Subscribe:

Ads 468x60px

terça-feira, 27 de novembro de 2012

REDES SOCIAIS: INTEGRAÇÃO E TRANSGRESSÃO


                                                                                        
                                                                  “A beleza de tudo é a certeza de nada"
                                                                                    (Zeca Baleiro)
        
           Em meados dos anos 60 na colônia Chicano do Tauá, zona rural na época município de Ananindeua, um dos sistemas de comunicação bastante usado era a batida na sapupema da sumaumeira, indicava direção; soprar numa fenda feita com as mãos em forma de concha, o som de acordo com o timbre emitido mandava uma mensagem diferente; viajando pelos rios batendo ritmado com os remos na beirada da canoa, sinalizando que ali ia um defunto a caminho do cemitério. Era a nossa conectividade cabocla. Na construção da estrada de ferro de Bragança, por volta de 1910, os engenheiros americanos responsáveis pela obra no setor de manutenção escreviam recados curtos nas costas do tio Gregório. Ele era negrinho e os ianks faziam isso de pura sacanagem, divertiam-se, humilhando.
        Com a chegada do primeiro rádio a pilha, foi uma verdadeira revolução em termos de comunicação através dos programas radiofônicos das emissoras AM, com as mensagens para o interior. Em 1967 eu tive o meu primeiro contato com um telefone – número 1516 na casa do Dr. Caubi Cruz, meu escravizador (já está no andar de cima) - e em 1998 instalamos o primeiro aparelho em casa. Vieram a internet e o celular (não exatamente nesta ordem) junto com as redes sociais. O mundo diminuiu. Quase não escreve-se mais cartas, passa-se e-mail. A quantia de “amigos”, que não se abraçam e nem se olham nos olhos; onde o calor, nada humano, está restrito a temperatura do aparelho usado na emissão das mensagens virtuais. Abraço físico, percepção de sutilezas nas expressões faciais, no tom de voz e nos gestos? Impossível, claro. Agora as mensagens são de texto, instantâneas, o bate-papo verbal até que acontece, mas por vídeo.
        Afinal, o que é rede social?
        É um site (sítio eletrônico, em língua portuguesa) que permite aos usuários compartilhar informações entre si. No Brasil os mais populares são Orkut, twiter, myspace, Yahoo e facebook, esse ultimo com mais de 800 milhões de usuários no mundo. As redes têm seus perigos e vantagens. O perigo depende mais de como o usuário utiliza essa tecnologia, por exemplo, revelar detalhes demais do seu perfil, fotos e atualizações de status (mensagens breves enviadas a todos de sua lista de amigos) e seus comentários (suas respostas às atualizações de status de outras pessoas). Esses detalhes podem revelar onde você mora, quando está ou não em casa, onde trabalha ou estuda. Aqueles comentários cheios de pavulagem do tipo “vamos viajar amanhã”, de repente pode ser tudo que seu menino precisa para lhe dar uma gatunada. De tão democrático que é o uso das redes que alguns perdem a noção de como usá-la. Elas dizem coisas que normalmente não diriam numa conversa de verdade. Algumas não percebem que uma postagem de mau gosto pode lhe custar sua boa reputação.
         No livro A hora da Geração Digital do escritor e pesquisador Don Tapscott, o autor escreve: “Dê uma olhada em sua página do ponto de vista de outra pessoa. Pergunte-se: “É assim mesmo que quero ser vista pelos outros? Se alguém visse as fotos que postei e me descrevesse com base nelas, o que provavelmente diria? ‘Que sou linda’? ‘Provocante’? ‘Sensual’? ‘Ou alguém que está querendo se exibir’? Será que é mesmo essa impressão que eu estou querendo causar, será que isso, de fato, representa meus valores?
        Se você é jovem, pergunte-se: ‘E se meus pais, meu professor ou adultos que admiro vissem minha página? Será que eu ficaria envergonhada por causa das coisas que eles poderiam ver ou ler?”Bom, tudo é muito relativo. Certamente se você é uma jovem de bom nível intelectual, independente total, vai esnobar a teoria do cuidado com que posta, ainda vai dizer, ou postar, “tô cagando pra vocês e suas teorias, faço parte de uma estrutura social composta por pessoas que adoram a minha autoadmiração, meu narcisismo. Essa é a minha forma de pensar, interagir, trabalhar, socializar, tô nem aí. Ó, procês...” e ainda vai dobrar os dedos anelar e indicador deixando o médio todo inteiro e teso fazendo um sinal que simboliza bem a raiva contra alguém ou alguma coisa, (o popularíssimo cotôco).
No livro A Liberdade do Ver, do poeta, escritor e pensador Artur da Távola, ele escreve: “O processo de tomada de contato com a realidade vem através de mecanismos que, por mobilizarem mais os sentidos, diminuem a carga de esforço e atuação de outros elementos componentes do sistema neuropsíquico do indivíduo, principalmente a razão...”.
        Todos os nossos sonhos e atitudes são revistos o tempo todo. Eis que intelectuais urbanos ou matutos pirentos (como eu) que detestava computador e internet, mudamos, nos adaptamos. Que bom que somos assim. Acredito que da mesma forma que a TV, nos anos 50/60, mudou toda a forma de ver, pensar e conviver por causa da novidade daquela época, a internet hoje é também, um marco transformador e ajuda na fixação do homem do campo na sua cidade, sem o risco da asfixia cultural de anos atrás. Mas cuidado! Rede social popular como facebook, por exemplo, é como um tabuleiro, revirando tudo se encontra coisa boa. E é como um redemoinho que suga a pessoa para dentro dele, excelente, porém, desde que usado com cautela. O mais irônico na internet: facilita o contato quando pessoas da família estão distante fisicamente, e os mantém afastados quando estão muito próximo, que é em casa...
        Orkut já era. Agora é face. Questione-se: você não se acha uma pessoa chata quando posta com frases prontas, tristezas, desabafos, frustrações, repetidamente e ainda pede, compartilhe. Imagine a cara das outras pessoas “amigas” lá na outra telinha. Hum hum...     

1 comentários:

  1. Excelente texto Orlando.

    Queria acrescentar que o que mais temos a perder nas redes sociais é a nossa privacidade, tão subestimadas por alguns. No caso do Facebook, por exemplo, ao criar uma conta você aceita termos (que provavelmente não leu) afirmando que tudo que você postar em sua página será de propriedade do Facebook, imagens, fotos, vídeos e até aquele texto sem compromisso que você escreve depois de chegar porre da balada pode ser usado da maneira que eles quiserem. Pode ler mais sobre isso aqui: http://tecnologia.br.msn.com/internet/cuidado-com-mais-um-aviso-mentiroso-postado-no-facebook

    E eu penso que aquele velho ditado "a primeira impressão é a que fica" tá mudando, porque, hoje em dia, achar o seu perfil em uma rede social e julgar você pelo o que posta lá está cada vez mais fácil e é inclusive o que algumas empresas fazem na hora de contratar alguém.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...