“Pater noster, qui es in caelis:
adveniat
regnum tuum;
fiat voluntas
tua,
sicut in caelo et in terra.
Panem mostrum
cotidianum
Da nobis
hodie;
Et dimitte
nobis debita mostra,
Sicut et nos
dimittimus debitoribus nostris;
Et ne nos inducas in tentationem;
Sed libera
nos a malo.”
Assim o Papa concluiu a ultima
celebração dele em público, rezou a oração do Pai Nosso em latim.
No dia 24 de agosto de 1954,
Getúlio Vargas em pleno exercício da Presidência da República, pressionado a
renunciar preferiu suicidar-se com um tiro e, numa carta escrita por um
puxa-saco, deixou esse recado: “serenamente
dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na
história”. Ele mesmo, o Getúlio, escreveu, “deixo à sanha dos meus inimigos o legado da morte...” Bom, o certo
é que ele morreu. Pronto.
Outro renunciante
famoso no Brasil, Jânio Quadros, assumiu a presidência em janeiro, renunciou em
agosto de 1961 e escreveu isso: “Encerro
assim, com o pensamento voltado para nossa gente... A mim não falta coragem
para renunciar...” Tempos depois um repórter perguntou o porquê da renuncia, ele teria respondido: “eu fi-lo
porque qui-lo”.
Percepção Social – é o
processo pelo qual formamos impressão a respeito de uma pessoa ou um grupo de
pessoas. Sobre pessoas nunca temos impressões desconexas ou isoladas, mas
sempre integramos observações numa impressão unificada e coerente, às vezes temos
que inventar ou distorcer características percebidas. Acontece muitas vezes, da
gente quebrar a cara com a tal da “primeira impressão é a que fica”, porque o tempo,
a convivência, mais informações sobre outrem, costumam desmontar uma percepção
que “a priori” alterou nosso comportamento de juízo em relação ao outro.
Digo isso porque nunca gostei do Sr. Joseph
Ratzinger. Primeiro por ele ser alemão, depois, no começo do seu pontificado,
sem tato nenhum, provocou os muçulmanos (outros que eu não gosto e morro de
medo deles), conservador, endureceu mais os dogmas da Igreja e até o retorno do
latim como língua oficial nas celebrações, que representava um retrocesso, tornou-se
obrigatória, tudo isso aumentou a cisma
que eu tinha pelo seu Ratzinger, e até dando uma de futurólogo, previ que ele
não ia terminar o papado, mas eu imaginava que um desses malucos que têm
espalhados por aí fosse atentar contra sua vida. Qual nada! Eis a surpresa. O
Grande, o Inominável, o Super Joseph Ratzinger, o Supremo, O Sumo Pontífice
Bento XVI mostrou grandeza, abdicou da glória e do poder e, num gesto de
nobreza entregou o cetro, que é a insígnia do Poder Papal. Quem não lembra João
Paulo II, caindo aos pedaços, nem a voz saía mais, era um verdadeiro cadáver
ambulante e seguiu até o fim como Papa? Mesmo para quem sonha ser canonizado é
muito sofrimento.
“Eu não
tenho mais força, o mundo está agitado, há muita mudança em movimento”. Palavras
do Papa quando anunciou que estava saindo de cena, largando o sapatinho
vermelho (o nome oficial é múleo). Essa
afirmação soa como uma queixa. Uma
confissão de quem está sem força, de quem não está dando conta de levar o barco
a um porto seguro, e não é fácil mesmo lidar com movimentos que juntam
multidões de católicos no mundo inteiro gritando em favor da aplicação de
células tronco, união de homossexuais, novas núpcias de católicos divorciados, uso de preservativos ou anticonceptivos, acesso das
mulheres ao sacerdócio, escândalos sexuais na igreja, roubalheira no banco do
Vaticano, fim do celibato, etc.. É seu Padre, não é fácil. Mesmo saindo de
conservador a revolucionário, porque soube usar o, digamos artigo - Cânone 332 do
Direito Canônico - que prevê a renuncia e saiu fora. É, isso mostra que a
igreja clama por mudança, mesmo assim melhor era ele, o Papa, ter morrido,
porque depois desse gesto, continuar vivo vai atrapalhar mais do que ajudar.
Por tudo que eu escrevi aqui,
Deus me abençoe... Amém.



