O Zezinho Pé de Ferro recebe um lançamento
do goleiro ainda no campo do seu time, avança e dribla seis adversários, quando
o goleiro sai, já desesperado, prevendo que pode acontecer o pior para ele,
acontece. O Pé de Ferro dá-lhe um
chapéu, recebe a bola de volta descaindo, mata no peito, gira no próprio eixo, de
costa eleva o corpo no ar e faz um gol de bicicleta. Um golaço. Se o time dele
é de primeira divisão o lance vai ser repetido no jornal do esporte no dia
seguinte ao jogo. E só. Quem fez o gol, afinal, foi o Zezinho Pé de Ferro.
O lateral
direito do time do Neymar dribla toda a defesa adversária e entrega a bola de “mão beijada” para o craque que com um
simples toque faz o gol. O gogó do narrador quase arrebenta com o grito de gooll-laço-laço-laço. O lance vai ficar sendo
repetido a semana inteira em todos dos “melhores
momentos” nos programas de esportes. O Neymar é um dos jogadores mais feios
em atividade nos times do grupo “A” no
Brasil; tem uma cara de quati, topete de iguana e canelas de cambito, mas aonde
ele chega as “mariazinhas chuteiras”
berram, se descabelam, choram, ficam histéricas, é, mas ele, segundo a rádio grama de campo, tem um salário com
cifras que somam uns três milhões de reais por mês, logo...
Na política
também é assim. Quem leva não é o mais qualificado, na realidade os melhores
ficam de fora. Ficam fora porque muitas vezes não têm dinheiro para fazer
campanhas milionárias; éticos, se recusam fazer alianças com Deus e o diabo ao
mesmo tempo; evitam a mentira deslavada prometendo solução para tudo
(sinceridade em política é fatal); não atacam adversários com termos chulos e
grosseiros, não nivelam campanha por baixo. Com esses defeitos ninguém ganha eleição.
No meu
Município, Marituba/Pa, os três candidatos majoritários que estão polarizando a
atenção do povão é o Cinquenta e Cinco, o Quarenta e Cinco e o Vinte e Três. E
o eleitor cérebro de galinha, coitado, esquece tudo em pouco tempo. Por isso
que muitas vezes os escolhidos nem sempre são os melhores. Veja:
O 45. Já esteve à frente da governança
municipal por oito anos. Nesse período na inauguração da caixa acústica na
praça principal da cidade uma parte da construção caiu e acidentou vários
operários; uma caixa d’água caiu no bairro do Japão matando um vigia; um trator
da prefeitura passou por cima de um motoqueiro entregador de gás, matando-o
(não foi culpa do chefão, claro, apenas mão de obra despreparada a serviço da
prefeitura); um ginásio coberto foi demolido para a construção de outro,
iniciou-se a construção, só iniciou, a edificação está apodrecendo – é dinheiro
do povo jogado fora. O slogan da campanha é pra
Marituba voltar a brilhar. Dá para acreditar?
O 23. Esse
cumpriu o primeiro mandato, disputa a reeleição e nas pesquisas informais, o boca a boca, tem um alto índice de
rejeição. O slogan de campanha é pra
Marituba não parar de crescer. Hum hum...
O 55. Tenta
pela segunda vez. Tem uma claque poderosa e faz uma campanha muito forte. Nesta
segunda tentativa o candidato já não é um aventureiro presunçoso, é barulhento
e está a caça dos votos com alguma chance. O slogan é pela reconstrução de MaritubaI. Re-cons-truir...Ó
meu Deus, perdoai-vos.
Nos carros
som dos candidatos escuta-se de tudo e o tempo inteiro. É um festival de
paródias ridículas. Parece corrutela dos garimpos de ouro na década de setenta. Era
um cabaré no lado do outro com música em som de péssima qualidade num volume
altíssimo, a gente ficava zonzo sem saber o que escutar. Assim estão as
principais ruas da nossa cidade. Que coisa! Meu Deus. Somos vítimas dessa
barafunda sonora horrível, com carros se cruzando até alta hora da noite. Será
que essa lambança resulta em votos? Sei não... No vale-tudo das promessas e
soluções para qualquer problema, nos estridentes e berradores carros som, não
sei por que na gritalhada dos comícios, os candidatos só não prometem acabar
com a corrupção, despotismo, e o tráfico... Porque será, hem?
No
meio desse cipoal de mesmice repetitiva existe coisa boa: tem gente com perfil
diferenciado dos outros em tudo. É o candidato que nem parece ser candidato.
Ele é Filósofo (formado pela UFPa), Avaliador de projetos de captação de
recursos, Técnico em Planejamento Estratégico, Participante efetivo em
Conferências e Seminários onde se debatem Problemas Sociais, Políticos,
Econômicos e Ambientais; atualmente é Assessor no Instituto da Pastoral
Regional 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB. Ele é o 50. Ele é o Adelino Bessa. Ele
deve ser também o Zezinho Pé de Ferro
nessa corrida. Tem as melhores propostas, é o mais bem preparado, mas não tem
marqueteiro e nem faz parte do festim de acordos e conchavos espúrios. Com o
slogan Mudança com certeza o candidato se apresenta ao eleitorado
portando o grave defeito da sinceridade, logo,
quem aposta nele?

