religiosas - na cadeia, e o Pe. Federico Lombardi Scarano,
que no setor contábil dificultava o rastreamento do dinheiro, está sendo indiciado e pode
acabar no xilindró, também. Eles estão até aqui (passei a mão no gogó imitando
“degola”) com o Senhor. S.S. parece que está
desmontando uma quadrilha. Não tem medo?
S.S. – Claro que eu tenho, filho.
Andei lendo uns livros do Dan Brow que mistura umas estórias estranhas de
conspirações sinistras na Santa Sé, mas tu já reparaste que eu não ando
encurvado como o polonês Wojtyla e o alemão Ratzinger, não! Eu sou argentino,
latino americano! Ando teso, cabeça erguida. Tô que não passa um abacaxi, mas
demonstrar temor, hum! Negativo. Como
dizia um técnico que dirigiu a seleção de futebol de vocês: eles vão ter que me
engolir...
Z.B. – O jornalista e pesquisador
americano Christian Carye disse que esta sua visita ao Brasil poderá ter, para
a América Latina, o mesmo efeito que teve a viagem feita por João Paulo II à Polônia em 1979, quando
praticamente desmontou o comunismo na Europa Oriental. S.S. concorda com esse
raciocínio?
S.S. – Não sei que tu queres
dizer com isso. Eu vim só cumprir um compromisso com a Jornada Mundial da
Juventude. Compromisso, aliás, que não foi nem eu que assumi. Só isso... Eu
soube que a Lulita, (assim que a Dilma é conhecida na Argentina) convidou uns
presidentes pra cá. Nem sei se eles vieram. Caso tenham vindo eu os abençoei
com certeza. Afinal eu abençoo até bandeiras de eventos esportivos, né...
Z.B. – Uma vez o cardeal Mario
Jorge Bergoglio disse que padre não é rato de igreja. Lugar de padre é na rua e
no meio do povo... Parece que o Papa ouviu bem o cardeal, hem?
S.S. – E é. Nunca gostei e nem
fui padre almofadinha. Nem sei direito o por quê, mas eu gosto mesmo, pode botar fé, é de inhaca de gente.
Z.B. – Um grupo de protestantes,
mais especificamente lésbicas, que nos protestos que fazem não costumam
respeitar ninguém, usaram ícones da igreja católica para gestos obscenos
(inclusive se masturbaram com crucifixo) no meio da multidão que celebrava a
JMJ, no sábado em Copacabana. Como S.S. vai lidar com essas minorias radicais e
intolerantes?
S.S. – Esse lixo social a céu
aberto, que pelo comportamento, é indesejável em qualquer sociedade, e que, como dejeto não deve ser atirado em
latrina, no cesto de orgânicos e nem em aterros sanitários pra que não tornem
esses lugares mais pútridos e fétidos, existem, mas são menos perigosos do que
os radicais islâmicos, logo, devemos
isso sim, perdoá-los. Dá-lhes amor...
Z.B. – A sua visita ao Brasil já
fez um milagre: é o primeiro argentino que os brasileiros se apaixonaram e
estão amando...
S.S. – hahahahahaha....
Ele riu e foi se mandando,
segurando aquele vestidão dobrado no braço, deixando aparecer a ceroulona. Mas
se voltando ainda perguntou:
- Como é mesmo o nome daquela
mulherona de amarelo?
Respondi:
-Fafá. Fafá de Belém.
Escutei-o,
já entrando no quartinho humilde, com aspecto cansado, mas cantarolando
baixinho:
-Ai FafáFafá Fafáááá...
Eu comecei tirar a minha roupa de
freira e conjecturando comigo mesmo:
- Até o Papa, Senhor! O que não faz uns peitões, tipo airbag inflado. Quase totalmente a mostra. Esse mundo tá perdido. Até Ele...
- Até o Papa, Senhor! O que não faz uns peitões, tipo airbag inflado. Quase totalmente a mostra. Esse mundo tá perdido. Até Ele...



