Dos 3.185.000
candidatos submetidos à prova do Enem eu era um deles. Nem sei por que faço
isso. Nos dois anos anteriores que eu me submeti a prova fui classificado em
duas universidades particulares, mas em cursos que não tinham nada a ver comigo
e ainda por cima em horário noturno, hum, tenho quase 64 anos e sem nenhuma
disposição para estar saindo cinco da tarde e retornando meia noite. Nem
pensar!
Mas tenho certa
fissura em estar disputando alguma coisa, colocando algo novo no hipotálamo,
tanto que esse ano que está já no limiar fiz dois cursos – eletricidade predial
e manutenção de micro – eu acho mesmo que na real, no fundo, eu quero mesmo é
dar-me alguma compensação pelo tempo passado que não estudei. Não me preparo
estudando forte. Sei alguma coisa de língua portuguesa, gramática e literatura
pelo fato de viver lendo. E só. Consigo sempre notas razoáveis em redação o
resto é na base do anabububú quem sai é
tu pelo rabo do tatu, quem escolheu foste tu...
Sou negro,
logo, gosto de cores vivas e por isso uso boina com cores afros. Em 2009
revalidei a minha CNH usando boina na fotografia e foi permitida (ainda tenho a
carteira), este ano quando fui revalidar novamente o documento fui impedido de
usar na foto a minha tão querida boina. Recorri ao jurídico do Detran com uma
carta feita de próprio punho anexando a foto da carta vencida, demonstrei que a
Resolução nº 192/206 é anterior a data que eu renovei a habilitação, no caso em
2009, e mesmo assim a doutora Zaíra Cecília Costa Diniz, coordenadora do
consultivo foi inflexível, fez valer a Resolução do Contran. O que não tem
jeito está ajeitado, aceitei. É a lei, afinal. O que tem a ver isso com o Enem?
Explico.
É a tal da
boina. No primeiro dia da prova eu entrei na sala de boina na cabeça. Quase uma
hora depois de iniciada a prova o fiscal pediu para que eu tirasse o meu
adereço do bestunto. E lá se foi a
boina para o saco e ficou agasalhadinha embaixo da carteira. Embaixo da minha
bunda. Nada nobre para quem está acostumada na parte alta corpo.
No segundo
dia, domingo, cheguei cedo e fui direto à coordenação pedir para deixarem eu emboinado, aleguei, inclusive, como sou
asmático que me protege a cabeça já quase toda despelada do frio e que nas
regras a serem obedecidas relacionadas com as proibições estavam: boné, chapéu,
viseira e gorro, ou seja, artigos de chapelaria. Nada! E lá se foi a boina para
o saco novamente, era a condição sine qua
non para que eu fizesse a prova, foi-me, todavia, dado uma alternativa:
fazer a prova na SALA EXTRA. Manda quem pode... Obedeci e não me arrependi.
Na SALA EXTRA
ficamos eu, uma outra candidata, o fiscal responsável e mais uns 300 lugares
desocupados. Temperatura controlada, calma absoluta, ninguém deslizando de
braço cruzado parecendo uns fantasmas na sala. Calma na alma.
Agradeci
a inflexibilidade das regras, da lei. Eu e minha boina dessa vez não nos
sentimos menores, derrotados. Foi uma prova longa, sofrida, mas com muita CALMA NA ALMA. Graças a SALA EXTRA da
Universidade da Amazônia – Unama.



Suas publicações me inspiram cada vez mais a prosseguir e a compreender que só a luta muda a vida.
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