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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

2016. TCHAU! JÁ VAI TARDE...



O Natal de 2016 não foi igual aquele de 2015. Está mais faminto, mais magro, mais e alquebrado. É fácil entender. Uma das razões do raquitismo que tomou conta das efemérides natalinas do ano que está findando, é que 2015 foi ano pré-eleitoral. E quando essas coincidências acontecem o ano da bonança, da fartura, da multiplicação dos pães, ocorre. 
E os responsáveis pelo Natalão da abundância do ano passado foram os quase 500.000 candidatos que postulavam cargos de prefeito, ou vereador, nas 5.568 cidades de Pindorama. Essas criaturas em anos que antecede eleição ficam, de repente, com os corações moles. O relato a seguir é um caso típico. O candidato a vereança era um parente muito próximo da família.
Moço, boa aparência, fala mansa, educado. Egoísta, narcisista, individualista, ganancioso, comodista. O jovem segue os passos do pai, é empresário. A baixa escolaridade – nível médio incompleto - não é empecilho para um razoável sucesso na vida empresarial. Pois. E não é que o homem foi picado pela mosca azul transmissor do vírus da política? Filiou-se a um partido e ganhou uma vaga como candidato a vereador. E pronto! Aquela criatura egocêntrica, partidário apenas das gentilezas obrigatórias, e que só sabe ser servido, Passou a servir. Transformou-se. De repente a preocupação com o social/ambiental passou fazer parte do cotidiano do rapaz (um texto publicado neste blog em 01/nov./2016-“Gestão ou Gestação?”, foi uma encomenda feita pelo novo político). Uma mutreta  foi montada junto com uma enfermeira de um hospital na área metropolitana para atendimento aos doentes das comunidades que eram encaminhados pelo “nosso vereador”. Eu também fui atendido nesse esquema. A caminhonete importada cabine dupla de luxo entrou na dança. Agora era um carro utilitário. Enfim, o homem passou frequentar cultos evangélicos, carregar crianças no colo, abraçar gente suada...E veio o Natal. Nesta época ano passado era um verdadeiro frisson. Presente, cestas, ceia...Teve tudo que um espírito de bondade e altruísta é capaz de produzir. Agora imaginem essas ações praticadas por, pelo menos, 50% dos candidatos que disputavam os pleitos eleitorais deste ano...
O candidato em epígrafe não se elegeu. Resultado: Trocou de carro. Agora o possante é  um luxuoso..., marca...E os vidros fumês fazem com  que a patuléia tão lisonjeada ano passado, seja hoje uma eterna desconhecida. Aquele homem novo reassumiu de novo o homem velho. De sempre. Uma pena...
Ah! Se tivéssemos uma eleição por ano. Tínhamos menos fome. Menos sofrimento. Certamente...
Feliz Natal





sábado, 3 de dezembro de 2016

PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO

JESUS...foi o último nome que o Miguel Quiroga, piloto do avião que caiu essa semana na Colômbia pronunciou antes que do avião que ele era capitão, dono, comandante, piloto, caísse matando um monte de gente.

No início da década de setenta o time que eu jogava foi pra Moema, um vilarejo que ficava antes de Santa Izabel do Pará. Depois do futebol ficamos para uma festa. Festa do interior. O sonoro que tocava lá era o Santo Rosa, o melhor picarpe que existia por aquelas bandas. Onde ele tocava era sempre casa cheia. Eu não dançava. Ou estava no ônibus dormindo ou ficava vendo o movimento. Serenando. Lá pelas tantas da noite o vendedor de churrasquinho passou a ser importunado por um porre perto onde eu estava. O pinguço perturbador xingou, ofendeu, chamou o outro para briga. E o homem sempre calmo. Na dele. Até que o encrenqueiro partiu com sangue nos olhos para dar uma tapa no vendedor de churrasco, que segurou o espeto de assar e apoiou o cabo com as mãos na altura do abdome. A ponta virada para a frente, e ficou parado. Firme. Na corrida cega que o porre vinha não percebeu que tinha um espetão nada amigo apontado na direção da barriga dele. Os dois caíram juntos. O porre por cima. Mas com mais de dez centímetros de espeto de churrasco aparecendo na costa...enquanto o churrasqueiro se livrava do peso para escapulir dali. Antes do grunhido final o valentão ainda gritou: “AI JESUS...” E finou-se de vez. (Segundo o Dr. Edmundo Oliveira, dentro do Direito penal, esse é um caso típico de Criminologia, isto é, quando o a vítima provoca a própria morte).
Em 1967, quando das minhas andanças pelo mundo, eu estava em Paragominas. Eu juro pela fé da mucura que eu não sei o porquê que na época a cidade era mais conhecida por paragobalas. Pois é. Eu me encontrava na periferia. Tinha acabado de tomar um Guarasuco com pão doce na taberna do Seu Pedro, quando um bêbado, que já estava lá antes de eu chegar, brigava por causa de uma dose de cachaça que tinha sido servida num copinho que o vidro do fundo vinha até quase no meio do pequeno copo. Um pouquinho de pinga e a vasilha já estava transbordando. O quiproquó estava armado. O pingueiro destratou todas as gerações do Seu Pedro com os adjetivos mais chulos que ele conhecia. Por fim, resolveu saltar o balcão. Queria matar o Seu Pedro, que rapidamente pegou a faca, lambedeira de 12 polegadas, que estava em cima do fardo de jabá, e por cima do balcão enfiou a enorme faca até o cabo na barriga do homem porre que brigava por causa da cachaça. Com a lâmina toda enterrada no ventre ele jogou os braços para cima, girou o corpo 180 graus como se estivesse coreografando um passo de dança. Isso em fração de segundos. E caiu de bruços. Antes ouvimos o seu último grito: “AI MEU DEUS...”
Em 1974, eu trabalhava na construção da barragem do Paredão, a usina hidrelétrica do Amapá. Era mês de março. Muita chuva. E acidentes. Presenciei muitos. Como esse. Leiam: Uma caçamba carregada deslizou o barranco e descia desgovernada, quando o Medalha (apelido do motora) sentindo que a capotagem era iminente saltou barranco abaixo descendo de costa como se estivesse em um Tobogã. Caiu em pé e não se machucou na queda. Só que a caçamba desceu no mesmo curso e o Medalha estava atolado e encostado na parede formada pelo aterro. O canto da carroceria da basculante caiu bem no ilíaco, o osso do quadril, que foi seccionado. Arrancamos o Medalha da lama, colocamos na carroceria duma caminhonete C10 e saímos desesperados para Macapá (150 km de distância). O mais incrível é que o Medalha não perdeu os sentidos. E o mais incrível ainda: no início do trajeto o membro inteiro inferior lado direito, separado do corpo, se debatia sozinho. Éramos três. Um no volante e dois na carroceria da caminhonete. Todos sujos de lama. Últimas palavras do nosso colega, o Medalha: “Porra, caralho! Pra onde vocês vão me levar...Eu sei que vou morrer. Ô JESUS....
 Foi a última palavra, junto com o último suspiro. O Medalha morreu com a cabeça pousada na coxa de um dos colegas que eu não lembro mais o nome. Nós seguimos, sujos de lama, melados de sangue e com cicatrizes na alma...
Eu me pergunto. O que será eu vou dizer na hora da minha partida. Terei tempo... Uma coisa é certeza: “PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO”.

Isso eu não direi. ELE  pode me acusar de plágio...

sábado, 1 de outubro de 2016

Blog do Jambu: EU VOU ENGANAR O DIABO! ACREDITE...

Blog do Jambu: EU VOU ENGANAR O DIABO! ACREDITE...: Justo Veríssimo. Personagem criado pela genialidade do comediante Chico Anísio é uma caricatura do Brasil que os brasileiros vão eleger am...

EU VOU ENGANAR O DIABO! ACREDITE...

Justo Veríssimo. Personagem criado pela genialidade do comediante Chico Anísio é uma caricatura do Brasil que os brasileiros vão eleger amanhã, 03/10/2016.

Em 2014 quando o Paysandu perdeu a decisão da Copa Verde para o Brasília Futebol Club  (7 a 6 no pênaltis), em Brasília, a d. Odete, que foi daqui de Belém junto com uma sobrinha só pra assistir ao jogo saia triste do estádio ambas devidamente paramentadas com a camisa do Papão, quando um torcedor do Brasília foi tirar um sarro com as duas. A sobrinha mais esquentada, berrou:
-Também! O Paysandu foi roubado escandalosamente!
-Vocês são paraenses? A resposta de ambas foi “sim”. Aí o torcedor chato do Brasília deu uma gargalhada e respondeu a plenos pulmões: “ah! Então vocês estão acostumados com roubalheira. O maior ladrão do Brasil é o Barbalho, e é lá do Pará...Quá quá quááá!!”. O mala foi embora dando boas gargalhas. A reação das duas foi de olharem-se. Uma delas, a tia, ainda resmungou: “bonito pra nossa cara...”.
“Ele não mente nunca, só inventa histórias o tempo todo”. Assim respondeu um colega do Tim Maia quando o repórter perguntou se cantor gordo com voz de timbre metálico, mentia. O próprio Tim, que não tinha o menor pudor em chegar atrasado, faltar aos shows, desfazer compromissos em cima da hora, ao ser perguntado se era usuário de drogas, respondeu assim: “eu não fumo, não bebo e nem cheiro’. E piscando um olho, completou com um sorriso safadinho: é, mas às vezes eu minto um pouco...”. É o tal réu confesso. Antônio Ermírio de Moraes, um dos homens mais ricos do Brasil que já partiu para o além, em 1986 depois de perder uma eleição ao governo de São Paulo para Orestes Quércia, que já finou-se também definiu política assim: “Política é a arte de pedir votos aos pobres, dinheiro aos ricos e depois mentir a ambos”.
Pois é. Um dia desses eu fui a uma reunião de um grupo de políticos que garimpavam votos na comunidade onde moro. Eram três. O postulante a cargo de prefeito é filho de um ex-prefeito inelegível (Não sei por quê. Juro que não sei...). O candidato a vice tem know how, já foi vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito e prefeito tampão. Naquela enxurrada de prefeitos maritubanos, quando um monte deles ocupou o cargo em curtos períodos de tempo na Prefeitura.
Todo mundo mente. Isso é fato. Em tempos de eleição, então, os loroteiros/embromadores proliferam como erva daninha. Na reunião somente três falaram (graças a Deus!). Os candidatos a prefeito, vice, e o articulador do encontro, aspirante a vereança. E haja papo de embustice. Como o grupo é de oposição ao atual gestor aí o embuste se transforma em calunia, e difamação do tipo “deixei mais de 42 milhões de reais nos cofres da prefeitura! Eu não sei o prefeito fez com esse dinheiro...”. Vê-se claramente que essa é uma mentira defensiva.
Amanhã é a eleição, mas as mentiras não acabam. Alguém falou agora esses dias que o candidato vencedor começa o mandato com promessas e termina com desculpas, e segundo alguns entendidos na matéria a mentira começou lá atrás no Jardim do Éden onde a serpente engrupio a Eva, que engrupio o Adão, que engrupio Deus. Aí essa coisa de engrupir não acabou mais e nem vai acabar nunca!
O ano era 1986. Um dia eu cheguei em casa já no sábado umas quatro horas da manhã. Eu não bebo, não fumo e nem tenho hábito de passar a noites fora de casa e meu expediente na empresa onde eu trabalhava ia só até às 18h de sexta. Tirei os sapatos, entrei bem macio e fui logo subindo a escada para o andar de cima onde ficava o quarto de casal. Eram dez degraus. Quando eu estava no 5º escutei um roronar de garganta humana. Tomei um susto aí que me lembrei de dar aquele olhar redondo pela sala. A minha mulher estava toda enrolada no sofá. Quando eu me virei que olhei ela me disse: “bom dia doutor...”. Respondí: “oi amor, bom dia. Eu tô vindo do velório dum amigo meu que morreu ontem de tardinha. Não tive tempo de telefonar pra você. Ela: “e precisava vestir a cueca por cima da calça, Orlando...”
A mentira deixa rastros. Às vezes impagáveis...Cuidado!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O LEGADO DO KIP KEINO, E O POBRE "REI" PELÉ

“
Kipchoge (Kip) Keino, na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos no Rio, recebe o prêmio Laurel Olímpico.  Foi ovacionado. Merece...
"Pescador, pescador, porque é que no mar não tem jacaré; pescador, pescador porque foi que no mar não tem peixe boi; eu quero saber a razão que no mar não tem tubarão. Ah! Como é bom pescar na beira mar noite de luar...”
Esta é uma composição do marapaniense Lucindo. O mestre Lucindo. Compositor popular de carimbó, que morreu em  1988. Ambientalistas afirmam que era preocupação do mestre com o meio ambiente. Não era, não! O mestre queria apenas, e tão somente, fazer a rima do balançativo e malemolente  ritmo do carimbó. Como todo habitante nativo das beiradas de rio, o mestre matava mutum, sururina, tucano, preguiça, peixe boi, tubarão (esse pra vender as barbatanas), jacaré (pra comer e vender a carne e o couro, que também era aproveitado pra fazer o tambor do carimbó). Os outros animais que ele matava era tudo “pra bóia”. Pra comer, mesmo.
Por que eu comecei estes escrivinhados falando um pouco do grande mestre Lucindo? Explico: quero demonstrar com exemplos que os formadores de opinião, erram. E erram muito...
Exemplos: Quem não gosta do Pelé, o Senhor Edson Arantes do Nascimento?  Em 1969, quando fez o gol mil da carreira, ele se abraçou com a bola e, solenemente, dedicou aquele gol “às crianças pobres do Brasil”...
Pois  é. O Pelé apareceu todo inchado com cara de choro e aquele jeito de “ por favor tenham pena de mim...”, pra justificar os motivos pelos quais ele não podia acender a pira olímpica. O grande Pelé, mentiu. Disse que a marca “pelé” é administrada por uma empresa norte americana e a decisão tinha que partir da tal “empresa”. Na verdade, o milionário ex-jogador está doente. Foi operado dos quadris recentemente e não ia conseguir subir aquele monte de degraus pra chegar onde estava a vasilha com o material inflamante do fogareiro olímpico.
De novo, pois é. O Pelé é o negro brasileiro mais conhecido no mundo e paradoxalmente não é referência de negros brasileiros. Aliás, que mais Sua majestade fez pelas crianças pobres o Brasil, além de “doar” o gol mil que ele fez em 1969? ´´É. Num sei..., mas, comparemos:
O Comitê Olímpico Internacional instituiu, a partir dessa Olimpíada agora de 2016, o Laurel Olímpico. É um prêmio para homenagear pessoas que promovem o desenvolvimento social e humano através do esporte. “O candidato mais merecedor é aquele que, através de suas realizações e projetos, ajuda a construir um mundo melhor e avançar a causa dos indivíduos” (Paulo coelho). Quem ganhou o prêmio foi o queniano Kip Keino. Ele foi ouro no atletismo nas Olimpíadas do México em 1968 e Munique em 1972. Conhecido como “pai fundador do atletismo queniano”, o ex-atleta, que se aposentou em 1973, abriu um lar que atende mais de100 crianças órfãs, fundou uma escola em região isolada do Quênia que atende 300 crianças, na faixa etária entre 6 e13 anos, com estudos regulares e atividades esportivas, mantém ainda um centro de treinamento de atletas de alto desempenho. Só. Só isso...
Agora o super, o ultra, o mega, o “rei“ Pelé. Depois que pendurou as chuteiras,  Pelé se tornou embaixador para Ecologia e Meio ambiente (ONU 1992), embaixador da Boa Vontade (UNESCO 1993), embaixador para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco 1994) e durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi Ministro dos Esportes do Brasil de 1995 a 1998.
Pelé recebeu, em 1997, o título de Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico, das mãos da Rainha Elizabeth 2ª. O título de Maior Futebolista do Século veio em 1999, pela Unicef, na Áustria, e seguiram-se muitos outros. Especialista em lucrar com a venda da própria imagem, o Negão tá cagando pras crianças pobres e negras desse Brasilsão gigante pela própria natureza. Detalhe: os dois negros, Kip e Pelé nasceram no mesmo ano, 1940. O recebedor do LAURÉl se aposentou em 1973, e o Pelé, filho do seu Dondinho, em 1977. Já milionário.

Como devoto da igreja assembleia de deus pavio que fumega, eu juro que gosto do Pelé. Eu juro...

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EU NÃO GOSTO DE TOCHA! EU GOSTO DE ATOCHAR...


A imagem da tocha que seria pendurada no pescoço dos políticos desonestos na Olimpíada da Honestidade (caso ela existisse) teria o modelo da foto. Só que, fedendo à bosta!
“Eu não gosto de tocha! Eu gosto de atochar”- Essa a resposta que o cantor/sambista Zeca 
Pagodinho deu ao repórter que perguntou o porquê de ele não ter sido escolhido para carregar a tão festejada tocha dos jogos olímpicos de Londres em 2012, quando ela passou pelo Brasil. Na verdade, o sambador devia estar mordido porque além do João Nogueira, a dupla sertaneja nascida no Goiás, Zé de Camargo e Luciano, e outras personalidades menos expressivas carregaram, e ele não.
Atochar. Significa entrar com força, enfiar na marra. E a tocha, finalmente, chegou ao seu destino final, Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. Antes, porém, Sua Majestade, a Senhora Tocha, passeou por 26 Estados e o Distrito Federal, Brasília. Terra de gente honesta.
Atochar. Taí, se os linguistas estão certos na definição, a tocha foi enfiada na marra nas fuças dos brasilinos da silva, que correram felizes na frente, atrás, no lado, do canudo com chama, sem saber, de fato,  o motivo e nem o significado de tão inusitado acontecimento. Um fogo que não apaga nunca, e se apagar tem mais quatro lamparinas sobressalente que funcionam como uma espécie de backup da chama. E mais, ela tem pontualidade, guardiães, e seguranças, concentrada nos três eixos: defesa, inteligência e segurança pública. Tudo feito pelas polícias civil, federal e militar. Em alguns Estados até o exército e a força Nacional de segurança estão envolvidos na guarda da poronga vip. É mole?... O que falta a plebe sobra a lamparinona, que é proteção. Trezentas cidades, 36.000 km, foi o total do roteiro que a danada percorreu na mais perfeita tranquilidade. Ô inveja, Senhor...Moro (verbo morar) a 200m da feira livre, nesse trecho já fui assaltado duas vezes...
Bem que Zeus, o deus do olimpo, que tinha poder de fazer relâmpagos, trovões; que mandava chover e que tem uma simbiose histórica com a tochona, e que tem no fogo esse elemento divino, devia criar uma nova modalidade de disputa, a olimpíada da honestidade.  Os Países governados por canalhas, patifes, ladravazes e embusteiros receberiam medalhas de excrementos. E que eles, governantes de todos os níveis, presidentes, governadores, prefeitos e seus descendentes até a terceira geração fossem obrigados a usar as insígnias, que deveriam exalar mal cheiro. Fedor de bosta mesmo! Aí justificava-se o ôba ôba, a correria, os sorrisos, as palmas e os sélfies, que lamparina olímpica provocou. Seria garantia absoluta que deputados, senadores, governadores, e prefeitos dos 5.570 municípios brasileiros, toda essa cambada, ia pousar com uma medalha de cocô pendurada no pescoço. Uma premiação diferente. Que daria uma trégua olímpica em roubos e assaltos  à cofres  públicos.
Hefesto, o deus da literatura grega, berço do fogo olímpico, devia operar um milagre inimaginável, desvairado: tacar fogo nessa putrefação congênita nacional chamada corrupção...

domingo, 10 de julho de 2016

"BLACK LIVES MATTER"/A VIDA DOS NEGROS, IMPORTA MESMO?

"Black lives matter"-Slogan da campanha contra assassinatos de negros por policiais brancos nos Estados Unidos.

 Quando eu vejo um preto tatuado eu fico pensando: “que ele queria ser branco”.... Aliás, eu acho que no fundo do fundo o preto não queria, de fato, ser preto. E não é só o preto brasileiro. É o preto do mundo. Por isso: Quando eu vejo jogadores pretos dando o suor, o sangue e a vida pelas seleções de futebol europeias, beijando o escudo depois de fazer um gol, principalmente as finalistas França e Portugal (A França tem 9 negros, Payet, Sissoko, Umtiti, Evra, Pogba, Matuidi, Sagna, Coman e Martial, (7 são titulares) fico pensando se eles têm, de fato, orgulho.
Todos esses jogadores negros que são endeusados em suas seleções, nos clubes onde eles jogam, a torcida adversária atira banana para eles nos campos. E a torcida do próprio clube, também, quando eles têm má atuação. Ato de racismo que acontece na Europa, na América do Sul (inclusive no Brasil). Hoje, Eder, o jogador português que fez o gol da vitória que deu o título de campeão europeu para Portugal é, lá em Portugal, um semi-deus. Quando a seleção chegar ele desfilará em carro aberto. Não vai ter sossego tanto serão os “selfies”, mas, se ele pedisse a filha branquinha dos olhos azuis do presidente da Confederação portuguesa de futebol em casamento, será que ela ia aceitar... (talvez sim, pela conta bancária do negrão...). É. Eu fico pensando...
Quando eu vejo um preto rico, o Pelé, por exemplo, sendo homenageado, aclamado, depois de tanto tempo que encerrou a carreira de futebolista, como rei do futebol. Fico pensando, será que em algum momento ele não quis ser branco...
Quando eu vejo um preto que subiu na vida olhar para outro preto como se o “outro preto” fosse uma formiga, eu fico pensando, ‘ele não deve se achar mais preto’...
Quando um preto pobre de marré, marré (meu caso) andar todo lampeiro de braços dados com uma mulher branca, esposa, namorada ou amante, ser olhado de esguelha por brancos e pretos com aquele ar de “qu'essa branca viu nesse preto”... Eu fico pensando...
Quando eu vejo uma mulher preta com o cabelo artificialmente alisado, pesado, caindo nos olhos, nos ombros, e sendo jogados para trás de forma displicente num charme disfarçado... Eu fico pensando...
Quando eu vejo pretos pobres favelados, ferrados, sendo humilhados por ter cometido o terrivel pecado de terem nascidos pretos... Eu fico pensando...
Quando eu vejo mensagens de racismo nas redes sociais contra negros postados por outros negros... Eu fico pensando...
Quando eu vejo, pela televisão, finalmente! Um corajoso negro vingar negros assassinados por policiais lá nos States (pena, matou só 5...) e nunca são punidos... Eu fico refletindo, analisando, conjeturando...

Ulá, lá! Eu vou continuar pensando...

terça-feira, 21 de junho de 2016

A GESTÃO MUNICIPAL E CAPITAL MORAL


No dia do aniversário do Prefeito Mário Filho enviei-lhe, pelo meu velho sansumg esta mensagem, que provavelmente (ou certamente) ele nunca leu: “Parabéns, Prefeito. Que Deus o conserve com um coração em júbilo e sem máculas; conceda-lhe perseverança e encorajamento para enfrentar as adversidades do cotidiano. Abraços, Orlando (CDDPI)”. Tá.
O fiz por respeito e obrigação, haja vista, ser eu um Agente Público. E não nego, mesmo não o tendo escolhido (votei no candidato 50)  seis meses depois que ele assumiu a gestão passei a nutrir uma simpatia especial pelo prefeito e sua esposa, Michele, que é Secretária de Assistência Social. Cheguei até ser sondado para escrever sua biografia. Não deu certo. Não rolou. Reuni algumas vezes com a Primeira Dama que sempre me tratou com respeito e carinho. Aliás, no momento que eu estava com uma dentro e cinquenta a redor querendo entrar, a Secretária, quando soube, me chamou e ofereceu, sem que eu tivesse pedido, um emprego na Prefeitura à minha esposa. Serei eternamente grato por isso. Passei a comprar meus remédios (oito tipos diferentes) sem ter que está coçando o cu com garfo. E a minha admiração pelo alcaide veio pelo esforço como ele se atirou em campo. Trabalhando duro. Chamou para si a responsabilidade de conversar olho no olho com membros da sociedade civil (nesse período ligou pra minha casa convidando para um seminário. Pasmei!); o modo humilde e sincero de falar e ouvir; o abraço carinhoso. E obras. De repente coleta de lixo, reforma em escolas, ampliação das UBS, melhoria nos atendimentos emergenciais da saúde, e uma obra emblemática que tinha virado um monumento a irresponsabilidade e o desperdício de dinheiro público, que foi a conclusão do ginásio de esportes. Na assistência social um corpo técnico muito competente foi montado. Na segurança pública foi criada uma secretaria que tem no comando um coronel PM e, de fato, o Município saiu das estatísticas dos 100 mais violentos do Brasil.  Mas no meio de tantas boas conquistas foram chegando umas criaturas hediondas e manjadas de outras administrações. Eu mesmo com esta minha cara de pateta, e meio sem querer, flagrei uma situação de esperteza que deve render uns bons "trocados" ao engenhoso funcionário plantado no seio da administração. Quis denunciar. Não tive coragem. Me acomodei. Nessas alturas a irmãzinha já era funcionária...E quem tem joelho tem medo (eu tenho dois, logo...)
Justo próximo ao dia do aniversário do gestor uma nuvem cinzenta veio tirar o brilho duma administração que está (a meu ver, claro) ainda, como uma das melhores que Marituba já teve. Pois é. O fato é que três funcionários da prefeitura são apontados pelo Ministério Público como responsáveis pela formação de um esquema, desmontado pela Polícia Federal no dia 23 de maio ( Operação “lessons”), que desviou recursos da educação repassados pelo Governo Federal às prefeituras. Dos funcionários denunciados Jean, Ilmara e Dayse, a última é secretária de educação.
Credibilidade, confiança, reputação. O prefeito ainda é possuidor desse capital moral. Para mantê-lo, porém, o gestor tem que mostrar disposição em punir culpados.

O sonho é o guardião do nosso sistema imunológico. Por isso a nossa sensação de bem estar fica mais plena de contentamento, ficamos mais felizes, aplaudimos com mais sinceridade e sorrisos,   pessoas que têm na sua essência a honestidade dos honestos, a bondade dos bons e a fidelidade dos que não se corrompem...

quarta-feira, 2 de março de 2016

ESPOSA ASSUSTA MARIDO QUE SALTA NU PELA JANELA DO PRÓPRIO QUARTO


Confusão. Susto. Medo. Não fosse o vexame de ter saltado nu pela janela da própria casa e  corrido quase meio quarteirão na frente do Portuga da estrebaria, nimguém jamais saberia do que ocorreu com a Guiomarina e o Pedrão 

No início da década de 60 existia, mais ou menos onde hoje é o Curro Velho, uma estrebaria. Era do seu Joaquim, um português. Das 10 vacas, que pastavam na área da estrebaria e em terrenos desocupados no entorno, o portuga tirava leite que abastecia as boeiras do Ver o Peso, do Igarapé das Armas (ou das Almas, para muitos), mercado do telégrafo e algumas famílias de bairros adjacentes. A distribuição era feita em carroça, e como não existia naquele tempo os sacos plásticos, o leite saia direto da gamela grande do seu Joaquim para a vasilha do freguês. Era o delivery lácteo do Portuga.
O Pedro, conhecido como Pedrão por causa do seu 1,90m de altura, casou com a Guiomarina. Morena sestrosa que quando passava na rua olhares de inveja da mulherada e cobiçosos dos homens faziam-na andar mais rebolativa ainda. Ela sensualizava legal, e sabia que causava esse furor.
Logo depois do casamento o Pedrão arrumou emprego na Marinha Mercante. Era Marinheiro de Convés. E a primeira viagem durou quase seis meses. A segunda já durava mais de sete meses, quando a tripulação foi avisada que o cargueiro chegaria em Belém numa data que coincidia com um final de semana. Um sábado. E, de fato, era meia noite quando o naviozão brecou as máquinas na baía do Guajará. Como era grandão o cargueiro ficou fundeado lá fora. A tripulação veio para a terra em pequenos botes.
 A Guiomarina tinha sido avisada por telegrama da chegada do Pedrão e se emperequetou toda. Não dormiu. Uma da manhã o maridão chegou. Amaram-se! Amaram-se! Amaram-se! Extenuados, era quase seis horas quando, enfim, dormiram.
Seis e meia o Portuga chegou para entregar o leite e, toc, toc, toc. Bateu na porta com os nós dos dedos. De repente, ele escutou um furdunço dentro da casa, que era de madeira, e como o quarto do casal era o cômodo da frente deu para o seu Joaquim ouvir bem o que a Guiomarina dizia em desespero:
- Meu Deus do céu! O dia tá claro! Pelamor de Deus foge que o Pepê (era assim que ela chamava o marido) tá batendo na porta...
E o inusitado aconteceu. Um homem nu, peladão, saltou pela janela com o monte de roupa nas mãos e saiu correndo. Era o Pedrão, marido da Guiomar, como o Portuga a tratava.
- Ei Pedrãaoo! Gritou o Portuga com forte sotaque lusitano: - Ô raios c’os diabo porque estás a correr, assim, peladão? De chofre o Pedrão parou. Olhou rápido para os lados. Não havia ninguém na rua àquela hora. Foi quando ele percebeu que estava nu. Voltou rápido. Protegido pela carroça, vestiu-se. Olhou para a cara do Portuga e num gesto de grossura disfarçada despachou o homem:
- Vai-te embora, Joaquim! Não quero leite hoje...
Ele tinha a chave da casa que estava no bolso da calça. Abriu a porta. Entrou. Encontrou uma Guiomarina na cozinha ainda de combinação (roupa de dormir que combinava anágua e sutiã numa peça só) parecia uma barata tonta. Sem fixar o olhar no marido.  Ela dispôs a chaleira no fogão para fazer café, e ao invés de derramar querosene na lenha para começar o fogo, derramou a água que estava na chaleira, molhando a lenha e o fósforo. Os dois, Pedrão e Guiomarina, estavam parecidos gato quando derruba o vaso. Desconfiados. Ficaram por uns longos segundos numa contemplação mútua, enviesada e reflexiva. Até que ambos, ao mesmo tempo, abraçaram-se longamente. Um abraço de amor, cumplicidade e compreensão... Aconteceu um milagre. O Amor Venceu.
O Pedrão desembarcou do cargueiro de longo curso. Passou a trabalhar como marítimo em viagens por municípios da Amazônia. Ficava no máximo uma semana longe de casa. O casal teve dois filhos. Viveram juntos quase trinta anos. Aliás, só separaram quando o Pedrão comeu uma pratada de turú estragado, no barco que ele trabalhava como Primeiro Oficial de máquinas. Teve infecção intestinal, passou mal e morreu ainda embarcado.

A Guiomar, com 49 anos, mas ainda muito bela e conservada, foi trabalhar na cozinha do Kokotão, uma boate que tinha no telégrafo e que era de um antigo amigo, que também foi vizinho do tempo que o Pedrão era marinheiro de longo curso...


terça-feira, 1 de março de 2016

UM DEUS CASCA GROSSA PARA POBRES, OPRIMIDOS E HUMILHADOS

Esse pai enterrou o filho depois do tsunami de lama no desastre em Minas Gerais, e junto com outras vitimas do desastre está sofrendo para ter, pelo menos, onde morar. Oh! que falta faz aquele deus do velho testamento...

Episódio UM  Justiça(IN)
O Odorino tinha acabado de casar e teve que viajar à serviço. O coitado demorou mais do que devia, e principalmente do que podia esperar a senhorinha com quem ele casara. Veio sem avisar. Quando arriou a enorme malona na sala da casa da mãe e tomou a benção,  a velha foi logo buzinando no ouvido do filho:
- Tu já foste na casa da tua mulher?
- Não, mãe. Eu vim primeiro aqui tomar sua benção.
- Pois é. Vou te dizê logo. Ela tá botando chifre em ti. E é com aquele velho fazendeiro que não saía da casa da tua sogra ante de tu viajá.
Era cedo. O Odorino tinha descido no aeroporto às seis da manhã e no estômago estava só com o lanche servido no avião. Fingindo-se forte, sentou-se no banquinho de madeira na cozinha da casa, pousou os dois cotovelos na mesa, uniu as mãos com os dedos entrelaçados formando um ângulo reto e pousou a cabeça no vértice superior. Ficou assim por um bom tempo, com o olhar fixo na beirada da mesa. A mãe serviu um café, acompanhado com  beju de massa que a mesma fabricara lá no interior onde ela tinha roça. Tinha se arrependido de ter dado a notícia da infidelidade da nora, assim, de primeira, antes do filho ter chegado na casa dele. Ela adorava  o filho. Era o terceiro da prole e o primeiro dos quatro homens que formava a família de doze no total. O Odô, como todos o chamavam, não tomou o café. A mãe estava só. O pai tinha saído para o trabalho e os irmãos menores que estudavam estavam na escola, outros nas ruas trabalhando na venda picolé ou pela vizinhança limpando algum terreno. Trabalho duro que rendia alguns trocados. Era uma sexta feira.
Nove horas da manhã, finalmente o Odô chegou na casa dele. Foi recebido pelo “quebra ferro”, o vira lata de estimação que ao vê-lo saltou, latiu, lambeu as pernas do dono, que amargo como estava, se lembrou dum pedacinho da música do Roberto Carlos, “meu cachorro me sorriu latindo...”. A Cleonice, Cléo para o Odorino, estava para o trabalho. Ela era professora em uma escola não muito perto da casa.
Anita,  a moça que tomava conta das crianças, levou um susto ao vê-lo com a malona já no pátio. Toda atrapalhada por causa da casa que ainda estava desarrumada e a própria Anita encontrava-se ainda com a roupa da noite. Uma camisola fina, sem nada por baixo, e a alça do lado esquerdo era um filete de pano frouxo arriado que deixava o seio  à mostra. Respondeu o “bom dia” do patrão já no corredor. Tinha voltado correndo, foi mudar de roupa. Sem nada falar, ele entrou no quarto do casal, deu uma olhada redonda no espaço, encostou a malona na penteadeira sem abri-la. Foi até o quintal passando pela cozinha sem prestar atenção em nada. Se tivesse se detido um pouco, teria visto uma cueca e um par de meias de homem que estavam estendidas na cordinha esticada por cima do tanque de lavar roupa ao lado da porta da cozinha. Espaços separados por uma grade. Quando ele passou direto, a Anita, mais que rapidamente, retirou os utiles masculinos enfiou em um saquinho plástico e meteu dentro da lixeirinha da cozinha. As crianças que ela tomava conta eram quatro (só dois eram filhos biológicos do Odô. Outros dois a Cléo já tinha quando casaram), estavam todas para a casa das avós. Era quase meio dia quando a Cléo chegou. A Anita que já tinha ido embora, ficou estrategicamente próxima a casa dos patrões e avisou a patroa que o Odorino tinha chegado.
Quando a Cléo entrou em casa toda feliz da vida, encontrou um Odô estranho e o volume do rádio estava muito alto. Ela correu para abraçá-lo. Ele, ao invés de corresponder ao abraço, segurou-a pelos ombros forçando-a contra a parede. Falando entredentes, disse:
- Eu já sei de tudo. Sei que tu tá dando o rabo por aí. Eu não sei onde eu tô qu’eu não meto uma bala na tua cabeça e outra na cabeça do teu amante. Vagabunda! Disse isso e saiu. Foi na casa de uma tia, irmã da mãe, que morava próximo, que confirmou: “É verdade, meu filho. Ela tá mesmo saindo com ele...” Conversaram outros assuntos. Almoçaram. A tia armou uma rede e o Odô dormiu.
Era quase três da tarde quando uma patrulhinha da PM parou em frente da casa. Um soldado anunciou que queria falar com o Odorino. “Só esclarecimentos na delegacia...”Disse o policial. Avisado, o Odô, sem reagir, despediu-se da tia e saiu na “carona” no carro da “dura”. Quando chegaram na chefatura de polícia lá estavam a Cléo, a mãe dela dona Rita, o suposto amante e os policiais. Deu-se esse diálogo:
- Foi tu que dissestes que queres meter uma bala na minha cabeça? Fica falando merda. E se eu passar com meu carro por cima de ti? Perguntou o suposto amante da Cléo.
- Se tu me matar o meu cadáver vai ser preso. Porque quando um rico mata um pobre quem vai preso é o defunto. Respondeu o Odorino cheio de sarcasmo.
Foi o suficiente para irritar o delegado, que chamou um policial e deu ordem para enxadrezar o pobre do Odorino. O corno.
A Cléo caiu no choro. A mãe dela resmungou algo como: “Fica falando besteira por aí, resultado é isso...”O policial, cumprindo ordens do superior, levou o Odô para a cela. O Odorino, mesmo sem esboçar nenhuma reação levou um pescoção do meganha, que ainda falou em tom de ameaça:
- Olha bem pra minha cara, vagabundo! Disse isso para marcar território, já que não havia motivo nenhum para tal assertiva.
“Estás aqui por queres, voltarás se quiseres”. O Odorino se deparou com essa frase escrita no alto da parede na cela. (Isso foi em 1973)

Episódio DOIS:
O Leonildo tem 17 anos. Magrinho, usa boné e brinco. E como todo adolescente faz algazarra, Apronta. Mas é um menino bom e não dá dor de cabeça aos pais e nem à  professores. Passeava de bicicleta no conjunto residencial onde mora quando cruzou com uma viatura da polícia. Um policial desceu do carro e ordenou que ela parasse. E começou um mini interrogatório.
- Quantos anos tu tem?
-17
- Tem documento?
- Sim. Meteu a mão no bolso, retirou o RG e mostrou. Revistado, o policial encontrou o celular.
- De quem é esse celular?
- Meu. O policial mexeu no aparelho, viu a foto do Leonildo, devolveu o celular.
- Tás com sorte. Vagabundo!
- Porque vagabundo? Me respeite. Resmungou o Leonildo.
Foi o suficiente para o policial dá-lhe um tapa violento fazendo com que o Leonildo caísse por cima da bicicleta. Foi chutado. Não satisfeito o policial ainda retirou um spray de pimenta que espirrou na cara do Leonildo. Hoje, dois anos depois, o jovem sofre um grave problema na visão com risco de ficar cego. Ah, quando ele caiu por cima do velô quebrou uma costela...(Isso foi em 2014)

Episódio TRÊS
O Roberto foi funcionário do grupo Líder por oito anos. Trabalhava no setor de frios. Um dia qualquer do mês de abril do ano passado,  o parceiro substituto faltou e o Roberto teve que virar serviço. Passava das 21 horas. Morto de fome pediu ao gerente do setor permissão para comer alguma coisa. O gerente negou. Sem alternativa, o Roberto pegou frango no restaurante e comeu de frente para as câmeras. Não fez questão de se esconder porque, segundo ele “não tava roubando”. Três dias depois foi chamado ao DRH onde foi mostrado a imagem dele comendo. E o veredito: demissão por justa causa. Roubo!
O Roberto luta desde abril em busca de uma indenização. Como é pobre e está sobrevivendo com a venda de balas. Não tem dinheiro para contratar um advogado. O sindicato não quer se indisponibilizar com os patrões, largou o Roberto ao léo. Um causídico foi ao socorro do Roberto e assumiu a causa. Prometeu ganhá-la mas ficará com 30% do valor . Bem acima do que manda a lei relativa aos honorários  advocatícios, que é de 20%. Se a causa for ganha, o Roberto sofrerá mais uma injustiça. (Isso foi em 2015)

Assisti todos os capítulos da novela “Os dez Mandamentos” na Tv. Record do Edir Macedo. Não fui ver o filme na telona. Era reprise...No folhetim televisivo Deus mandava as pragas encima dos egípcios porque esses escravizavam e maltratavam os Hebreus. Água transformada em sangue, passando pela invasão de rãs, mosquitos, moscas, gafanhotos, peste em animais, feridas em gente, chuva de pedras, trevas e morte dos primogênitos. Morte!
Essas coisas fazem a gente pensar: Diante de tantas injustiças, será que não está passando da hora de termos um deus assim, justiçador; um deus, que de fato, na prática, se preocupa com os pobres e oprimidos? Um deus casca grossa. Que caia de pau sobre os poderosos que praticam injustiças, que agridem, humilham, matam? Um anjo exterminador ou um dilúvio só para a cambada que comete injustiças contra desgraçados são mais do que bem vindos. Ou diante da nossa impotência temos mesmo que nos conformar e entregar “tudo a Deus...”. Esse Deus perdoador; Deus de amor fraterno bondoso e compassivo; continuar comendo todo dia o pão que o diabo amassa todo dia. Ou vai chegar, se já não chegou sem que percebamos, estarmos comendo o pão que o diabo atira de qualquer maneira, isto é, ele não tem mais nem o trabalho de amassar.

Acostumados ao sofrimento estamos insensíveis. Não prestamos mais atenção ao que comemos... Só pode. 
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