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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

É VERDADE. EU MINTO, TU MENTES, ELES MENTEM; NÓS MENTIMOS...

Não é lenda. Quando a pessoa começa contar uma mentira, principalmente se for cabeluda, micros vasos sanguíneos alojados no septo nasal dilatam, inflam. O nariz fica vermelho, provocando comichão, por isso o mentiroso fica coçando o nariz o tempo todo.



O Paizote é um senhor de quase 60 anos, tem um filho de oito. Uma gracinha de garoto. Esperto. Inteligente. Falante. O menino brincava na moto movida à pilha na praça do residencial quando a motocicletinha enguiçou. O pai mexeu, remexeu, escarafunchou.  Consertou a máquina e entregou ao irrequieto garotinho.
- Taí.  Tá boa. Pode montar. Ordenou.

 O guri montou rápido, mas não deu partida. Pensou um pouco, desceu e testou a moto. Quando montou de novo, o pai resmungou: - Não acredita em mim, caralho?
Testar primeiro. Até alguns casais, antes de casarem “de verdade”, costumam passar por um período de amigação (espécie de estágio), que nesse caso, talvez nem seja porque um não acredita no outro, mas o fato é que os dois querem ter a certeza que a união vai dar certo. Crer e confiar, para aí sim, atar o nó definitivo.
As duas coisas que eu achei interessante no episódio entre o pai, já quase sessentão, e o miudinho: o guri se certificar que o pai não estava mentindo, que, de fato, o equipamento estava cem por cento. E a reação do pai, admoestando o filho com a frase: “não acredita em mim, caralho?”.
Aí me veio aqui na bola pensante: com certeza esse pai já prometeu coisas para o filho, e não cumpriu. Mentiu. O menino está ressabiado (Cachorro mordido de cobra tem medo até de linguiça...).
Bom, na real mesmo, a mentira, com certeza é uma instituição universal. Em qualquer lugar do mundo, se mente. Um ser humano comum que não tem fama de engrupir ninguém; que não é um enganador inveterado; um inocentinho qualquer; mente, em média, 200 vezes por dia. Du-zen-tas... E isso é confirmado por especialistas no assunto, que até recomendam aos pais quando a criança não mente levarem ao médico. Porque não é normal não mentir. Mentir é sinal de evolução. E faz não apanhar da avó. Vejamos o exemplo:
 A Karine, 7 anos, brincava com a Bia, 8. No meio das peripécias alguém bateu no vaso que decorava a sala, que não quebrou (que vale!), mas espalhou areia e flores pelo ambiente todo. Aí começou um corre corre liderado pela mais nova, a Karine, que  murmurava baixinho: “bora limpar rápido antes da vó ver. Bora Bia, mais rápido...” (eu estava deitado numa rede na sala e fingia que dormia). A limpeza ficou mal feita e o vaso retornou para o lugar dele com as flores meio desarrumadas. Quando a vó viu a desarrumação as duas falaram ao mesmo tempo: “a Malu passou correndo e derrubou o vaso. Nós ajeitamos...”. A Malu é a cadela da casa. As duas articularam e executaram uma mentira, porque sabiam se falassem a verdade seriam punidas.
No livro “Porque as Pessoas Mentem” do filósofo e psicólogo David Smith, especialista em estudo do comportamento, diz que: “Mentir é o pilar das relações sociais. É um sinal de evolução, sem ela o mundo seria um caos...” Mas... Hum!
Veja isso: O Cornélio, marido da Odentina, já tinha se acostumado com a situação. Ele chegava do serviço sempre à noite, e tinha reparado que a mulher, de vez em quando recebia, ou trazia para casa, algum objeto de valor – Tv, som, móveis ou dinheiro vivo - e justificava dizendo que ganhava no “Bingão”, uma casa de jogo que funcionava no outro bairro. Até que num dia de muito frio com a temperatura beirando os 10 graus, na hora do banho, o Cornélio verificou que a Odentina estava com a ducha de água direto no sexo, que fazia uma assepsia só na vagina, evitando molhar-se por completo. Aí ele olhou de esguelha o banho inglês da madame, e perguntou em tom de ironia: “E aí, hoje vai lavar só o cartão do bingo...?.
 Chato. O mentiroso cai do galho. Fica sem graça quando descobre que a pessoa a quem ele mente conhece a verdade verdadeira das suas inverdades. O mentiroso eventual. O mitômano, o inveterado, esse não tá nem aí...
O filósofo Confúcio deixou uma frase: “Os idiotas da época antiga eram honestos. Os idiotas modernos mentem...”.
A gente nasce, cresce e morre mentiroso. A mentira assim como a alegria, a tristeza e a raiva é parte inseparável da índole humana. E para ajudar, existem profissões que exige do profissional habilidade para mentir. Separemos apenas duas: advogado e político. Qual dos dois mente mais? A minha mulher, a irmãzinha, respondeu que é o político. Não sei. Mas tenho um exemplo recente. Há bem poucos dias atrás, este Zé Mané aqui, num evento público restrito aos idosos, foi chamado à parte pelo prefeito Municipal do nosso Município, que propôs ao escriba cá escrever a sua biografia, a partir da batalha que ele teve que enfrentar até assumir o cargo máximo como gestor Municipal. Vixi! Fiquei como diria o falecido Jamelão, parece pinto no lixo, todo serelepe. Me achando. De repente, murchou tudo. Eu acho que o homem esqueceu. Ah! Meu Deus. Será que era mais uma mentira social...?
A dona mentira que me perdoe. Com toda sua boa fama e o know-how que você tem na arte da manipulação e seu renome como imprescindível nas relações humanas, mas a franqueza, a honestidade, a verdade, ditas com jeito e muito carinho, devem ser sempre privilegiadas em uma relação.
“eu ví o teu marido em bundas, tod’inrolado cum dois viado lá num motel perto de casa. Ele num me viu, mas pelamô de deus num vai dizê que fui eu qui te contei. Ah! Na verdade num sei nem por que tô te contando... Tchau!

Com uma verdade contada desse jeito qualquer versão mentirosa que diminua ou elimine o impacto da notícia é muito mais saudável. Por isso, mentira, tu és a tal. Reinas poderosa e impávida com o nariz empinado no meio das bundas moles e chatas de algumas verdades. N’est pas...?

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