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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

OS VELHOS E A MORTE. A SIMBIOSE PERFEITA



“Tenho 82 anos, tô vivo, mas nada mais funciona”.
Assim falou o Silvio Santos  na televisão dele, o SBT. Falou daquele jeito desabrido que é uma característica do dublê de apresentador e empresário bem sucedido. A atriz Suzana Vieira, no papel de Pilar da novela  Amor à Vida, evidenciando a sua frustração por já estar embarcando na arca  arqueológica que deposita as velharias humanas, disse: “envelhecer é um estigma”
Velho, idoso, terceira idade, melhor idade. Dessa quantia enorme de denominações para quem já atingiu o excesso de tempo de vida ainda vivo, “melhor idade” deve ser a que carrega o maior tom de ironia. Onde já se viu a pessoa com mais de setenta estar na melhor idade? Onde, alguém com mais de sessenta janeiros, carregar  nos  costados  uma carga de  melhor idade? Onde...
No dia 27 de setembro vamos comemorar o Dia do Idoso no Brasil. A data oficial, criada pela ONU, em 1982,  é 1º de outubro. Para nós é 27/09,  e pronto. Com certeza nos espaços onde os idosos se juntam para encontros rotineiros haverá alguma programação diferente. Festas. Os governos em todas as esferas são obrigados, pelo estatuto do idoso, a mostrar que “gostam” de velhos. E gostam mesmo. Principalmente se o velho é um DAS 5, aposentado, que tem conta bancária rechonchuda com muito poder de compra, que enfim, ainda gasta “a rodo”. Acho até que o termo subjetivo melhor idade nasceu nesse grupo, justamente porque ainda movimenta a economia.
O outro grupo, a confraria dos ferradões,  governos “gostam”, também,  mesmo quando, maquiavelicamente, nos hospitais públicos os velhos são ardilosamente selecionados para morrer. Errado? Acho que não. Afinal os macrobióticos já viveram bastante e o dinheiro gasto para mantê-los vegetativamente fingindo que estão vivos seria (seria) mais bem empregado com creches, escolas, hospitais para crianças, que estão iniciando a caminhada da existência. Assim fazia a Dra. Virginha Helena Soares de Souza, no Hospital Evangélico de Curitiba quando marcava os velhos que deviam ser “envelopados” (infelizmente lá o motivo não era tão nobre).
O ministro da economia do Japão escancarou. Disse em forma de conselho aos velhos japoneses: “tratem logo de morrer, a fim  de resolver  o problema da previdência social”. E lá, no Japão, só cientistas com mais de 75 anos estão trabalhando na usina nuclear de Fukushima, justo para proteger os jovens cientistas dos perigos da radiação. Tem sentido. É um paradoxo, mas é a real. Outra família que também protege seus jovens facilitando a “passagem” dos macróbios: os  ratos. Quando colocamos veneno, ou uma armadilha é detectada, os ratos velhos vão à frente, se morrer um, a turma toda desvia de rota, muda o caminho. Salvam-se os jovens da família. Isso é morrer com dignidade. Bem melhor do que morrer por falta de amor. Viver sozinho no meio de pessoas ou abandonados em asilos ou hospitais.
            “O pior da vida é o envelhecimento, principalmente quando não temos do que nos orgulhar”. Li esta frase em algum lugar, e isso não é apenas uma frase é um veredito. É isso. Mas não vamos perder as festas. Na semana do idoso, ou no dia do idoso, as presidências de conselhos dos idosos vão estar todos empetecados, vestidos a rigor, caras de entendidos, participando de audiências públicas ou festins; chefes das delegacias dos idosos, promotor (o boa praça Doutor Valdir Macieira) e todos os órgãos vão estar dizendo que estão dando o sangue e suor pelos anciãos. É bom não duvidar. Mas o melhor mesmo é não precisar de nenhum desses agentes do Estado. Se isso, por infelicidade acontecer, é mais uma razão para aceitar uma eutanásia como paciente da Dra. Virginha, ser cientista com mais de setenta anos no Japão,  ou até cometer um haraquiri à brasileira...

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