Subscribe:

Ads 468x60px

segunda-feira, 4 de junho de 2012

BAILANDO NO INFERNO


O Zangão e a Abelha Rainha há dias, meses, não saiam do casulo, a não ser aquelas saídas triviais obrigatórias. Psicólogos e terapeutas em orientação de casal e familiar recomendam que, para desligar o hemisfério direito do cérebro, que é a parte responsável pela sensação de preocupação e medo, é necessário além de ocupar a mente com leitura, por exemplo, praticar atividades físicas.
O exercício físico melhora a oxigenação cerebral, que é uma forma de liberação das energias negativas, tensões e preocupações. Bom, existem outras recomendações como evitar álcool, chocolates, refrigerantes, café, etc... Seguir essas recomendações significa ganhos na qualidade de vida porque diminui a irritabilidade, aumenta o gasto energético e corporal, a capacidade de concentração e resolução de problemas. Principalmente para quem já passou a bastante tempo dos 40, que é o caso do Zangão com a Abelha Rainha.
Os dois têm uma rotina de exercício físico. Praticam corrida de rua três vezes por semana, e o Zangão ainda faz natação. Para sair da rotina o casal foi a um baile de debutantes das jovens da terceira idade do projeto Vida Ativa, no salão nobre da sede social da Assembléia Paraense, isso no dia 31 de maio. Domingo, 3 de junho, resolveram apelar: decidiram ir a um baile de saudade. Os dois são dançarinos amadores de um ritmo só: brega saudade. Pela localização escolheram o Cangalha, um dançará que fica às margens da BR próximo ao ponto de ônibus.
Tinha chovido muito a tarde. Ingressos nas mãos, apalpadelas dos seguranças e a chegada no “salão de dança”.O trecho que separa o portão de entrada até o espaço de dançante é feito por pontes e completamente cheio de água por baixo, a noite com o reflexo da luz artificial fica com uma visão bucólica, parece um clube de pesque & pague. Guarda chuva guardado com a vendedora de balas, os dois começaram o enfrentamento, ou seja, o sofrimento. Enfrentaram o rusch e chegaram ao espaço de dança. Em 10 minutos já tinha arrebentado as duas alças do sapato da Abelha Rainha. Mas a festa não pode parar.
Cotoveladas, rasteiras, empurrões, safanões e suor. Muito suor. Seis pessoas por metro quadrado é o parâmetro usado para conferência de aglomerados humanos, isso se estiverem juntinhos, espremidos. Agora imagine essa mesma quantia, ou a metade disso, “guerreando” em ritmo de dança (?), e ainda mais com uns “dançarinos” que para mostrar categoria de verdadeiros pés de ouro arregaçam os braços e ficam parece alça de chaleira, aí já viu, o cotovelo do “Carlinho de Jesus ao tucupi” se transforma numa arma. É um perigo. Mas tudo bem resolvido. Tudo na paz. O bom no ser humano é que nosso corpo e cérebro reagem a partir do momento que precisamos sobreviver. E para sobreviver precisa se adaptar. Um filósofo alemão, não lembro o nome, dizia que “a natureza da maleabilidade humana é inimaginável, o homem é capaz de adaptar-se até ao inferno”. E é. Nessa espécie de sub-mundo da diversão, o Zangão e a Abelha Rainha ficaram lá durante 120 minutos dançando. Perfeitamente adaptados...
Existe uma Lei Federal nº 9.605/1998 que preconiza: durante o dia é permitido altura máxima de som em 55 decibéis, a noite 50. A fonte sonora lá no baile do Cangalha era o Rubi Saudade. Painéis com luzes de led, verborragia do DJ (assim que eles gostam de ser chamados) e som altíssimo de péssima qualidade. A gritaria do matraca berrador, misturado ao som mal equalizado,  na altura máxima, acaba transformando boas músicas num quiprocó melódico.  E a Secretaria de Meio Ambiente, porque é tão permissiva com essas empresas donas dessas aparelhagens sonoras que escancaram, botam no doze, (no linguajar da moçada) o volume nos espaços de diversão popular, prejudicando a saúde auditiva dos usuários, dos vizinhos desses locais e até dos trabalhadores das tais aparelhagens, que com certeza sofrerão, se já não sofrem, as conseqüências dessa irracionalidade.
Pior, fazem propaganda enganosa. Anunciam Baile de Saudade e empurram tecnobrega pancadão no freqüentador “de maior”, que quando se empanturra, é cerveja mesmo, não usa outros estimulantes próprios dos festões tecnos que são freqüentados pela juventude que curte um som, digamos, mais avassalador. É, além de terrivelmente barulhentos, enganam também.
Baile, festa, arrasta pé, rala bucho, seja lá que nome for, com esse tipo de som, a Abelha Rainha e o Zangão, fecharam: Nunca! Nunca mais mesmo... E já conheço muitos madurões que estão deixando de freqüentar os bailes com esses aparelhões.
E pensar que um ilustre vereador de Belém queria transformar isso tudo em patrimônio cultural do Estado. Pode? Eu hem...
 NB. O Zangão e a Abelha Rainha citados acima são, respectivamente: 
Eu, Orlando/Jambu e Nazaré, minha querida companheira nos bailes da vida.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...