Na semana da comunicação a arquidiocese de Belém
fez um concurso de redação com premiação para o primeiro lugar. O vencedor
ganhou seis meses de assinatura do jornal O Liberal. Iniciativa louvável e a
intenção melhor ainda, que é melhorar a comunicação igreja-fiéis, ou seja,
padre e povo. O coordenador do concurso foi o padre Cláudio Pighin, doutor em
teologia, mestre em missiologia e comunicação. A entrega do prêmio ao vencedor
aconteceu no dia 20 de maio na Igreja da Santa Edwiges, no Panorama 21.
Uma perguntinha de um simples católico praticante.
Qual é a falha mais gritante, em termos de comunicação, que existe entre o
sacerdote e os fiéis numa celebração? O Ministro da Cultura do Vaticano,
cardeal Giafranco Ravasi – parece que é esse o nome do homem, no início desse
ano, chamou a atenção de padres em todo mundo, ao declarar que os sermões
carecem de conhecimentos cultural, espiritual e intelectual, classificando as
homilias de “incolores, inodores e sem
sabor”. Verdade. E um exemplo: a missa do Domingo de Ramos, na igreja do
Menino Deus, onde eu me congrego, em Marituba, o presidente da celebração
proferiu uma homilia longa, foram 35 minutos de pura monotonia.
A leitura era do Evangelho de Marcos (11,1-10 e 15,1-39)
e a igreja estava lotada. Muitas pessoas em pé, depois de uma procissão de 1 km
sob um sol escaldante, e o ensinamento espiritual longo acaba se materializando
em desatenção, sono e desleixo dos fiéis. A falta de atualização dos textos
bíblicos, que foram escritos há mais de dois mil anos atrás, sem a inclusão de
uma dinâmica, sem uma interação com a assembléia, provavelmente sejam essas
algumas das falhas na comunicação.
Quem vai à missa sempre, sabe, que após a leitura
de passagens do Evangelho e do Antigo Testamento, vem o sermão. Esta é a parte
da missa, que, dependendo de quem preside a celebração (Bispo, padre, diácono
ou outro ministro) pode ficar cansativa ou alegre e interessante, que vão desde
a linguagem utilizada, a capacidade de dialogar com os públicos, passando pela
arte oratória e até tom da voz. Quando esse conjunto não funciona de forma
sincronizada, entristece, desanima, e talvez essa seja uma das razões da
descristianização em massa. Segundo o cardeal chefão do Vaticano, o Giafranco,
padres não devem se privar de falar de assuntos que “perturbem, questionem e
causem preocupação”.
Agora o paradoxo: uma notícia publicada no jornal O
Liberal, no dia 6 de maio: “Dom Alberto
Taveira está agindo com rigor para que os sacerdotes respeitem o tradicional
rito da Santa Missa. Nada de invenções, como cânticos fora de hora, palmas e
agitações de mãos. Quem fugir das normas, desde que Sua Excelência
Reverendíssima esteja presente, pode ser repreendida na hora...”
Vale lembrar que o atual Papa quando assumiu,
endureceu as normas tradicionais da igreja, incluindo a volta do latim como
idioma oficial nas celebrações religiosas. Que bom que não colou. Até porque a
nova ordem viria contra as decisões tomadas no Concílio Vaticano II, 62/65,
o Sacrosanctum
Concilium que, entre outras coisas, colocou o padre de frente para a assembléia
falando a língua local, antes, na maior parte do tempo, era de costas e falando
em latim. Tinha um charme, mas, pô! Era complicado: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o vosso nome, era: Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen
tuum... o bom que onde quer que estivéssemos o idioma da celebração era
único. O problema estava no entendimento, na tradução.
A celebração litúrgica como ação conjunta exige a
participação comunitária, como: rezar,
cantar, envolver-se na ação. Em tempo de grandes espetáculos religiosos e
líderes espirituais que estão aí arrebatando corações com seus discursos inflamados
(uns inventam verdades); se a igreja católica continuar com padres obedecendo a
cúpula, mantendo as celebrações insossas, breve seremos minoria. Bom, pelo
menos continuarão os melhores...
NB. Incrível!
Mas verdadeiro. A TV Cultura retransmite uma missa aos domingos, que é
celebrada na paróquia da Ressurreição, no Rio de Janeiro, pelo Monsenhor José
Roberto, onde não se fala nada em termos de crítica ao governo federal.
Na oração dos fiéis, os primeiros nomes da lista
enorme das pessoas que são contempladas com pedidos estão a “presidenta” Dilma,
o Lula, Tereza Cruvinel (agora é o Nelson Breve), atual presidente e todo o
corpo curador da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação. É o governo usando os
favores da igreja para promoção institucional. Em resposta a um email que me
foi enviado pela EBC, a razão dos pedidos de oração à “presidenta” d. Lulita, e
o tutor dela, o novo messias, o ex-presidente, é uma compensação pelo “favor”
de transmitir a missa, porque existe uma liminar que desobriga a EBC de fazer
essa transmissão televisada. É a igreja se agachando de novo. Uma volta ao
passado... hum hum.

