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sábado, 3 de dezembro de 2016

PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO

JESUS...foi o último nome que o Miguel Quiroga, piloto do avião que caiu essa semana na Colômbia pronunciou antes que do avião que ele era capitão, dono, comandante, piloto, caísse matando um monte de gente.

No início da década de setenta o time que eu jogava foi pra Moema, um vilarejo que ficava antes de Santa Izabel do Pará. Depois do futebol ficamos para uma festa. Festa do interior. O sonoro que tocava lá era o Santo Rosa, o melhor picarpe que existia por aquelas bandas. Onde ele tocava era sempre casa cheia. Eu não dançava. Ou estava no ônibus dormindo ou ficava vendo o movimento. Serenando. Lá pelas tantas da noite o vendedor de churrasquinho passou a ser importunado por um porre perto onde eu estava. O pinguço perturbador xingou, ofendeu, chamou o outro para briga. E o homem sempre calmo. Na dele. Até que o encrenqueiro partiu com sangue nos olhos para dar uma tapa no vendedor de churrasco, que segurou o espeto de assar e apoiou o cabo com as mãos na altura do abdome. A ponta virada para a frente, e ficou parado. Firme. Na corrida cega que o porre vinha não percebeu que tinha um espetão nada amigo apontado na direção da barriga dele. Os dois caíram juntos. O porre por cima. Mas com mais de dez centímetros de espeto de churrasco aparecendo na costa...enquanto o churrasqueiro se livrava do peso para escapulir dali. Antes do grunhido final o valentão ainda gritou: “AI JESUS...” E finou-se de vez. (Segundo o Dr. Edmundo Oliveira, dentro do Direito penal, esse é um caso típico de Criminologia, isto é, quando o a vítima provoca a própria morte).
Em 1967, quando das minhas andanças pelo mundo, eu estava em Paragominas. Eu juro pela fé da mucura que eu não sei o porquê que na época a cidade era mais conhecida por paragobalas. Pois é. Eu me encontrava na periferia. Tinha acabado de tomar um Guarasuco com pão doce na taberna do Seu Pedro, quando um bêbado, que já estava lá antes de eu chegar, brigava por causa de uma dose de cachaça que tinha sido servida num copinho que o vidro do fundo vinha até quase no meio do pequeno copo. Um pouquinho de pinga e a vasilha já estava transbordando. O quiproquó estava armado. O pingueiro destratou todas as gerações do Seu Pedro com os adjetivos mais chulos que ele conhecia. Por fim, resolveu saltar o balcão. Queria matar o Seu Pedro, que rapidamente pegou a faca, lambedeira de 12 polegadas, que estava em cima do fardo de jabá, e por cima do balcão enfiou a enorme faca até o cabo na barriga do homem porre que brigava por causa da cachaça. Com a lâmina toda enterrada no ventre ele jogou os braços para cima, girou o corpo 180 graus como se estivesse coreografando um passo de dança. Isso em fração de segundos. E caiu de bruços. Antes ouvimos o seu último grito: “AI MEU DEUS...”
Em 1974, eu trabalhava na construção da barragem do Paredão, a usina hidrelétrica do Amapá. Era mês de março. Muita chuva. E acidentes. Presenciei muitos. Como esse. Leiam: Uma caçamba carregada deslizou o barranco e descia desgovernada, quando o Medalha (apelido do motora) sentindo que a capotagem era iminente saltou barranco abaixo descendo de costa como se estivesse em um Tobogã. Caiu em pé e não se machucou na queda. Só que a caçamba desceu no mesmo curso e o Medalha estava atolado e encostado na parede formada pelo aterro. O canto da carroceria da basculante caiu bem no ilíaco, o osso do quadril, que foi seccionado. Arrancamos o Medalha da lama, colocamos na carroceria duma caminhonete C10 e saímos desesperados para Macapá (150 km de distância). O mais incrível é que o Medalha não perdeu os sentidos. E o mais incrível ainda: no início do trajeto o membro inteiro inferior lado direito, separado do corpo, se debatia sozinho. Éramos três. Um no volante e dois na carroceria da caminhonete. Todos sujos de lama. Últimas palavras do nosso colega, o Medalha: “Porra, caralho! Pra onde vocês vão me levar...Eu sei que vou morrer. Ô JESUS....
 Foi a última palavra, junto com o último suspiro. O Medalha morreu com a cabeça pousada na coxa de um dos colegas que eu não lembro mais o nome. Nós seguimos, sujos de lama, melados de sangue e com cicatrizes na alma...
Eu me pergunto. O que será eu vou dizer na hora da minha partida. Terei tempo... Uma coisa é certeza: “PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO”.

Isso eu não direi. ELE  pode me acusar de plágio...

sábado, 1 de outubro de 2016

Blog do Jambu: EU VOU ENGANAR O DIABO! ACREDITE...

Blog do Jambu: EU VOU ENGANAR O DIABO! ACREDITE...: Justo Veríssimo. Personagem criado pela genialidade do comediante Chico Anísio é uma caricatura do Brasil que os brasileiros vão eleger am...

EU VOU ENGANAR O DIABO! ACREDITE...

Justo Veríssimo. Personagem criado pela genialidade do comediante Chico Anísio é uma caricatura do Brasil que os brasileiros vão eleger amanhã, 03/10/2016.

Em 2014 quando o Paysandu perdeu a decisão da Copa Verde para o Brasília Futebol Club  (7 a 6 no pênaltis), em Brasília, a d. Odete, que foi daqui de Belém junto com uma sobrinha só pra assistir ao jogo saia triste do estádio ambas devidamente paramentadas com a camisa do Papão, quando um torcedor do Brasília foi tirar um sarro com as duas. A sobrinha mais esquentada, berrou:
-Também! O Paysandu foi roubado escandalosamente!
-Vocês são paraenses? A resposta de ambas foi “sim”. Aí o torcedor chato do Brasília deu uma gargalhada e respondeu a plenos pulmões: “ah! Então vocês estão acostumados com roubalheira. O maior ladrão do Brasil é o Barbalho, e é lá do Pará...Quá quá quááá!!”. O mala foi embora dando boas gargalhas. A reação das duas foi de olharem-se. Uma delas, a tia, ainda resmungou: “bonito pra nossa cara...”.
“Ele não mente nunca, só inventa histórias o tempo todo”. Assim respondeu um colega do Tim Maia quando o repórter perguntou se cantor gordo com voz de timbre metálico, mentia. O próprio Tim, que não tinha o menor pudor em chegar atrasado, faltar aos shows, desfazer compromissos em cima da hora, ao ser perguntado se era usuário de drogas, respondeu assim: “eu não fumo, não bebo e nem cheiro’. E piscando um olho, completou com um sorriso safadinho: é, mas às vezes eu minto um pouco...”. É o tal réu confesso. Antônio Ermírio de Moraes, um dos homens mais ricos do Brasil que já partiu para o além, em 1986 depois de perder uma eleição ao governo de São Paulo para Orestes Quércia, que já finou-se também definiu política assim: “Política é a arte de pedir votos aos pobres, dinheiro aos ricos e depois mentir a ambos”.
Pois é. Um dia desses eu fui a uma reunião de um grupo de políticos que garimpavam votos na comunidade onde moro. Eram três. O postulante a cargo de prefeito é filho de um ex-prefeito inelegível (Não sei por quê. Juro que não sei...). O candidato a vice tem know how, já foi vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito e prefeito tampão. Naquela enxurrada de prefeitos maritubanos, quando um monte deles ocupou o cargo em curtos períodos de tempo na Prefeitura.
Todo mundo mente. Isso é fato. Em tempos de eleição, então, os loroteiros/embromadores proliferam como erva daninha. Na reunião somente três falaram (graças a Deus!). Os candidatos a prefeito, vice, e o articulador do encontro, aspirante a vereança. E haja papo de embustice. Como o grupo é de oposição ao atual gestor aí o embuste se transforma em calunia, e difamação do tipo “deixei mais de 42 milhões de reais nos cofres da prefeitura! Eu não sei o prefeito fez com esse dinheiro...”. Vê-se claramente que essa é uma mentira defensiva.
Amanhã é a eleição, mas as mentiras não acabam. Alguém falou agora esses dias que o candidato vencedor começa o mandato com promessas e termina com desculpas, e segundo alguns entendidos na matéria a mentira começou lá atrás no Jardim do Éden onde a serpente engrupio a Eva, que engrupio o Adão, que engrupio Deus. Aí essa coisa de engrupir não acabou mais e nem vai acabar nunca!
O ano era 1986. Um dia eu cheguei em casa já no sábado umas quatro horas da manhã. Eu não bebo, não fumo e nem tenho hábito de passar a noites fora de casa e meu expediente na empresa onde eu trabalhava ia só até às 18h de sexta. Tirei os sapatos, entrei bem macio e fui logo subindo a escada para o andar de cima onde ficava o quarto de casal. Eram dez degraus. Quando eu estava no 5º escutei um roronar de garganta humana. Tomei um susto aí que me lembrei de dar aquele olhar redondo pela sala. A minha mulher estava toda enrolada no sofá. Quando eu me virei que olhei ela me disse: “bom dia doutor...”. Respondí: “oi amor, bom dia. Eu tô vindo do velório dum amigo meu que morreu ontem de tardinha. Não tive tempo de telefonar pra você. Ela: “e precisava vestir a cueca por cima da calça, Orlando...”
A mentira deixa rastros. Às vezes impagáveis...Cuidado!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O LEGADO DO KIP KEINO, E O POBRE "REI" PELÉ

“
Kipchoge (Kip) Keino, na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos no Rio, recebe o prêmio Laurel Olímpico.  Foi ovacionado. Merece...
"Pescador, pescador, porque é que no mar não tem jacaré; pescador, pescador porque foi que no mar não tem peixe boi; eu quero saber a razão que no mar não tem tubarão. Ah! Como é bom pescar na beira mar noite de luar...”
Esta é uma composição do marapaniense Lucindo. O mestre Lucindo. Compositor popular de carimbó, que morreu em  1988. Ambientalistas afirmam que era preocupação do mestre com o meio ambiente. Não era, não! O mestre queria apenas, e tão somente, fazer a rima do balançativo e malemolente  ritmo do carimbó. Como todo habitante nativo das beiradas de rio, o mestre matava mutum, sururina, tucano, preguiça, peixe boi, tubarão (esse pra vender as barbatanas), jacaré (pra comer e vender a carne e o couro, que também era aproveitado pra fazer o tambor do carimbó). Os outros animais que ele matava era tudo “pra bóia”. Pra comer, mesmo.
Por que eu comecei estes escrivinhados falando um pouco do grande mestre Lucindo? Explico: quero demonstrar com exemplos que os formadores de opinião, erram. E erram muito...
Exemplos: Quem não gosta do Pelé, o Senhor Edson Arantes do Nascimento?  Em 1969, quando fez o gol mil da carreira, ele se abraçou com a bola e, solenemente, dedicou aquele gol “às crianças pobres do Brasil”...
Pois  é. O Pelé apareceu todo inchado com cara de choro e aquele jeito de “ por favor tenham pena de mim...”, pra justificar os motivos pelos quais ele não podia acender a pira olímpica. O grande Pelé, mentiu. Disse que a marca “pelé” é administrada por uma empresa norte americana e a decisão tinha que partir da tal “empresa”. Na verdade, o milionário ex-jogador está doente. Foi operado dos quadris recentemente e não ia conseguir subir aquele monte de degraus pra chegar onde estava a vasilha com o material inflamante do fogareiro olímpico.
De novo, pois é. O Pelé é o negro brasileiro mais conhecido no mundo e paradoxalmente não é referência de negros brasileiros. Aliás, que mais Sua majestade fez pelas crianças pobres o Brasil, além de “doar” o gol mil que ele fez em 1969? ´´É. Num sei..., mas, comparemos:
O Comitê Olímpico Internacional instituiu, a partir dessa Olimpíada agora de 2016, o Laurel Olímpico. É um prêmio para homenagear pessoas que promovem o desenvolvimento social e humano através do esporte. “O candidato mais merecedor é aquele que, através de suas realizações e projetos, ajuda a construir um mundo melhor e avançar a causa dos indivíduos” (Paulo coelho). Quem ganhou o prêmio foi o queniano Kip Keino. Ele foi ouro no atletismo nas Olimpíadas do México em 1968 e Munique em 1972. Conhecido como “pai fundador do atletismo queniano”, o ex-atleta, que se aposentou em 1973, abriu um lar que atende mais de100 crianças órfãs, fundou uma escola em região isolada do Quênia que atende 300 crianças, na faixa etária entre 6 e13 anos, com estudos regulares e atividades esportivas, mantém ainda um centro de treinamento de atletas de alto desempenho. Só. Só isso...
Agora o super, o ultra, o mega, o “rei“ Pelé. Depois que pendurou as chuteiras,  Pelé se tornou embaixador para Ecologia e Meio ambiente (ONU 1992), embaixador da Boa Vontade (UNESCO 1993), embaixador para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco 1994) e durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi Ministro dos Esportes do Brasil de 1995 a 1998.
Pelé recebeu, em 1997, o título de Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico, das mãos da Rainha Elizabeth 2ª. O título de Maior Futebolista do Século veio em 1999, pela Unicef, na Áustria, e seguiram-se muitos outros. Especialista em lucrar com a venda da própria imagem, o Negão tá cagando pras crianças pobres e negras desse Brasilsão gigante pela própria natureza. Detalhe: os dois negros, Kip e Pelé nasceram no mesmo ano, 1940. O recebedor do LAURÉl se aposentou em 1973, e o Pelé, filho do seu Dondinho, em 1977. Já milionário.

Como devoto da igreja assembleia de deus pavio que fumega, eu juro que gosto do Pelé. Eu juro...

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EU NÃO GOSTO DE TOCHA! EU GOSTO DE ATOCHAR...


A imagem da tocha que seria pendurada no pescoço dos políticos desonestos na Olimpíada da Honestidade (caso ela existisse) teria o modelo da foto. Só que, fedendo à bosta!
“Eu não gosto de tocha! Eu gosto de atochar”- Essa a resposta que o cantor/sambista Zeca 
Pagodinho deu ao repórter que perguntou o porquê de ele não ter sido escolhido para carregar a tão festejada tocha dos jogos olímpicos de Londres em 2012, quando ela passou pelo Brasil. Na verdade, o sambador devia estar mordido porque além do João Nogueira, a dupla sertaneja nascida no Goiás, Zé de Camargo e Luciano, e outras personalidades menos expressivas carregaram, e ele não.
Atochar. Significa entrar com força, enfiar na marra. E a tocha, finalmente, chegou ao seu destino final, Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. Antes, porém, Sua Majestade, a Senhora Tocha, passeou por 26 Estados e o Distrito Federal, Brasília. Terra de gente honesta.
Atochar. Taí, se os linguistas estão certos na definição, a tocha foi enfiada na marra nas fuças dos brasilinos da silva, que correram felizes na frente, atrás, no lado, do canudo com chama, sem saber, de fato,  o motivo e nem o significado de tão inusitado acontecimento. Um fogo que não apaga nunca, e se apagar tem mais quatro lamparinas sobressalente que funcionam como uma espécie de backup da chama. E mais, ela tem pontualidade, guardiães, e seguranças, concentrada nos três eixos: defesa, inteligência e segurança pública. Tudo feito pelas polícias civil, federal e militar. Em alguns Estados até o exército e a força Nacional de segurança estão envolvidos na guarda da poronga vip. É mole?... O que falta a plebe sobra a lamparinona, que é proteção. Trezentas cidades, 36.000 km, foi o total do roteiro que a danada percorreu na mais perfeita tranquilidade. Ô inveja, Senhor...Moro (verbo morar) a 200m da feira livre, nesse trecho já fui assaltado duas vezes...
Bem que Zeus, o deus do olimpo, que tinha poder de fazer relâmpagos, trovões; que mandava chover e que tem uma simbiose histórica com a tochona, e que tem no fogo esse elemento divino, devia criar uma nova modalidade de disputa, a olimpíada da honestidade.  Os Países governados por canalhas, patifes, ladravazes e embusteiros receberiam medalhas de excrementos. E que eles, governantes de todos os níveis, presidentes, governadores, prefeitos e seus descendentes até a terceira geração fossem obrigados a usar as insígnias, que deveriam exalar mal cheiro. Fedor de bosta mesmo! Aí justificava-se o ôba ôba, a correria, os sorrisos, as palmas e os sélfies, que lamparina olímpica provocou. Seria garantia absoluta que deputados, senadores, governadores, e prefeitos dos 5.570 municípios brasileiros, toda essa cambada, ia pousar com uma medalha de cocô pendurada no pescoço. Uma premiação diferente. Que daria uma trégua olímpica em roubos e assaltos  à cofres  públicos.
Hefesto, o deus da literatura grega, berço do fogo olímpico, devia operar um milagre inimaginável, desvairado: tacar fogo nessa putrefação congênita nacional chamada corrupção...
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