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terça-feira, 6 de novembro de 2012

NA SALA EXTRA



Dos 3.185.000 candidatos submetidos à prova do Enem eu era um deles. Nem sei por que faço isso. Nos dois anos anteriores que eu me submeti a prova fui classificado em duas universidades particulares, mas em cursos que não tinham nada a ver comigo e ainda por cima em horário noturno, hum, tenho quase 64 anos e sem nenhuma disposição para estar saindo cinco da tarde e retornando meia noite. Nem pensar!
Mas tenho certa fissura em estar disputando alguma coisa, colocando algo novo no hipotálamo, tanto que esse ano que está já no limiar fiz dois cursos – eletricidade predial e manutenção de micro – eu acho mesmo que na real, no fundo, eu quero mesmo é dar-me alguma compensação pelo tempo passado que não estudei. Não me preparo estudando forte. Sei alguma coisa de língua portuguesa, gramática e literatura pelo fato de viver lendo. E só. Consigo sempre notas razoáveis em redação o resto é na base do anabububú quem sai é tu pelo rabo do tatu, quem escolheu foste tu...
Sou negro, logo, gosto de cores vivas e por isso uso boina com cores afros. Em 2009 revalidei a minha CNH usando boina na fotografia e foi permitida (ainda tenho a carteira), este ano quando fui revalidar novamente o documento fui impedido de usar na foto a minha tão querida boina. Recorri ao jurídico do Detran com uma carta feita de próprio punho anexando a foto da carta vencida, demonstrei que a Resolução nº 192/206 é anterior a data que eu renovei a habilitação, no caso em 2009, e mesmo assim a doutora Zaíra Cecília Costa Diniz, coordenadora do consultivo foi inflexível, fez valer a Resolução do Contran. O que não tem jeito está ajeitado, aceitei. É a lei, afinal. O que tem a ver isso com o Enem? Explico.
É a tal da boina. No primeiro dia da prova eu entrei na sala de boina na cabeça. Quase uma hora depois de iniciada a prova o fiscal pediu para que eu tirasse o meu adereço do bestunto. E lá se foi a boina para o saco e ficou agasalhadinha embaixo da carteira. Embaixo da minha bunda. Nada nobre para quem está acostumada na parte alta corpo.
No segundo dia, domingo, cheguei cedo e fui direto à coordenação pedir para deixarem eu  emboinado, aleguei, inclusive, como sou asmático que me protege a cabeça já quase toda despelada do frio e que nas regras a serem obedecidas relacionadas com as proibições estavam: boné, chapéu, viseira e gorro, ou seja, artigos de chapelaria. Nada! E lá se foi a boina para o saco novamente, era a condição sine qua non para que eu fizesse a prova, foi-me, todavia, dado uma alternativa: fazer a prova na SALA EXTRA. Manda quem pode... Obedeci e não me arrependi.
Na SALA EXTRA ficamos eu, uma outra candidata, o fiscal responsável e mais uns 300 lugares desocupados. Temperatura controlada, calma absoluta, ninguém deslizando de braço cruzado parecendo uns fantasmas na sala. Calma na alma.
                Agradeci a inflexibilidade das regras, da lei. Eu e minha boina dessa vez não nos sentimos menores, derrotados. Foi uma prova longa, sofrida, mas com muita CALMA NA ALMA. Graças a SALA EXTRA da Universidade da Amazônia – Unama.

1 comentários:

  1. Suas publicações me inspiram cada vez mais a prosseguir e a compreender que só a luta muda a vida.

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