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sexta-feira, 18 de maio de 2012

ÓDIO, NOJO, REPUGNAÇÃO E REVOLTA


Precisava pensar. Criei um blog. Não um folhetim de denúncias, e sim, crônicas, fatos do cotidiano com pitadas de ironia encorpadas com críticas rápidas. Preâmbulos sempre maiores do que o assunto com escopo crítico, até porque o que tem de blogueiro assassinado nos últimos tempos... blogueiro de verdade não um bundão que nem eu, um velho sonhador que pensa saber escrever, mas hoje dia 17 de maio de 2012, eu dei um cartão de visita a uma inspetora da Polícia Rodoviária Federal e pedi para ela acessar o blogdojambu. A posuda inspetora disse que sim e eu não quero desapontá-la.
                                                                                             
O FATO
Benevides, 17/05/2012, quinta-feira, 11h. da manhã. Entrei no microônibus placas nº JVJ 5455 e apresentei a carteira emitida pela CTBEl conhecida por passe fácil, que dá ao portador idoso o direito à gratuidade em transportes coletivos. Ao mostrar o documento fui desacatado pelo condutor que parou o micro, levantou-se e mandou-me descer para entrar pela porta traseira. Desci e ele arrancou em velocidade. Eu apanhei uma moto fui até o posto da Polícia Federal que funciona lá mesmo em Benevides.
Um bom tempo de espera e fui atendido por um impostor, digo, inspetor que demorou atender-me porque conversava ao celular – devia estar resolvendo algum problema muito sério – contei o que aconteceu, fui ouvido e levado a um outro que veio logo perguntando se eu tinha o documento que me permite andar de graça, provei que sim; segunda, anotou a placa do carro?, quando eu disse que sim e mostrei o número anotado, aí o inspetorzão  disse que nada podia fazer porque ali é um setor administrativo.
Peguei outro ônibus e fui ao posto da Federal de Ananindeua. Quando lá cheguei a cabine de ar condicionado naquele momento estava habitada por duas inspetoras. Uma gorda e outra magra, essa última me atendeu. Relatei e ouvi de novo - as duas me olhavam como se eu fosse uma formiga - que função da PRF não tem nada a ver com a minha demanda. Humilhado, vilipendiado, com o rabo entre as pernas, fui-me embora num sol de 13h. caminhando até o próximo ponto de ônibus, me sentindo como um lixo. Fui atirado outra vez para fora, agora da confortável cabine dos inspetores prfs. Se eu fosse avô ou pai dessas criaturas especiais, será que o comportamento deles seria o mesmo?
Eu podia colocar aqui alguns artigos da Lei 10.741 de agosto de 2003 que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, se o fizesse seria mais uma perda de tempo. Se fosse um jornal impresso em papel os personagens aqui descritos certamente usariam para limpar o cu, mas como isso é só mais um instrumento de comunicação onde a gente coloca nossas idéias e opiniões, e tem que ter muito cuidado, de repente posso falar muito, colocar nomes e entrar em fria porque sou pobre e negro, dispondo somente do dia e da noite, que é um bem comum a todos, não teria como pagar indenizações por danos, ou enfrentar penas alternativas. Sou voluntário em projetos sociais, já trabalho muito sem renumeração.
Ódio, nojo, repugnação e revolta. A culpa é da Lei, confiamos e nos ferramos. Noutros tempos eu deixaria passar uns dias e me vingaria bacana. Era ferro no ferro. Quando subíamos pela porta traseira nos coletivos e descíamos pela frente, motoristas respeitavam mais, porque quem tem, tem medo.
Taí, d. inspetora. Leia, critique e compartilhe com seus nobres colegas de farda.
Au revoir.


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