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terça-feira, 22 de julho de 2014

"EI, ATENDE LOGO! É O MÁRIO...O PREFEITO..."



Ética, Respeito e Humanização. Sonhos impossíveis na política?

Na Grécia Antiga, período que vai de 1.100 ao ano 146 a.C., o  maior castigo que se podia impor a um ser humano, como pena a ser cumprida, não eram castigos físicos e nem pena de morte. Era o isolamento. O desterro. Era impedir o apenado de se comunicar com outras pessoas. E a comunicação entre criaturas é tão importante quanto  comer e beber. A incomunicabilidade é capaz de nos levar à morte. O homem se revela pelo que fala, pelo que escuta, e até pelo que lê. Logo, falar, escutar e ler pode ser terapêutico. A palavra certa dita no momento certo pode curar;  mas também a palavra errada, no caso, ofensiva, e dita na hora errada pode adoecer, quem sabe até, matar.  Não pode haver forma mais eficiente de se aproximar do semelhante do que pelo exercício  da palavra. Relacionar-se pelo exercício da palavra é uma chance preciosa de crescimento. É a vitrine que expõe de verdade quem você é para si e para os outros. Tá.
No dia 17/07/2014 aconteceu no auditório do IESP, aqui em Marituba, uma audiência pública. Era o executivo municipal fazendo um demonstrativo da LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias – para o exercício de 2015 (foi o que eu entendi).  Mas o  inusitado não foi a audiência, e sim, o que aconteceu na véspera. Eram quase dez horas da noite o telefone   em casa tocou, a minha mulher atendeu, me passou o aparelho e deu-se o seguinte diálogo:
- Alô, é seu Orlando?
- Sim. Sou eu, quem fala?
- Seu Orlando, aqui é o Mário...
- Que Mário?
- Mário Filho, seu Orlando.
- Mário Filho, o prefeito?
- Sim, seu Orlando.
- Bom, tô surpreso. A que devo a honra?
- Seu Orlando amanhã tem uma audiência pública lá no IESP e eu queria o senhor lá representando o Conselho do idoso...
Despedimo-nos com um “boa noite” recíproco e eu fui comentar com a irmãzinha o “estranho” e quase inacreditável telefonema, ponderando: - Caramba! O prefeito tem tanto secretário, assessor e puxa-sacos e ele mesmo faz essa convocação. Ah! Tô lisonjeado. Brinquei...
Bom, audiência pública é instrumento democrático de participação popular e um dos seus principais instrumentos é a oralidade. É quando executivo e legislativo ficam frente a frente com o eleitor reivindicante. Por isso que detentores de mandato nesse momento se escondem. Não aparecem. É que uma boa parte deles depois de eleitos costumam fugir  do povo como o diabo foge da água benta. Lá na audiência do IESP só dois vereadores apareceram, o presidente da Câmara e outro que está no primeiro mandato (ainda não exala o mau cheiro dos políticos profissionais).
O telefonema do prefeito pode até ser marketing pessoal, se for o alcaide vai economizar, e muito, dos R$ 2.400.000,00 previstos na LDO como despesa de ENCARGOS COM PUBLICIDADE DO PODER EXECUTIVO para o ano 2015, já que não vai precisar pagar marqueteiro, e além do mais, boa imagem se faz com trabalho e isso, felizmente, já é visível no município. Amém! O gesto do prefeito, também, é um “upgrade” na nova funcionalidade da gestão. Manter linha direta com pessoas do povo funciona como um catalisador de humanização. O Zé Mané que atende a ligação tende a se sentir o tal..., e isso é bom.
Na audiência, os dois minutos que me foi permitido falar, eu usei quase todo para fazer esta reivindicação que está neste ofício:
CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA
LEI 112/2013
MARITUBA - PARÁ

Ofício nº 002/2014
Ilustríssimo Sr. Mário Filho
Prefeito Municipal de Marituba

Eu, Orlando Mescouto Ramos, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa no município de Marituba, sirvo-me do presente para, valendo-me do Artigo 3º da Lei 10.741 – Estatuto do Idoso, que diz:  Dentre outros atores que é obrigação do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, direito ao trabalho. Reforçado no parágrafo único do capítulo VI, artigo 27. Textuais: “o primeiro critério de desempate em concurso público é a idade, dando-se preferência ao de idade mais elevada”. Dito isto venho solicitar a Vossa Excelência a recondução ao quadro funcional da Prefeitura desse município, do Sr. HENRIQUE PENICHE BARBOSA, 62 anos, que há cinco anos era funcionário da Prefeitura, trabalhando na função de vigia e ultimamente exercia essa atividade no colégio Santa Tereza D’Ávila, tendo como agravante o fato de ter sido contratado, para substituí-lo, funcionários mais jovens.
Em anexo, cópia dos documentos  do referido ex-funcionário.
Certo de que a solicitação será atendida, fique com meus votos de estima e consideração.
Marituba,  17 de julho de 2014.
____________________________________
Orlando Mescouto Ramos
O diplomata americano Henry Kissinger dizia que noventa por cento dos políticos dão aos dez por cento exemplos de péssima reputação. Entristece-nos esta constatação. Ainda não sei o resultado desta minha solicitação, mas o fato  de um idoso, com 62 anos que não cometeu falhas graves, há cinco anos na mesma função, trabalhando no mesmo emprego, ser demitido para a vaga ser ocupada por funcionário mais jovem (provavelmente pagamento de favores políticos) é a confirmação de que a velha prática de fazer política continua metendo um pé na bunda dos gestos nobres e bem intencionados. Infelizmente...


















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