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domingo, 9 de setembro de 2012

E a sua, onde está?


No dia 16 de setembro se comemora o Dia da Imigração Japonesa no Pará. Foi a Lei 7.319 sancionada pela ex-governadora Ana Julia, em 2008, quando fez cem anos da vinda dos japoneses para o Brasil. Não sei se noutros Estados “eles” têm o dia deles, Aqui tem, também pudera, fora São Paulo no Sudeste, o Estado do Norte onde mais ficaram japoneses foi aqui no Pará, principalmente em Tomé-Açu.
Na terra do “fura filas”, do “jeitinho”, os japoneses não se deixaram contaminar e conseguiram se manter como referência em cultura, educação, serenidade e respeito coletivo onde no bem “dos outros” é “meu” também. É a influência budista, penso eu. E olhe que o Getúlio Vargas proibiu, durante a segunda guerra mundial, todas as manifestações culturais e até uso do idioma japonês em todo o Brasil.
Em 1960, cinco anos depois de emancipado, Tomé-Açu tinha tanto issei ( 1ª geração de imigrante do Japão) que mais parecia um território japonês. E foi lá que aconteceu um caso inusitado.
No Município quase não existiam estradas, e as que tinham eram para carroças puxadas por boi ou cavalo, e na área rural mesmo eram só caminhos estreitos. Casas eram muito distantes uma das outras. E foi numa dessas rotas a caminho da roça de pimenta do reino (forte da cultura e economia do município) que um velho japonês, o “seu” Kagaru Nutashu foi flagrado pela Itelvina, uma mulher gorducha, que usava um pano amarrado na cabeça e cara de poucos amigos. O velho Japonga como todos o chamavam pelas redondezas, estava com as calças arriadas, de cócoras, um chapéu de palha na cabeça.
No primeiro momento a d. Itel, como era conhecida se irritou porque tinha levado um enorme susto. Ela ia fumando um porronca que tinha um cheiro horrível, mas ajudava espantar muriçoca e cantarolava bem baixinho uma música “du tempu da mucidade”, quando deparou com “aquela arrumação”- no dizer dela. O pior, no susto, o cigarro que ainda estava pela metade, quando ela gritou “aai! Que diabo é isso..”, caiu da boca para dentro da blusa invadiu o porta seio e se aninhou entre os dois enormes peitões, e no espalhafato para se livrar da baganona que já estava queimando ela jogou o facão no chão, arrancou a blusa que estava por dentro da saia e um dos seios ficou a mostra. Só então ela percebeu que o seu Japonga tinha cagado na beira do caminho. Um pecado imperdoável! Ah, que raiva. Que fedor.
Aí ela desancou o "seu" Kagaru Nutashu. Xingou durante uns cinco minutos. E o velho japonês lá, impassível, silencioso, nem se limpou. Ergue-se, levantou a calça, sempre de costa com cuidado para não mostrar “outras coisas”. Só se manifestou quando a d. Itel, sem mais o que dizer já indo embora ainda gritou:
- tamanho velho e não tem vergonha na cara .
Foi quando ele respondeu, com a característica calma oriental:
- Japonês caga assim, de frente pro mato e de costa pro caminho, porque japonês tem vergonha na cara, japonês não tem vergonha no cú...

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