"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário."
(George Orwel)
Início de ano. Imaginemos a seguinte
cena: O ex-presidente Luis Inácio da Silva, o Lula, (O Leonel Brizola o chamava
de sapo barbudo) sentado na cadeira da
presidência do Instituto Lula. Uma sala ampla e confortável, meio escura e uma
fila enorme de “afilhados”, se curvando em reverência, beijando-lhe a mão. Na
fila: José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Paulo Okamoto,
Aloizio Mercadante, Marco Maia, Fernando Hadad, Lulita (Dilma), Marta Suplicy, Marco Maia, e fechando a fila, Jader Barbalho, Romero Jucá,
José Sarney, Paulo Maluf e Fernando Collor (aquele...).
E o homem lá, enfatiotado, só abençoando, sem falar nada.
O ex-retirante é um vencedor, chegou
onde sempre sonhou sem o academicismo de outros. Só na base da coragem. No
grito. Se especializou em fazer-se invisível quando o
cerco vai fechando ao seu redor. Usa muito a técnica do gambá, que se enrosca
numa carapaça formada pelo próprio pêlo fingindo-se de morto – só se movimenta
quando o perigo vai embora - ou solta uma catinga horrível (no caso são as
calunias como forma de defesa) que mantém afastados os inimigos. Hoje encarna
com perfeição o papel de Poderoso Chefão. Um Don Corleone, made in Brazil, versão séc. XXl.
Mais tarde, já na outra sala, depois de
servido o manjar dos deuses, acompanhado de Romanée Conti (o vinho de preferência
do poderoso), todos os afilhados renovam os juramentos de
fidelidade.
Em cada canto da enorme sala têm seguranças,
que mais parecem com armários vestidos de casaca preta, todos chefiados pelo
Freud Godoy, homem de confiança do padrinho
desde os tempos das vacas magras. Em pouco tempo todos vão saindo nos carrões
pretos. Fim da primeira reunião anual da Família.
E o chefão ainda dá um ultimo conselho, com uma voz rouca e gutural, quase um grunido.
Uma espécie de ultimatum. Com a
soberba daquele que tem o controle de tudo e que, matreiramente, finge não
saber nada, justo para mostrar que é esperto, diz: “Cuidado! Mantenham seus
amigos por perto. E os inimigos também!...”
Esperteza. Essa é uma das principais
características dos chefes dessas famílias.
São safos. Parecem revestidos de teflon, nada gruda neles e quando alguém tem a
ousadia de denunciar algum “mal feito” do chefão, em sua defesa vêm políticos,
polícia e judiciário, onde, como parte da estratégia para ser um chefe
respeitado, eles plantam tentáculos. E no baixo clero? No meio da patuléia é que ninguém pode falar mal do
padrinho, que por meio de artimanhas
e retóricas, se transformou em defensor
dos pobres. Afinal esses também
recebem as bolsas de ajudamento para, no momento certo, levantarem a cerca de proteção
ao bem feitor.
O Pai
dos pobres sabe que apesar de todo poder que tem, ele, no fundo é triste e
solitário. Sabe que a maioria dos afilhados
são catedráticos, têm doutorado, ou pós-graduado em algo ou alguma coisa; sabe
que, no mínimo, todos conhecem seus truques, segredos e artimanhas, logo, é um
imbecil/prepotente/útil; uma pedra no tabuleiro que só pode ser mexida numa
direção para evitar desmoronamento. É possível que tema pela própria vida, haja
vista que, a organização costuma
cobrar um preço alto pelos chefes, ou
padrinhos, que se rebelam (lembram Celso Daniel, prefeito de Santo André,
assassinado em 2002?).
Enquanto
isso os afortunados assistidos pelas bolsas batem palmas, dão vivas e loas,
não sabem que pai narcisista,
demagogo, verborrágico, o “deus martasuplicyano”, expert em malabarismo
acrobáticos na arte de convencer as massas, no momento (hoje é dia 08/02/2013)
está sumido, escondidinho, debaixo de algum tapete persa ou de um luxuoso sofá
de couro chesterfield, de onde só vai sair quando Marcos Valério e Rosemary
Noronha, os ex-amigos e colaboradores (afilhados
proscritos), jurarem silêncio eterno. Quando isso acontecer, ele sai da toca,
sorridente e fagueiro, pleno de inocência.
É assim que funciona a dignidade dos cínicos. Até quando, só Deus sabe...



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