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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EU NÃO GOSTO DE TOCHA! EU GOSTO DE ATOCHAR...


A imagem da tocha que seria pendurada no pescoço dos políticos desonestos na Olimpíada da Honestidade (caso ela existisse) teria o modelo da foto. Só que, fedendo à bosta!
“Eu não gosto de tocha! Eu gosto de atochar”- Essa a resposta que o cantor/sambista Zeca 
Pagodinho deu ao repórter que perguntou o porquê de ele não ter sido escolhido para carregar a tão festejada tocha dos jogos olímpicos de Londres em 2012, quando ela passou pelo Brasil. Na verdade, o sambador devia estar mordido porque além do João Nogueira, a dupla sertaneja nascida no Goiás, Zé de Camargo e Luciano, e outras personalidades menos expressivas carregaram, e ele não.
Atochar. Significa entrar com força, enfiar na marra. E a tocha, finalmente, chegou ao seu destino final, Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. Antes, porém, Sua Majestade, a Senhora Tocha, passeou por 26 Estados e o Distrito Federal, Brasília. Terra de gente honesta.
Atochar. Taí, se os linguistas estão certos na definição, a tocha foi enfiada na marra nas fuças dos brasilinos da silva, que correram felizes na frente, atrás, no lado, do canudo com chama, sem saber, de fato,  o motivo e nem o significado de tão inusitado acontecimento. Um fogo que não apaga nunca, e se apagar tem mais quatro lamparinas sobressalente que funcionam como uma espécie de backup da chama. E mais, ela tem pontualidade, guardiães, e seguranças, concentrada nos três eixos: defesa, inteligência e segurança pública. Tudo feito pelas polícias civil, federal e militar. Em alguns Estados até o exército e a força Nacional de segurança estão envolvidos na guarda da poronga vip. É mole?... O que falta a plebe sobra a lamparinona, que é proteção. Trezentas cidades, 36.000 km, foi o total do roteiro que a danada percorreu na mais perfeita tranquilidade. Ô inveja, Senhor...Moro (verbo morar) a 200m da feira livre, nesse trecho já fui assaltado duas vezes...
Bem que Zeus, o deus do olimpo, que tinha poder de fazer relâmpagos, trovões; que mandava chover e que tem uma simbiose histórica com a tochona, e que tem no fogo esse elemento divino, devia criar uma nova modalidade de disputa, a olimpíada da honestidade.  Os Países governados por canalhas, patifes, ladravazes e embusteiros receberiam medalhas de excrementos. E que eles, governantes de todos os níveis, presidentes, governadores, prefeitos e seus descendentes até a terceira geração fossem obrigados a usar as insígnias, que deveriam exalar mal cheiro. Fedor de bosta mesmo! Aí justificava-se o ôba ôba, a correria, os sorrisos, as palmas e os sélfies, que lamparina olímpica provocou. Seria garantia absoluta que deputados, senadores, governadores, e prefeitos dos 5.570 municípios brasileiros, toda essa cambada, ia pousar com uma medalha de cocô pendurada no pescoço. Uma premiação diferente. Que daria uma trégua olímpica em roubos e assaltos  à cofres  públicos.
Hefesto, o deus da literatura grega, berço do fogo olímpico, devia operar um milagre inimaginável, desvairado: tacar fogo nessa putrefação congênita nacional chamada corrupção...

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