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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

APEDEUTA, MENTIROSO, INOCENTE E EX-PRESIDENTE



"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário."
                                                                                                           (George Orwel)



                    

Início de ano. Imaginemos a seguinte cena: O ex-presidente Luis Inácio da Silva, o Lula, (O Leonel Brizola o chamava de sapo barbudo) sentado na cadeira da presidência do Instituto Lula. Uma sala ampla e confortável, meio escura e uma fila enorme de “afilhados”, se curvando em reverência, beijando-lhe a mão. Na fila: José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Paulo Okamoto, Aloizio Mercadante, Marco Maia, Fernando Hadad, Lulita (Dilma), Marta Suplicy, Marco Maia, e fechando a fila, Jader Barbalho, Romero Jucá, José Sarney, Paulo Maluf e Fernando Collor (aquele...). E o homem lá, enfatiotado, só abençoando, sem falar nada.
O ex-retirante é um vencedor, chegou onde sempre sonhou sem o academicismo de outros. Só na base da coragem. No grito. Se especializou em  fazer-se invisível quando o cerco vai fechando ao seu redor. Usa muito a técnica do gambá, que se enrosca numa carapaça formada pelo próprio pêlo fingindo-se de morto – só se movimenta quando o perigo vai embora - ou solta uma catinga horrível (no caso são as calunias como forma de defesa) que mantém afastados os inimigos. Hoje encarna com perfeição o papel de Poderoso Chefão. Um Don Corleone, made in Brazil, versão séc. XXl.
 Mais tarde, já na outra sala, depois de servido o manjar dos deuses, acompanhado de Romanée Conti (o vinho de preferência do poderoso), todos os afilhados renovam os juramentos de fidelidade.
 Em cada canto da enorme sala têm seguranças, que mais parecem com armários vestidos de casaca preta, todos chefiados pelo Freud Godoy, homem de confiança do padrinho desde os tempos das vacas magras. Em pouco tempo todos vão saindo nos carrões pretos. Fim da primeira reunião anual da Família. E o chefão ainda dá um ultimo conselho, com uma voz rouca e gutural, quase um grunido. Uma espécie de ultimatum. Com a soberba daquele que tem o controle de tudo e que, matreiramente, finge não saber nada, justo para mostrar que é esperto, diz: “Cuidado! Mantenham seus amigos por perto. E os inimigos também!...”
 Esperteza. Essa é uma das principais características dos chefes dessas famílias. São safos. Parecem revestidos de teflon, nada gruda neles e quando alguém tem a ousadia de denunciar algum “mal feito” do chefão, em sua defesa vêm políticos, polícia e judiciário, onde, como parte da estratégia para ser um chefe respeitado, eles plantam tentáculos. E no baixo clero? No meio da patuléia é que ninguém pode falar mal do padrinho, que por meio de artimanhas e retóricas, se transformou em defensor dos pobres. Afinal esses também recebem as bolsas de ajudamento para, no momento certo, levantarem a cerca de proteção ao bem feitor.
 O Pai dos pobres sabe que apesar de todo poder que tem, ele, no fundo é triste e solitário. Sabe que a maioria dos afilhados são catedráticos, têm doutorado, ou pós-graduado em algo ou alguma coisa; sabe que, no mínimo, todos conhecem seus truques, segredos e artimanhas, logo, é um imbecil/prepotente/útil; uma pedra no tabuleiro que só pode ser mexida numa direção para evitar desmoronamento. É possível que tema pela própria vida, haja vista que, a organização costuma cobrar um preço alto pelos chefes, ou padrinhos, que se rebelam (lembram Celso Daniel, prefeito de Santo André, assassinado em 2002?).

 Enquanto isso os afortunados assistidos pelas bolsas batem palmas, dão vivas e loas, não sabem que pai narcisista, demagogo, verborrágico, o “deus martasuplicyano”, expert em malabarismo acrobáticos na arte de convencer as massas, no momento (hoje é dia 08/02/2013) está sumido, escondidinho, debaixo de algum tapete persa ou de um luxuoso sofá de couro chesterfield, de onde só vai sair quando Marcos Valério e Rosemary Noronha, os ex-amigos e colaboradores (afilhados proscritos), jurarem silêncio eterno. Quando isso acontecer, ele sai da toca, sorridente e fagueiro, pleno de inocência. É assim que funciona a dignidade dos cínicos. Até quando, só Deus sabe...

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