O Natal de 2016 não foi igual aquele de 2015. Está mais
faminto, mais magro, mais e alquebrado. É fácil entender. Uma das razões do
raquitismo que tomou conta das efemérides natalinas do ano que está findando, é
que 2015 foi ano pré-eleitoral. E quando essas coincidências acontecem o ano da
bonança, da fartura, da multiplicação dos pães, ocorre.
E os responsáveis pelo
Natalão da abundância do ano passado foram os quase 500.000 candidatos que
postulavam cargos de prefeito, ou vereador, nas 5.568 cidades de Pindorama. Essas criaturas em anos que
antecede eleição ficam, de repente, com os corações moles. O relato a seguir é
um caso típico. O candidato a vereança era um parente muito próximo da família.
Moço, boa aparência, fala mansa, educado. Egoísta, narcisista,
individualista, ganancioso, comodista. O jovem segue os passos do pai, é empresário.
A baixa escolaridade – nível médio incompleto - não é empecilho para um razoável
sucesso na vida empresarial. Pois. E não é que o homem foi picado pela mosca
azul transmissor do vírus da política? Filiou-se a um partido e ganhou uma vaga
como candidato a vereador. E pronto! Aquela criatura egocêntrica, partidário
apenas das gentilezas obrigatórias, e que só sabe ser servido, Passou a servir.
Transformou-se. De repente a preocupação com o social/ambiental passou fazer
parte do cotidiano do rapaz (um texto publicado neste blog em 01/nov./2016-“Gestão
ou Gestação?”, foi uma encomenda feita pelo novo político). Uma mutreta foi montada junto com uma enfermeira de um
hospital na área metropolitana para atendimento aos doentes das comunidades que
eram encaminhados pelo “nosso vereador”. Eu
também fui atendido nesse esquema. A caminhonete importada cabine dupla de luxo
entrou na dança. Agora era um carro
utilitário. Enfim, o homem passou frequentar cultos evangélicos, carregar
crianças no colo, abraçar gente suada...E veio o Natal. Nesta época ano passado
era um verdadeiro frisson. Presente, cestas, ceia...Teve tudo que um espírito
de bondade e altruísta é capaz de produzir. Agora imaginem essas ações
praticadas por, pelo menos, 50% dos candidatos que disputavam os pleitos
eleitorais deste ano...
O candidato em epígrafe não se elegeu. Resultado: Trocou de
carro. Agora o possante é um luxuoso...,
marca...E os vidros fumês fazem com que
a patuléia tão lisonjeada ano passado, seja hoje uma eterna desconhecida.
Aquele homem novo reassumiu de novo o homem velho. De sempre. Uma pena...
Ah! Se tivéssemos uma eleição por ano. Tínhamos menos fome.
Menos sofrimento. Certamente...
Feliz Natal



