Faz aproximadamente um mês que
um padre, numa cidade no Sul do Pará, foi flagrado junto com um adolescente
dentro de uma Kombi, ambos pelados. Outro:
Quarta, dia 13, às 23 horas, um padre foi preso dentro de um carro numa vicinal
em Castanhal com um garoto de 12 anos. O padre, coitadinho, disse que foi
“aliciado” pelo garoto. Os sacerdotes estão presos. Se esses padres pilantras
fossem castrados o castigo ainda seria pouco, mesmo que fosse castração química.
O que vai acontecer, se forem julgados e
condenados, a pena máxima para esses crimes são 15 anos de prisão, que numa
equação simples vem o presente: pegarão no máximo três anos de cadeia – réu
primário, bom comportamento... É a lei. Esse é o Brasil. Perdoados pelos chefes
serão transferidos para outra arquidiocese bem distante, e lá serão de novo,
párocos. É assim com a igreja católica, outras organizações religiosas, até
policiais que cometem delitos graves dentro da corporação. Os desapadrinhados,
claro.
O Ivan Lessa dizia que “de 15 em
15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos 15 anos anteriores”. Eu acho que
é por isso que nós temos um exagerado número de Leis. Umas que pegam fazem
lembrar outras que não pegam.
No dia 15 de junho, foi o Dia Mundial Contra Maus Tratos a Idosos.
O Conselho Estadual da Pessoa Idosa aproveitou a data e promoveu uma audiência
pública na Assembleia Legislativa, no auditório João Batista. O Presidente do
Cedpi/PA, José Eduardo Pontes, coordenou os trabalhos. Na composição de Mesa representando
o Ministério Público Estadual/Promotoria do Idoso e Deficiente Público, o Doutor
Waldir Macieira; Soranda Nascimento, titular da DEAI (Delegacia Especializada
no Atendimento ao Idoso); Francimar
Lopes de Oliveira, Coordenador Municipal
da Saúde do Idoso; Guilherme, Coordenador Estadual da Saúde do Idoso; Walquiria
Cristina Batista Lopes e Emídio Ribeiro, Conselheiros. A Secretária Adjunta da Secretaria
de Estado de Assistência Social/Seas, Meive Ausonia Piacesi (Que nome!), chegou
atrasada, falou, pediu desculpas, e saiu... Adiantada.
O papo nessas reuniões é o de
sempre. São os representantes do governo
de plantão, cada qual com suas planilhas, explicando, justificando,
acrescentando um pouco mais naquilo que está sendo feito e nunca pedindo desculpas
pelo que não estão fazendo. Faz parte da liturgia do cargo e produz aplausos.
| Audiência Pública na Assembléia Legislativa no dia 15/06/2012 |
Só o conselheiro Emídio Ribeiro
usou a palavra num tom mais crítico. Reportou-se ao não cumprimento da
legislação em vigor. E eu concordo. No papel está sempre tudo perfeito. Nos
discursos idem. Na prática, nem sempre. E dissemos acima, lei é que não falta.
Exemplo:
Em 1994 quando foi sancionada a Lei 8.842, o maior
instrumento legal de proteção aos velhos brasileiros, foi festejado, e merecia.
Só que o filhote nascido dez anos depois, o Estatuto, Lei 10.741, parece que
foi gerado de um útero podre. É um acinte, verdadeiro esbulho a forma desrespeitosa
como essas leis são ignoradas. Melhor para alguns segmentos.
Os amigos do Rei se locupletam em funções renumeradas com criação de conselhos de fiscalizadores. É como a madame que contrata uma empregada extra
para monitorar o marido que está de olho na babá gostosona. Enquanto
Conselheiros oficiais renumerados fazem discursos, os velhos vivem uma espécie
de purgatório público em filas de banco, hospitais, ponto de ônibus, etc.
Coloquei há dias atrás um texto neste blog com o
título “ÓDIO, NOJO, REPUGNAÇÃO. REVOLTA!”. É uma demanda pessoal que,
dependendo do resultado, terá reflexos abrangentes aos idosos usuários dos
transportes coletivos, especialmente as cooperativas de micro-ônibus, que fazem
o trecho Benevídes/Belém, essa foi a razão de eu ter participado da audiência
pública na Assembleia Legislativa em busca de apoiFora dFFo. Na 2ª feira estarei na
DEAI com a Doutora Soranda Nascimento (jovem e muito linda delegada, por sinal)
e quando tudo terminar seja qual for o resultado, os leitores destes textos
ficarão sabendo, portanto, você que me lê e que tem idoso na família que anda
de ônibus, torça, me apoiem. Fim.


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