Festa
da Democracia. A campanha eleitoral, onde o povo participa de verdade, acabou. Aff! Graças a Deus. Fotografias tamanho
gigante, bandeiras, carros som, jingles, “santinhos”, gritarias, discussões e
brigas. Essas manifestações verbais, sonoras e policrômicas, confirmam, na
real, onde a população participa de verdade.
Uns ganharam uns trocados empunhando bandeira (bandeirantes do asfalto
da era moderna), outros levam um capilezinho a sorrelfa, e até uma promessa de
emprego deixa o fanatismo tomar conta do eleitor, fazendo dele um ardoroso
defensor do seu candidato podendo até sair no braço em defesa do seu
“preferido”. Mas a festa do povaréu termina por aí.
Depois
que o candidato eleito assume, entra no gabinete com sua entourage, c’est fini.
Acabou. Já era. O povo sai de cena. Aquele carinho com intimidade, o abraço
aconchegante, o aperto de mão; aquele sorriso gracioso e alegre dispensado aos
eleitores no período dos festejos na caça ao voto, é substituído pelo isolamento
do reizinho ou da princesa, que dentro do seu palácio vai olhar a massa pelas
frestas das persianas ou pelo vão do balancim do banheiro aonde ele vai se
esconder quando alguém procurá-lo no seu domicílio. Ah! Sim, na rua ele passará
por aquela criatura, um ex-abraçado, no seu possante com o vidro fumê
levantado. E lá no gabinete? Lá, os assessores funcionarão como uma barreira de
proteção. É aí que o ex-todo poderoso e paparicado eleitor vai descobrir que
ajudou eleger alguém que não tem vínculo com os anseios coletivos.
A maioria deles passam representar a si mesmos e por tabela os
interesses espúrios do submundo da política. Traição de candidato? Não!
Ingenuidade do eleitor que se deixou empolgar pelos paparicos e logo depois da
eleição esquece o candidato eleito, deixa de lado, só o procurando quando,
individualmente, precisa de algum favor; que não se junta a outros eleitores
para fiscalizar as condutas suspeitas e repugnantes dos seus parlamentares.
Infelizmente, para o eleitor brasileiro, depois que ele aperta os botões da
urna, pronto! Tudo acaba ali. Não temos o hábito de marcar no corpo a corpo
nossos legisladores, saber o que eles fazem na vida pública, cobrar. Isso é
ótimo para os eleitos. Eles têm a certeza que seis meses, ou antes até, depois
de eleitos, ninguém lembra mais nem em quem votou, e isso só reforça o que
“eles” já usam como filosofia, a de que não estão subordinado a ninguém,
principalmente os mais calhordas, aqueles que enxovalham a vida pública, já tão fértil de malfeitorias.
Amoralidade.
O eleitor não é vítima, é apenas uma espécie de vírgula em uma redação maior
cujo tema são artimanhas que de republicanas não têm nada, a não ser o desejo
de atingir e se manter no poder. Existem políticos nas casas legislativas com
inúmeros mandatos emendados um no outro. Alguém acha que essa cambada dedica
uma vida inteira em favor da causa alheia? Claro que não! O que interessa são
seus próprios interesses, seus sonhos, que até são os sonhos do eleitor também,
só que o pobre do eleitor dorme e acorda com pesadelos, a realização dos sonhos
fica para o ilustre candidato que ele ajudou eleger; candidato que eleito
financia sua boa vida, de familiares e amigos com o dinheiro dos desdentados; que
se transformam (ou às vezes já são) em delinquentes políticos especializados em
roubar cofres públicos; aves de rapina que são capazes de subir no cangote da
própria mãe como suporte para decolar em voos mais altos.
Uns
se perpetuam no poder e formam feudos, outros menos espertos – ou mais burros –
se ferram. Ganham (?), esbanjam e empobrecem. Conheço um que foi vereador duas
vezes e prefeito uma, nadava em benesses, hoje, já velho, sobrevive com um BPC
- Benefício de Prestação Continuada. Bem feito!
Curiosidades.
Esse ano, na Hungria, Alemanha, Nova York, não foi roubalheira, mas por algum
deslize menor, Presidente, Primeiro Ministro e Governador, respectivamente,
renunciaram; no regime Talibã o castigo para um furto simples é ter uma
das mãos amputadas. Aqui políticos ladrões (oh, desculpe, corruptos) são cheios
de pose e orgulhosos. Ah! Também não queremos um país de manetas...



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