No
dia 16 de setembro se comemora o Dia da
Imigração Japonesa no Pará. Foi a Lei 7.319 sancionada pela ex-governadora
Ana Julia, em 2008, quando fez cem anos da vinda dos japoneses para o Brasil.
Não sei se noutros Estados “eles” têm o dia deles, Aqui tem, também pudera,
fora São Paulo no Sudeste, o Estado do Norte onde mais ficaram japoneses foi
aqui no Pará, principalmente em Tomé-Açu.
Na
terra do “fura filas”, do “jeitinho”, os japoneses não se deixaram contaminar e
conseguiram se manter como referência em cultura, educação, serenidade e
respeito coletivo onde no bem “dos outros” é “meu” também. É a influência
budista, penso eu. E olhe que o Getúlio Vargas proibiu, durante a segunda
guerra mundial, todas as manifestações culturais e até uso do idioma japonês em
todo o Brasil.
Em
1960, cinco anos depois de emancipado, Tomé-Açu tinha tanto issei ( 1ª geração de imigrante do Japão)
que mais parecia um território japonês. E foi lá que aconteceu um caso
inusitado.
No
Município quase não existiam estradas, e as que tinham eram para carroças
puxadas por boi ou cavalo, e na área rural mesmo eram só caminhos estreitos.
Casas eram muito distantes uma das outras. E foi numa dessas rotas a caminho da
roça de pimenta do reino (forte da cultura e economia do município) que um
velho japonês, o “seu” Kagaru Nutashu foi flagrado pela Itelvina, uma mulher
gorducha, que usava um pano amarrado na cabeça e cara de poucos amigos. O velho
Japonga como todos o chamavam pelas
redondezas, estava com as calças arriadas, de cócoras, um chapéu de palha na
cabeça.
No
primeiro momento a d. Itel, como era
conhecida se irritou porque tinha levado um enorme susto. Ela ia fumando um
porronca que tinha um cheiro horrível, mas ajudava espantar muriçoca e cantarolava
bem baixinho uma música “du tempu da
mucidade”, quando deparou com “aquela arrumação”- no dizer dela. O pior, no
susto, o cigarro que ainda estava pela metade, quando ela gritou “aai! Que
diabo é isso..”, caiu da boca para dentro da blusa invadiu o porta seio e se
aninhou entre os dois enormes peitões, e no espalhafato para se livrar da baganona que já estava queimando ela
jogou o facão no chão, arrancou a blusa que estava por dentro da saia e um dos
seios ficou a mostra. Só então ela percebeu que o seu Japonga tinha cagado na beira do caminho. Um pecado imperdoável!
Ah, que raiva. Que fedor.
Aí
ela desancou o "seu" Kagaru Nutashu.
Xingou durante uns cinco minutos. E o velho japonês lá, impassível, silencioso,
nem se limpou. Ergue-se, levantou a calça, sempre de costa com cuidado para não
mostrar “outras coisas”. Só se
manifestou quando a d. Itel, sem mais o que dizer já indo embora ainda gritou:
- tamanho velho e não tem vergonha na cara
.
Foi quando ele
respondeu, com a característica calma oriental:
- Japonês caga assim, de frente pro mato e de
costa pro caminho, porque japonês tem vergonha na cara, japonês não tem
vergonha no cú...


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