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quinta-feira, 31 de maio de 2012

NÃO BASTA PREGAR, TEM QUE COMUNICAR!


 Na semana da comunicação a arquidiocese de Belém fez um concurso de redação com premiação para o primeiro lugar. O vencedor ganhou seis meses de assinatura do jornal O Liberal. Iniciativa louvável e a intenção melhor ainda, que é melhorar a comunicação igreja-fiéis, ou seja, padre e povo. O coordenador do concurso foi o padre Cláudio Pighin, doutor em teologia, mestre em missiologia e comunicação. A entrega do prêmio ao vencedor aconteceu no dia 20 de maio na Igreja da Santa Edwiges, no Panorama 21.
Uma perguntinha de um simples católico praticante. Qual é a falha mais gritante, em termos de comunicação, que existe entre o sacerdote e os fiéis numa celebração? O Ministro da Cultura do Vaticano, cardeal Giafranco Ravasi – parece que é esse o nome do homem, no início desse ano, chamou a atenção de padres em todo mundo, ao declarar que os sermões carecem de conhecimentos cultural, espiritual e intelectual, classificando as homilias de “incolores, inodores e sem sabor”. Verdade. E um exemplo: a missa do Domingo de Ramos, na igreja do Menino Deus, onde eu me congrego, em Marituba, o presidente da celebração proferiu uma homilia longa, foram 35 minutos de pura monotonia.
A leitura era do Evangelho de Marcos (11,1-10 e 15,1-39) e a igreja estava lotada. Muitas pessoas em pé, depois de uma procissão de 1 km sob um sol escaldante, e o ensinamento espiritual longo acaba se materializando em desatenção, sono e desleixo dos fiéis. A falta de atualização dos textos bíblicos, que foram escritos há mais de dois mil anos atrás, sem a inclusão de uma dinâmica, sem uma interação com a assembléia, provavelmente sejam essas algumas das falhas na comunicação.
Quem vai à missa sempre, sabe, que após a leitura de passagens do Evangelho e do Antigo Testamento, vem o sermão. Esta é a parte da missa, que, dependendo de quem preside a celebração (Bispo, padre, diácono ou outro ministro) pode ficar cansativa ou alegre e interessante, que vão desde a linguagem utilizada, a capacidade de dialogar com os públicos, passando pela arte oratória e até tom da voz. Quando esse conjunto não funciona de forma sincronizada, entristece, desanima, e talvez essa seja uma das razões da descristianização em massa. Segundo o cardeal chefão do Vaticano, o Giafranco, padres não devem se privar de falar de assuntos que “perturbem, questionem e causem preocupação”.
Agora o paradoxo: uma notícia publicada no jornal O Liberal, no dia 6 de maio: “Dom Alberto Taveira está agindo com rigor para que os sacerdotes respeitem o tradicional rito da Santa Missa. Nada de invenções, como cânticos fora de hora, palmas e agitações de mãos. Quem fugir das normas, desde que Sua Excelência Reverendíssima esteja presente, pode ser repreendida na hora...”
Vale lembrar que o atual Papa quando assumiu, endureceu as normas tradicionais da igreja, incluindo a volta do latim como idioma oficial nas celebrações religiosas. Que bom que não colou. Até porque a nova ordem viria contra as decisões tomadas no Concílio Vaticano II, 62/65, o Sacrosanctum Concilium que, entre outras coisas, colocou o padre de frente para a assembléia falando a língua local, antes, na maior parte do tempo, era de costas e falando em latim. Tinha um charme, mas, pô! Era complicado: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o vosso nome, era: Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum... o bom que onde quer que estivéssemos o idioma da celebração era único. O problema estava no entendimento, na tradução.
A celebração litúrgica como ação conjunta exige a participação comunitária, como: rezar, cantar, envolver-se na ação. Em tempo de grandes espetáculos religiosos e líderes espirituais que estão aí arrebatando corações com seus discursos inflamados (uns inventam verdades); se a igreja católica continuar com padres obedecendo a cúpula, mantendo as celebrações insossas, breve seremos minoria. Bom, pelo menos continuarão os melhores...
 NB. Incrível! Mas verdadeiro. A TV Cultura retransmite uma missa aos domingos, que é celebrada na paróquia da Ressurreição, no Rio de Janeiro, pelo Monsenhor José Roberto, onde não se fala nada em termos de crítica ao governo federal.
Na oração dos fiéis, os primeiros nomes da lista enorme das pessoas que são contempladas com pedidos estão a “presidenta” Dilma, o Lula, Tereza Cruvinel (agora é o Nelson Breve), atual presidente e todo o corpo curador da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação. É o governo usando os favores da igreja para promoção institucional. Em resposta a um email que me foi enviado pela EBC, a razão dos pedidos de oração à “presidenta” d. Lulita, e o tutor dela, o novo messias, o ex-presidente, é uma compensação pelo “favor” de transmitir a missa, porque existe uma liminar que desobriga a EBC de fazer essa transmissão televisada. É a igreja se agachando de novo. Uma volta ao passado... hum hum.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

ÓDIO, NOJO, REPUGNAÇÃO E REVOLTA


Precisava pensar. Criei um blog. Não um folhetim de denúncias, e sim, crônicas, fatos do cotidiano com pitadas de ironia encorpadas com críticas rápidas. Preâmbulos sempre maiores do que o assunto com escopo crítico, até porque o que tem de blogueiro assassinado nos últimos tempos... blogueiro de verdade não um bundão que nem eu, um velho sonhador que pensa saber escrever, mas hoje dia 17 de maio de 2012, eu dei um cartão de visita a uma inspetora da Polícia Rodoviária Federal e pedi para ela acessar o blogdojambu. A posuda inspetora disse que sim e eu não quero desapontá-la.
                                                                                             
O FATO
Benevides, 17/05/2012, quinta-feira, 11h. da manhã. Entrei no microônibus placas nº JVJ 5455 e apresentei a carteira emitida pela CTBEl conhecida por passe fácil, que dá ao portador idoso o direito à gratuidade em transportes coletivos. Ao mostrar o documento fui desacatado pelo condutor que parou o micro, levantou-se e mandou-me descer para entrar pela porta traseira. Desci e ele arrancou em velocidade. Eu apanhei uma moto fui até o posto da Polícia Federal que funciona lá mesmo em Benevides.
Um bom tempo de espera e fui atendido por um impostor, digo, inspetor que demorou atender-me porque conversava ao celular – devia estar resolvendo algum problema muito sério – contei o que aconteceu, fui ouvido e levado a um outro que veio logo perguntando se eu tinha o documento que me permite andar de graça, provei que sim; segunda, anotou a placa do carro?, quando eu disse que sim e mostrei o número anotado, aí o inspetorzão  disse que nada podia fazer porque ali é um setor administrativo.
Peguei outro ônibus e fui ao posto da Federal de Ananindeua. Quando lá cheguei a cabine de ar condicionado naquele momento estava habitada por duas inspetoras. Uma gorda e outra magra, essa última me atendeu. Relatei e ouvi de novo - as duas me olhavam como se eu fosse uma formiga - que função da PRF não tem nada a ver com a minha demanda. Humilhado, vilipendiado, com o rabo entre as pernas, fui-me embora num sol de 13h. caminhando até o próximo ponto de ônibus, me sentindo como um lixo. Fui atirado outra vez para fora, agora da confortável cabine dos inspetores prfs. Se eu fosse avô ou pai dessas criaturas especiais, será que o comportamento deles seria o mesmo?
Eu podia colocar aqui alguns artigos da Lei 10.741 de agosto de 2003 que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, se o fizesse seria mais uma perda de tempo. Se fosse um jornal impresso em papel os personagens aqui descritos certamente usariam para limpar o cu, mas como isso é só mais um instrumento de comunicação onde a gente coloca nossas idéias e opiniões, e tem que ter muito cuidado, de repente posso falar muito, colocar nomes e entrar em fria porque sou pobre e negro, dispondo somente do dia e da noite, que é um bem comum a todos, não teria como pagar indenizações por danos, ou enfrentar penas alternativas. Sou voluntário em projetos sociais, já trabalho muito sem renumeração.
Ódio, nojo, repugnação e revolta. A culpa é da Lei, confiamos e nos ferramos. Noutros tempos eu deixaria passar uns dias e me vingaria bacana. Era ferro no ferro. Quando subíamos pela porta traseira nos coletivos e descíamos pela frente, motoristas respeitavam mais, porque quem tem, tem medo.
Taí, d. inspetora. Leia, critique e compartilhe com seus nobres colegas de farda.
Au revoir.


sábado, 12 de maio de 2012

VIVER É PRECISO, ENVELHECER PRA QUÊ?

Quando eu era criança que morava no interior (colônia Chicana, na época município de Ananindeua, hoje, Santa Bárbara), uma das atrações que animava os domingos era quando jogadores do Progresso (time local), formavam um “solteiro x casado” que saía faísca. Era muito bacana. E o melhor, não tinha briga. Eu, por causa do papai, que era goleiro do time, torcia sempre pelos casados. Acabou que isso praticamente se transformou numa filosofia de vida, pois, passei a ficar mais a vontade no meio de pessoas mais velhas, que, aliás, me tratavam com muito carinho. E eu gostava. Quando comecei namorar o meu broto (linguajar da época, lá pelos idos de 1965) ela tinha dez aninhos a mais, e por aí foi.  Hoje vejo que esta minha particularidade perdeu um pouco a graça. Envelhecí. Agora sou um velho no meio dos velhos. E um desvio de rota está marcando a linha de chegada quando o fim se aproxima, o destino me prega uma peça: a minha mulher atual é quinze anos mais nova. Não foi fácil a adaptação, mas, sabe-se, desde o nascimento, nós, humanos, vivemos num constante processo de interação com nossos semelhantes, e a conclusão é que, praticamente, todos os comportamentos da humanidade são resultantes da convivência com os demais. Sou feliz com a com a minha novinha. Agora um novo paradigma prevalece: um velho com uma “mina” mais nova, ou uma velha com um “gato” mais novo, talvez seja essa uma das idéias mais criativas que existem para embelezar a velhice. 
Assistindo uma entrevista do arquiteto Oscar Niemayer quando ele fez 103 anos, o repórter perguntou: “como o senhor se sente fazendo 103 anos?”. Resposta: “me sinto uma merda, preferia tá fazendo 20”. Sinceramente, ao invés de 20, eu preferia mesmo ter morrido com 40, ou no máximo 50; com 63, também, me sinto uma merda. Só que do cavalo do bandido...Pior para  os jovens de hoje quando envelhecerem - os que...-, já que  com o avanço da ciência a longevidade aumenta, com certeza  a lei 10.741 que dispõe sobre o estatuto do idoso vai ser alterada. Idoso? Só a partir dos 75. Esses que vão estar ferrados, principalmente se forem velhos e pobres, como eu.
Brigava com meu pai porque ele bebia o caldo na beirada do prato e fazia aquele barulinho de água quando está no fim sendo sugada pelo cano da pia; com a d. Osmar, minha mãe, eu implicava quando ela estava mastigando nada; e aquele limpar de boca , ou o nariz, na base do  esfregão com a costa da mão em diagonal, que pega meia cara e em vez de limpar espalha na fuça o material que o velho quer ser ver livre. Terrível!  
Eu hoje: já estou na rua quando sinto um friozinho resfriando a minha coxa. Esqueci a braguilha aberta. A minha companheira de vez em quando me adverte: “para, Orlando, tu já estás mastigando de novo”. E não adianta eu me justificar dizendo que falo só “por que gosto de conversar e ouvir uma pessoa inteligente”. É mera justificativa cheia de ufanismo de um velho caducando, que vive conversando com um interlocutor inexistente; aquele cochilo com a cabeça pendida para baixo, o queixo quase encostado no peito, o lábio inferior fica meio arriado com umas gotas de saliva pingando (acho que por isso o termo “velho babão”); e a eterna mania de dar palpites em tudo, achando que sempre tem razão; desfiar detalhes intermináveis de mazelas e doenças; a repetição de coisas, histórias e causos contados e recontados. Ah, meu Deus! Ninguém merece. É ,tudo isso faz parte do comportamento e atitudes no processo de envelhecimento, que eu não gostaria de viver, mas, fazer o quê, já está acontecendo. Meu Deus, não sei por que vivemos tanto! Chego a ter inveja de outros mamíferos que morrem logo.
Para que serve a velhice? Biologia, genética, e fisiologia geriátrica talvez tenham a resposta. Qual, portanto, a justificativa para o envelhecimento, que não seja um processo que nos leva a inutilidade, e depois a morte? A única liberdade que um velho pode usufruir é da imaginação. E aí entra nível cultural, econômico, educação, religião, família e meio social. Nos devaneios imaginativos dos vovôs está presente a sexualidade, que, segundo alguns pesquisadores do comportamento humano na velhice, no velho a fantasia é mais enfocada nos órgãos; na velha, é mais imprecisa e abrangente. Exemplo: Se uma mulher é muito velha ela é visitada por pensamentos de beijos românticos embaixo de uma árvore ou no banco de uma praça; já no homem velho, o pensamento é uma vagina escorregadia num ato sexual feito em pé apoiado na borda da mesa do escritório. Esses pensamentos levam o velho, já impotente, incharem os órgãos genitais (não endurece, incha); aí ele quer aproveitar, começa um ato sexual, quase inútil, porque a lubrificação feminina da velha está seca, e a ereção masculina murcha, (é como um balão de aniversário cheio que a gente deixa escapar o ar) como se isso não bastasse, a ansiedade aumenta, e o fracasso do desempenho é inevitável. É a tragicomédia de corpos envelhecidos tentando funcionar. Segundo alguns especialistas em reprodução humana e sexualidade, os ovários nas mulheres e a capacidade sexual dos homens declinam mais depressa do que qualquer outro órgão do corpo, aí não tem jeito: pênis e vagina se tornam decorativos, fantásticos e ridículos.
É errado dizer que velho não serve para nada. Serve sim. É um excelente material para massa de manobra de gestores, que aproveitam, principalmente em anos de eleição. Eles sabem que cada velho assistido nos centros de referência sustenta cinco pessoas, em média, com seu salário. Isso faz com que os velhos sejam assediados, contemplados com festas e muitos, muitos abraços. Outra provável serventia: será que velhos moribundos internados em hospitais públicos, não são submetidos a algumas experiências médicas antes de morrerem? (medicamentos recém lançados, por exemplo, quem sabe hem...); velhos pobres, claro.
Os ricos. Os ricos são as jóias da coroa dos planos de saúde, e de médicos, que tentam de tudo, com tratamento de ponta, transferência para centros mais adiantados, até no exterior, mesmo sabendo que o doutor bunda branca já é pré-defunto; a luta esganiçada para mantê-lo vivo é proporcional ao seu saldo bancário. Quanto mais dias numa UTI do frustrado “tratamento”, mais dinheiro no caixa.
Ambição, subir na vida, carreira, classe social, estar entre pessoas bonitas, subir no pódio, ser o último biscoito da lata; tudo isso não nos atrai mais, porque, também, deixamos de ser atração. O poeta americano, Carl Sandburg, disse que velho, “é um balde de cinzas”. É mais, acrescento: é um monte de coisas caídas. Na velhice a lei da gravidade passa dominar sobre o corpo humano. O psicanalista James Hillman, no livro a força do caráter, descreve esse vir abaixo como o Grande Despencamento: tudo pende para o chão – pálpebras, queixo, mandíbulas, seios, a pele sob o antebraços, barriga, nádegas, lábia vaginal, pinguelo, testículos (o culhão do velho parece com uma laranja dentro de uma meia, engraçado: o pinto encolhe, some), até o lóbulo das orelhas desce.
O olhar é para baixo – olhamos para o chão com medo de tropeçar, cair.
Essas sinalizações do corpo é um recado: estamos a caminho do cemitério...
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