Precisava pensar. Criei um blog. Não um folhetim de
denúncias, e sim, crônicas, fatos do cotidiano com pitadas de ironia encorpadas
com críticas rápidas. Preâmbulos sempre maiores do que o assunto com escopo
crítico, até porque o que tem de blogueiro assassinado nos últimos tempos...
blogueiro de verdade não um bundão que nem eu, um velho sonhador que pensa saber
escrever, mas hoje dia 17 de maio de 2012, eu dei um cartão de visita a uma
inspetora da Polícia Rodoviária Federal e pedi para ela acessar o blogdojambu. A posuda inspetora disse
que sim e eu não quero desapontá-la.
O FATO
Benevides, 17/05/2012, quinta-feira, 11h. da manhã.
Entrei no microônibus placas nº JVJ 5455 e apresentei a carteira emitida pela
CTBEl conhecida por passe fácil, que
dá ao portador idoso o direito à gratuidade em transportes coletivos. Ao
mostrar o documento fui desacatado pelo condutor que parou o micro, levantou-se
e mandou-me descer para entrar pela porta traseira. Desci e ele arrancou em
velocidade. Eu apanhei uma moto fui até o posto da Polícia Federal que funciona
lá mesmo em Benevides.
Um bom tempo de espera e fui atendido por um
impostor, digo, inspetor que demorou atender-me porque conversava ao celular –
devia estar resolvendo algum problema muito sério – contei o que aconteceu, fui
ouvido e levado a um outro que veio logo perguntando se eu tinha o documento
que me permite andar de graça, provei
que sim; segunda, anotou a placa do carro?,
quando eu disse que sim e mostrei o número anotado, aí o inspetorzão disse que nada
podia fazer porque ali é um setor administrativo.
Peguei outro ônibus e fui ao posto da Federal de
Ananindeua. Quando lá cheguei a cabine de ar condicionado naquele momento
estava habitada por duas inspetoras.
Uma gorda e outra magra, essa última me atendeu. Relatei e ouvi de novo - as
duas me olhavam como se eu fosse uma formiga - que função da PRF não tem nada a
ver com a minha demanda. Humilhado, vilipendiado, com o rabo entre as pernas,
fui-me embora num sol de 13h. caminhando até o próximo ponto de ônibus, me
sentindo como um lixo. Fui atirado outra vez para fora, agora da confortável
cabine dos inspetores prfs. Se eu fosse
avô ou pai dessas criaturas especiais, será que o comportamento deles seria o
mesmo?
Eu podia colocar aqui alguns artigos da Lei 10.741
de agosto de 2003 que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, se o fizesse seria mais
uma perda de tempo. Se fosse um jornal impresso em papel os personagens aqui
descritos certamente usariam para limpar o cu, mas como isso é só mais um
instrumento de comunicação onde a gente coloca nossas idéias e opiniões, e tem
que ter muito cuidado, de repente posso falar muito, colocar nomes e entrar em
fria porque sou pobre e negro, dispondo somente do dia e da noite, que é um bem
comum a todos, não teria como pagar indenizações por danos, ou enfrentar penas
alternativas. Sou voluntário em projetos sociais, já trabalho muito sem
renumeração.
Ódio, nojo, repugnação e revolta. A culpa é da Lei,
confiamos e nos ferramos. Noutros tempos eu deixaria passar uns dias e me
vingaria bacana. Era ferro no ferro. Quando subíamos pela porta traseira nos
coletivos e descíamos pela frente, motoristas respeitavam mais, porque quem tem, tem medo.
Taí, d.
inspetora. Leia, critique e compartilhe com seus nobres colegas de farda.
Au revoir.


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