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terça-feira, 30 de julho de 2013

INDISCIPLINADO, REBELDE, ESTRANHO E...PAPA FRANCISCO

            
O Zé Brocoió, repórter do blogdojambu, sabia que o Papa Francisco não é de dar entrevista. Mas ele é repórter. Ele não desiste. No Rio fingiu-se de gari, bandido mirim, adicto, mendigo, peregrino argentino E nada. Só deu certo, enfim, quando disfarçado de camareira, o ZB conseguiu entrar no alojamento do Sumaré, onde o Pontífice estava hospedado. Foi a 2ª "entrevista". A primeira aconteceu no dia que o ainda cardeal, Bergoglio, foi consagrado Papa, e foi  publicada aqui no blog com o título  “Um Francisco sem delongas”. O detalhe é que depois o Pontífice foi entrevistado por uns jornalistas da poderosa Globo News, que deve ter desembolsado uma fortuna em propinas com padres, cardeais, bispos, assessores do vaticano e políticos do alto escalão do governo federal, que intermediaram o encontro.
 A "Entrevista" concedida ao Zé Brocoió começou tensa. Foi assim:
Z.B. – S.S. eu sou aquele repórter que lhe entrevistou lá no Vaticano quando o declararam  Pa...
A reação do Sumo Pontífice foi inusitada: 
S.S.- Mas, que diacho é isso? Você não é a irmã Brocolina? (nome com o qual o Zé vinha se identificando). Saia já daqui!
Me ajoelhei e  implorei. Aí prevaleceu o coração mole do Padre-Chefe , que aquiesceu. “Tá, tá, tudo bem”. E foi ele quem acabou fazendo a 1ª pergunta:
S.S. – Quem era aquela mulher volumosa, decotuda,  da boca larga, vestida toda  de amarelo, que cantou na cerimônia de acolhida da  JMJ em Copacabana?
Z.B. – É a Fafá. Ela é de Belém, minha terra. E o Senhor é o 3º Papa que ela homenageia cantando. Ela cantou com o Tancredo Neves, também. Um politicão que existiu no Brasil. Já finou-se. Por falar em político, é verdade que o governo brasileiro tentou colar a sua popularidade a imagem da presidente Dilma que tá despencando nas pesquisas?
S.S. – Tentaram. Tentaram sim. Mas desde quando o vesgueta do Nestor Kirchiner (nesse momento o super-padre se benzeu) me chamou de “líder espiritual de oposição” nunca mais eu quis saber de muito papo com essa cambada, que sempre quer levar vantagem em tudo.
Z.B. – Côngrua, a ajuda de custa que os padres brasileiros recebem  fica em torno de dois mil reais por mês. S.S. como representante supremo da igreja católica deve receber uma côngrua bem gorda. Quanto  o Sumo Pontífice recebe mensalmente? É em dólar ou euro?
S.S. – Primeiro, eu não gosto de ser chamado de Sumo Pontífice. Depois quanto eu recebo não é da tua conta e nem da conta de ninguém. E se tu fizeres mais uma pergunta igual essa eu encerro a entrevista. Hum!...
Z.B. -  S.S. pagou com sua grana  a conta da casa onde se hospedou durante o conclave; continua morando na casa  Santa Marta, que é onde hospedam bispos em transito pelo Vaticano; dispensou uma senhora mordomia dum  luxuosíssimo apartamento com dez aposentos; carrega a própria maletinha quando viaja de avião e dispensa também a cama papal; mandou vender os carros de luxo que serviam os Sumos Pontífices que o antecederam. Na Europa já o estão chamando de folclórico...
S.S. – Pois é. Eu tenho pensado nisso também. Esse continente passou mais mil e duzentos anos convivendo com papas europeus. O Papa Leão XII desfilava pelas ruas de Roma na tal Berlinda Di Gran Gala, construída especialmente pra ele em 1826, que tinha decoração em madeira pintada com folhas de ouro; não pisavam no chão nem olhavam o povo nos olhos e ainda viviam a serviço dos poderosos. É, de fato, eu fico pensando... Ah! deixa chamar e pensar o que quiserem. Eles que vão tomar no tubodocutubo. Num tô, nem aí...
Z.B. – A faxina que S.S. está fazendo já colocou o Monsenhor Nuzio Scarano, responsável pelo Banco do Vaticano e peIo IOR – Instituto de Obras Religiosas -  na cadeia, e o Pe. Federico Lombardi Scarano, que no setor contábil dificultava o rastreamento  do dinheiro, está sendo indiciado e pode acabar no xilindró, também. Eles estão até aqui (passei a mão no gogó imitando “degola”) com o Senhor. S.S.  parece que está desmontando uma quadrilha. Não tem medo?
S.S. – Claro que eu tenho, filho. Andei lendo uns livros do Dan Brow que mistura umas estórias estranhas de conspirações sinistras na Santa Sé, mas tu já reparaste que eu não ando encurvado como o polonês Wojtyla e o alemão Ratzinger, não! Eu sou argentino, latino americano! Ando teso, cabeça erguida. Tô que não passa um abacaxi, mas demonstrar temor,  hum! Negativo. Como dizia um técnico que dirigiu a seleção de futebol de vocês: eles vão ter que me engolir...
Z.B. – O jornalista e pesquisador americano Christian Carye disse que esta sua visita ao Brasil poderá ter, para a América Latina, o mesmo efeito que teve a viagem feita por  João Paulo II à Polônia em 1979, quando praticamente desmontou o comunismo na Europa Oriental. S.S. concorda com esse raciocínio?
S.S. – Não sei que tu queres dizer com isso. Eu vim só cumprir um compromisso com a Jornada Mundial da Juventude. Compromisso, aliás, que não foi nem eu que assumi. Só isso... Eu soube que a Lulita, (assim que a Dilma é conhecida na Argentina) convidou uns presidentes pra cá. Nem sei se eles vieram. Caso tenham vindo eu os abençoei com certeza. Afinal eu abençoo até bandeiras de eventos esportivos, né...
Z.B. – Uma vez o cardeal Mario Jorge Bergoglio disse que padre não é rato de igreja. Lugar de padre é na rua e no meio do povo... Parece que o Papa ouviu bem o cardeal, hem?
S.S. – E é. Nunca gostei e nem fui padre almofadinha. Nem sei direito o por quê, mas eu gosto mesmo, pode botar fé, é de inhaca de gente. 
Z.B. – Um grupo de protestantes, mais especificamente lésbicas, que nos protestos que fazem não costumam respeitar ninguém, usaram ícones da igreja católica para gestos obscenos (inclusive se masturbaram com crucifixo) no meio da multidão que celebrava a JMJ, no sábado em Copacabana. Como S.S. vai lidar com essas minorias radicais e intolerantes?
S.S. – Esse lixo social a céu aberto, que pelo comportamento, é indesejável em qualquer sociedade, e  que, como dejeto não deve ser atirado em latrina, no cesto de orgânicos e nem em aterros sanitários pra que não tornem esses lugares mais pútridos e fétidos, existem, mas são menos perigosos do que os radicais islâmicos, logo,  devemos isso sim, perdoá-los. Dá-lhes amor...
Z.B. – A sua visita ao Brasil já fez um milagre: é o primeiro argentino que os brasileiros se apaixonaram e estão amando...
S.S. – hahahahahaha....
Ele riu e foi se mandando, segurando aquele vestidão dobrado no braço, deixando aparecer a ceroulona. Mas se voltando ainda perguntou:
- Como é mesmo o nome daquela mulherona de amarelo?
Respondi: 
-Fafá. Fafá de Belém. 
Escutei-o, já entrando no quartinho humilde, com aspecto cansado, mas cantarolando baixinho:
-Ai FafáFafá Fafáááá...
Eu comecei tirar a minha roupa de freira e conjecturando comigo mesmo:
- Até o Papa, Senhor! O que não faz uns peitões, tipo airbag inflado. Quase totalmente a mostra. Esse mundo tá perdido. Até Ele...

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