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| Justo Veríssimo. Personagem criado pela genialidade do comediante Chico Anísio é uma caricatura do Brasil que os brasileiros vão eleger amanhã, 03/10/2016. |
Em 2014 quando o Paysandu perdeu a decisão da Copa Verde para o Brasília Futebol Club (7 a 6 no pênaltis), em Brasília, a d. Odete, que foi daqui de Belém junto com uma sobrinha só pra assistir ao jogo saia triste do estádio ambas devidamente paramentadas com a camisa do Papão, quando um torcedor do Brasília foi tirar um sarro com as duas. A sobrinha mais esquentada, berrou:
-Também! O Paysandu foi roubado escandalosamente!
-Também! O Paysandu foi roubado escandalosamente!
-Vocês são paraenses? A resposta
de ambas foi “sim”. Aí o torcedor chato do Brasília deu uma gargalhada e
respondeu a plenos pulmões: “ah! Então vocês estão acostumados com roubalheira.
O maior ladrão do Brasil é o Barbalho, e é lá do Pará...Quá quá quááá!!”. O mala foi embora dando boas gargalhas. A
reação das duas foi de olharem-se. Uma delas, a tia, ainda resmungou: “bonito
pra nossa cara...”.
“Ele não mente nunca, só inventa histórias o tempo todo”. Assim
respondeu um colega do Tim Maia quando o repórter perguntou se cantor gordo com
voz de timbre metálico, mentia. O próprio Tim, que não tinha o menor pudor em
chegar atrasado, faltar aos shows, desfazer compromissos em cima da hora, ao
ser perguntado se era usuário de drogas, respondeu assim: “eu não fumo, não bebo e nem cheiro’. E piscando um olho, completou com um sorriso safadinho: é,
mas às vezes eu minto um pouco...”. É o tal réu confesso. Antônio Ermírio
de Moraes, um dos homens mais ricos do Brasil que já partiu para o além, em
1986 depois de perder uma eleição ao governo de São Paulo para Orestes Quércia,
que já finou-se também definiu política assim: “Política é a arte de pedir votos aos pobres, dinheiro aos ricos e
depois mentir a ambos”.
Pois é. Um dia desses eu fui a
uma reunião de um grupo de políticos que garimpavam votos na comunidade onde
moro. Eram três. O postulante a cargo de prefeito é filho de um ex-prefeito
inelegível (Não sei por quê. Juro que não sei...). O candidato a vice tem know
how, já foi vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito e prefeito tampão. Naquela
enxurrada de prefeitos maritubanos, quando
um monte deles ocupou o cargo em curtos períodos de tempo na Prefeitura.
Todo mundo mente. Isso é fato. Em
tempos de eleição, então, os loroteiros/embromadores proliferam como erva daninha.
Na reunião somente três falaram (graças a Deus!). Os candidatos a prefeito,
vice, e o articulador do encontro, aspirante a vereança. E haja papo de
embustice. Como o grupo é de oposição ao atual gestor aí o embuste se transforma
em calunia, e difamação do tipo “deixei
mais de 42 milhões de reais nos cofres da prefeitura! Eu não sei o prefeito fez
com esse dinheiro...”. Vê-se claramente que essa é uma mentira defensiva.
Amanhã é a eleição, mas as
mentiras não acabam. Alguém falou agora esses dias que o candidato vencedor
começa o mandato com promessas e termina com desculpas, e segundo alguns
entendidos na matéria a mentira começou lá atrás no Jardim do Éden onde a
serpente engrupio a Eva, que engrupio o Adão, que engrupio Deus. Aí essa coisa
de engrupir não acabou mais e nem vai acabar nunca!
O ano era 1986. Um dia eu cheguei
em casa já no sábado umas quatro horas da manhã. Eu não bebo, não fumo e nem
tenho hábito de passar a noites fora de casa e meu expediente na empresa onde eu
trabalhava ia só até às 18h de sexta. Tirei os sapatos, entrei bem macio e fui
logo subindo a escada para o andar de cima onde ficava o quarto de casal. Eram
dez degraus. Quando eu estava no 5º escutei um roronar de garganta humana. Tomei um susto aí que me lembrei de dar
aquele olhar redondo pela sala. A minha mulher estava toda enrolada no sofá.
Quando eu me virei que olhei ela me disse: “bom dia doutor...”. Respondí: “oi amor, bom dia. Eu tô vindo do velório dum
amigo meu que morreu ontem de tardinha. Não tive tempo de telefonar pra você.
Ela: “e precisava vestir a cueca por cima da calça, Orlando...”
A mentira deixa rastros. Às vezes
impagáveis...Cuidado!





