Eu não lembro-me quantos anos eram.
Só sei que era festa de aniversário dum templo da Igreja do Evangelho
Quadrangular da Cidade Nova V. O evento
foi em frente ao prédio, que fazia aniversário, na avenida arterial 18. A minha
filha caçula participava do grupo de dança dos jovens que fez uma linda
apresentação naquela noite maravilhosa.
Eu e minha companheira somos católicos, agentes pastorais e missionários
consagrados da Congregação de São José, e naquelas alturas fazíamos curso de
Lideranças Cristãs pelo Ipar – Instituto da Pastoral Regional Norte II – que
obedece diretrizes da CNBB, Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil. Somos
bons católicos, razoavelmente esclarecidos. Atualmente estamos noutro curso de formação
para líderes da Pastoral do Idoso da Paróquia do Bom Pastor, em Marituba, onde
moramos. Residimos bem distante do local dos festejos, mas fomos convidados
para a festa e lá estávamos.
Senhoras protestantes muito bem vestidas,
homens elegantes com seus paletós impecáveis e muita, muita barraca com venda
de doces, bolos, comidas típicas, enfim, acepipes para todos os gostos.
Sentamo-nos na primeira fila, bem de frente para o palanque. Eu sou partidário
daquela filosofia de que “deve-se
aprender sempre, até mesmo com um inimigo”, por isso quando estou em
conferências, seminários, palestras, assistindo uma discussão – de discurso ou
de briga, quebra pau mesmo, etc., estou sempre atento. Agindo assim aprendo
sempre alguma coisa. Como sempre nestas ocasiões, a autoridade maior é a que
fala por último, e lá estava para encerrar a programação: Sua Alteza Imperial,
o Grão Duque Monsieur Martinho Carmona, que junto
ao Josué Bengtson (ambos “filhos de deus”, principalmente o segundo, de
vez em quando estão envolvidos em escândalos financeiros, mas são
políticos milionários e neles não gruda
nada), o Bengtson, inclusive, já
renunciou a um mandato de deputado federal para evitar ser cassado, já que ele
fazia parte da máfia dos sanguessugas, grupo de empresários e deputados que
roubaram o Ministério da Saúde em 2004; o filho, Marcos William, matou um sem
terra na fazenda da família em Santa Luzia do Pará. Esses são os líderes do
escalão superior da Ieq. no Estado.
O Martinho Carmona fez o fechamento da programação. E o fez
bem. Maceteado, acostumado com plateia e microfone, se empolgou e, num trecho da
falação berrou a plenos pulmões: “eu sou
líder de uma igreja que glorifica um Deus vivo e não dessa outra religião falida que está aí”. Ele referia-se ao
catolicismo. No mesmo momento, eu, até de forma grosseira, levantei-me, tomei as mãos da minha companheira, olhei-o bem nos
olhos, (estávamos a menos de três metros, frente a frente) e retiramo-nos. Foi
a minha forma silenciosa de protestar. Isso é passado. Ok.
Pecadora Sim, falida não! São
1, 2 bilhão de fiéis, 3 mil bispos, um milhão de padres e religiosas, sem
contar o contingente de Leigos com título especial que se entregam a serviço da
Igreja Católica, a segunda mais antiga instituição do mundo, com mais de dois
mil anos de história e que agora, por ocasião da apresentação do novo Papa,
cento e trinta e duas delegações de Chefes de Estados do mundo inteiro estavam
presentes no Vaticano, aliás, o País Vaticano ocupa uma área bem menor do que o
tamanho das terras onde ficam as fazendas desses “homens de deus”.
Um
comentário do Pastor da Assembleia de Deus, Samuel Câmara, em artigo publicado
no jornal “O Liberal” no dia 23/02 pp., reflete o respeito de alguém que pensa
e age como irmão, filho do Deus Verdadeiro, que nós adoramos: “não posso deixar
de admirar o gesto desprendido do Sr. Joseph Ratzinger, o papa, principalmente
porque sua renúncia visa o bem da Igreja. Isso mostra o coração de um grande
líder que não olha somente o imediatismo do seu mandato, mas para benefício das
gerações futuras...” É verdade que o Pastor Samuel está travando uma briga de
foice no escuro com o outro Pastor, José Welington, pela presidência da CGAB -
Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (a eleição aconteceu na
semana passada e o Pastor Samuel foi derrotado, de novo).
Há
muito se escuta a falácia de que o catolicismo precisa se renovar, buscar novos
rumos, que precisa se atualizar com os novos tempos. Será que precisa mesmo?
Acho que não! É a opinião desse escriba
que escreve aqui, dum pé duro, meio lambão. Digo não às mudanças “modernosas” (como
casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo). Mudança trás ruptura. Não
foi á toa que o emérito Bento XVI revogou a excomunhão dos quatro bispos que
tinham sido ordenados por D. Marcel Lefebvre – falecido em 1991 – que havia
rompido com a igreja romana em 1988. Já
temos a Renovação Carismática Católica no Brasil, logo, não há necessidade de
protestanização/próspero/teológica no catolicismo.
Vestir
um paletó de grife, berrar, gritar, satanizar quem pensa e age diferente;
lotear vagas no céu, construir prédios suntuosos que funcionam como shoppings
centers da fé; autointitular-se com atributos divinos, viajar em avião particular, morar em
suntuosas mansões. Ah! Esses prazeres, como bens supremos da vida, só os
“enviados de deus” os têm. Claro.
O
catolicismo como principal religião e, ainda a maior do Brasil, continua como
sempre foi: cheia de falhas, mas segue forte e mais qualificada, até. Papa, Cardeais,
Patriarcas, Bispos, Padres e até Diáconos sabem: O
Rebanho é numeroso. Mas é uma construção perfeita, tem bom comprimento, largura
ideal, altura no ponto certo, peso correto, muita resistência e durabilidade.
Du-ra-bi-li-da-de.
Assim é a minha Igreja. Mas Ela não nasceu da disputa de nenhum membro revoltado, briguento,
ganancioso. Foi criação Divina. Está lá em Mateus 16-18: “Pois eu te digo que
tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...” Obrigado Senhor
pelo privilégio de ser Católico. Amém!



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