O Zangão e a Abelha Rainha há
dias, meses, não saiam do casulo, a não ser aquelas saídas triviais obrigatórias.
Psicólogos e terapeutas em orientação de casal e familiar recomendam que, para
desligar o hemisfério direito do cérebro, que é a parte responsável pela sensação de preocupação e medo, é necessário
além de ocupar a mente com leitura, por exemplo, praticar atividades físicas.
O exercício físico melhora a oxigenação
cerebral, que é uma forma de liberação das energias negativas, tensões e
preocupações. Bom, existem outras recomendações como evitar álcool, chocolates,
refrigerantes, café, etc... Seguir essas recomendações significa ganhos na
qualidade de vida porque diminui a irritabilidade, aumenta o gasto energético e
corporal, a capacidade de concentração e resolução de problemas. Principalmente
para quem já passou a bastante tempo dos 40, que é o caso do Zangão com a
Abelha Rainha.
Os dois têm uma rotina de
exercício físico. Praticam corrida de rua três vezes por semana, e o Zangão ainda
faz natação. Para sair da rotina o casal foi a um baile de debutantes das jovens da terceira idade do projeto Vida Ativa, no salão nobre da sede
social da Assembléia Paraense, isso no dia 31 de maio. Domingo, 3 de junho,
resolveram apelar: decidiram ir a um baile
de saudade. Os dois são dançarinos amadores de um ritmo só: brega saudade. Pela localização
escolheram o Cangalha, um dançará que fica às margens da BR
próximo ao ponto de ônibus.
Tinha chovido muito a tarde.
Ingressos nas mãos, apalpadelas dos seguranças e a chegada no “salão de dança”.O trecho que separa o portão de
entrada até o espaço de dançante é feito por pontes e completamente cheio de
água por baixo, a noite com o reflexo da luz artificial fica com uma visão
bucólica, parece um clube de pesque & pague. Guarda chuva guardado com a
vendedora de balas, os dois começaram o enfrentamento, ou seja, o sofrimento.
Enfrentaram o rusch e chegaram ao
espaço de dança. Em 10 minutos já tinha arrebentado as duas alças do sapato da
Abelha Rainha. Mas a festa não pode parar.
Cotoveladas, rasteiras,
empurrões, safanões e suor. Muito suor. Seis pessoas por metro quadrado é o parâmetro
usado para conferência de aglomerados humanos, isso se estiverem juntinhos,
espremidos. Agora imagine essa mesma quantia, ou a metade disso, “guerreando” em ritmo de dança (?), e
ainda mais com uns “dançarinos” que
para mostrar categoria de verdadeiros pés
de ouro arregaçam os braços e ficam parece alça de chaleira, aí já viu, o
cotovelo do “Carlinho de Jesus ao tucupi” se transforma numa arma. É um
perigo. Mas tudo bem resolvido. Tudo na paz. O bom no ser humano é que nosso
corpo e cérebro reagem a partir do momento que precisamos sobreviver. E para
sobreviver precisa se adaptar. Um filósofo alemão, não lembro o nome, dizia que
“a natureza da maleabilidade humana é
inimaginável, o homem é capaz de adaptar-se até ao inferno”. E é. Nessa
espécie de sub-mundo da diversão, o Zangão e a Abelha Rainha ficaram lá durante
120 minutos dançando. Perfeitamente adaptados...
Existe uma Lei Federal nº
9.605/1998 que preconiza: durante o dia é permitido altura máxima de som em 55
decibéis, a noite 50. A fonte sonora lá no baile do Cangalha era o Rubi Saudade. Painéis com luzes de led, verborragia
do DJ (assim que eles gostam de ser chamados) e som altíssimo de péssima
qualidade. A gritaria do matraca berrador, misturado ao som mal
equalizado, na altura máxima, acaba
transformando boas músicas num quiprocó
melódico. E a Secretaria de Meio Ambiente,
porque é tão permissiva com essas empresas donas dessas aparelhagens sonoras
que escancaram, botam no doze, (no linguajar
da moçada) o volume nos espaços de diversão popular, prejudicando a saúde
auditiva dos usuários, dos vizinhos desses locais e até dos trabalhadores das
tais aparelhagens, que com certeza sofrerão, se já não sofrem, as conseqüências
dessa irracionalidade.
Pior, fazem propaganda enganosa.
Anunciam Baile de Saudade e empurram
tecnobrega pancadão no freqüentador “de
maior”, que quando se empanturra, é cerveja mesmo, não usa outros
estimulantes próprios dos festões tecnos
que são freqüentados pela juventude que curte um som, digamos, mais
avassalador. É, além de terrivelmente barulhentos, enganam também.
Baile, festa, arrasta pé, rala
bucho, seja lá que nome for, com esse tipo de som, a Abelha Rainha e o Zangão,
fecharam: Nunca! Nunca mais mesmo... E já conheço muitos madurões que estão
deixando de freqüentar os bailes com esses aparelhões.
E pensar que um ilustre vereador de Belém queria
transformar isso tudo em patrimônio cultural do Estado. Pode? Eu hem...
NB. O Zangão e a Abelha Rainha citados acima são, respectivamente:
Eu, Orlando/Jambu e Nazaré, minha querida companheira nos bailes da vida.


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