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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Zezinho pé de Ferro e a biografia eleitoral

O Zezinho Pé de Ferro recebe um lançamento do goleiro ainda no campo do seu time, avança e dribla seis adversários, quando o goleiro sai, já desesperado, prevendo que pode acontecer o pior para ele, acontece. O Pé de Ferro dá-lhe um chapéu, recebe a bola de volta descaindo, mata no peito, gira no próprio eixo, de costa eleva o corpo no ar e faz um gol de bicicleta. Um golaço. Se o time dele é de primeira divisão o lance vai ser repetido no jornal do esporte no dia seguinte ao jogo. E só. Quem fez o gol, afinal, foi o Zezinho Pé de Ferro.
O lateral direito do time do Neymar dribla toda a defesa adversária e entrega a bola de “mão beijada” para o craque que com um simples toque faz o gol. O gogó do narrador quase arrebenta com o grito de gooll-laço-laço-laço. O lance vai ficar sendo repetido a semana inteira em todos dos “melhores momentos” nos programas de esportes. O Neymar é um dos jogadores mais feios em atividade nos times do grupo “A” no Brasil; tem uma cara de quati, topete de iguana e canelas de cambito, mas aonde ele chega as “mariazinhas chuteiras” berram, se descabelam, choram, ficam histéricas, é, mas ele, segundo a rádio grama de campo, tem um salário com cifras que somam uns três milhões de reais por mês, logo...
Na política também é assim. Quem leva não é o mais qualificado, na realidade os melhores ficam de fora. Ficam fora porque muitas vezes não têm dinheiro para fazer campanhas milionárias; éticos, se recusam fazer alianças com Deus e o diabo ao mesmo tempo; evitam a mentira deslavada prometendo solução para tudo (sinceridade em política é fatal); não atacam adversários com termos chulos e grosseiros,  não nivelam  campanha por baixo. Com esses defeitos ninguém ganha eleição.
No meu Município, Marituba/Pa, os três candidatos majoritários que estão polarizando a atenção do povão é o Cinquenta e Cinco, o Quarenta e Cinco e o Vinte e Três. E o eleitor cérebro de galinha, coitado, esquece tudo em pouco tempo. Por isso que muitas vezes os escolhidos nem sempre são os melhores. Veja:
 O 45. Já esteve à frente da governança municipal por oito anos. Nesse período na inauguração da caixa acústica na praça principal da cidade uma parte da construção caiu e acidentou vários operários; uma caixa d’água caiu no bairro do Japão matando um vigia; um trator da prefeitura passou por cima de um motoqueiro entregador de gás, matando-o (não foi culpa do chefão, claro, apenas mão de obra despreparada a serviço da prefeitura); um ginásio coberto foi demolido para a construção de outro, iniciou-se a construção, só iniciou, a edificação está apodrecendo – é dinheiro do povo jogado fora. O slogan da campanha é pra Marituba voltar a brilhar. Dá para acreditar?
O 23. Esse cumpriu o primeiro mandato, disputa a reeleição e nas pesquisas informais, o boca a boca, tem um alto índice de rejeição. O slogan de campanha é pra Marituba não parar de crescer. Hum hum...
O 55. Tenta pela segunda vez. Tem uma claque poderosa e faz uma campanha muito forte. Nesta segunda tentativa o candidato já não é um aventureiro presunçoso, é barulhento e está a caça dos votos com alguma chance. O slogan é pela reconstrução de MaritubaI. Re-cons-truir...Ó meu Deus, perdoai-vos.
Nos carros som dos candidatos escuta-se de tudo e o tempo inteiro. É um festival de paródias ridículas. Parece  corrutela  dos garimpos de ouro na década de setenta. Era um cabaré no lado do outro com música em som de péssima qualidade num volume altíssimo, a gente ficava zonzo sem saber o que escutar. Assim estão as principais ruas da nossa cidade. Que coisa! Meu Deus. Somos vítimas dessa barafunda sonora horrível, com carros se cruzando até alta hora da noite. Será que essa lambança resulta em votos? Sei não... No vale-tudo das promessas e soluções para qualquer problema, nos estridentes e berradores carros som, não sei por que na gritalhada dos comícios, os candidatos só não prometem acabar com a corrupção, despotismo, e o tráfico... Porque será, hem?
             No meio desse cipoal de mesmice repetitiva existe coisa boa: tem gente com perfil diferenciado dos outros em tudo. É o candidato que nem parece ser candidato. Ele é Filósofo (formado pela UFPa), Avaliador de projetos de captação de recursos, Técnico em Planejamento Estratégico, Participante efetivo em Conferências e Seminários onde se debatem Problemas Sociais, Políticos, Econômicos e Ambientais; atualmente é Assessor no Instituto da Pastoral Regional 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB. Ele é o 50. Ele é o Adelino Bessa. Ele deve ser também o Zezinho Pé de Ferro nessa corrida. Tem as melhores propostas, é o mais bem preparado, mas não tem marqueteiro e nem faz parte do festim de acordos e conchavos espúrios. Com o slogan Mudança com certeza o candidato se apresenta ao eleitorado portando o grave defeito da sinceridade, logo, quem aposta nele?

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