“Tenho
82 anos, tô vivo, mas nada mais funciona”.
Assim falou o Silvio Santos na televisão dele, o SBT. Falou daquele jeito
desabrido que é uma característica do dublê de apresentador e empresário bem
sucedido. A atriz Suzana Vieira, no papel de Pilar da novela Amor à Vida, evidenciando a sua frustração
por já estar embarcando na arca
arqueológica que deposita as velharias humanas, disse: “envelhecer é um estigma”
Velho, idoso, terceira idade, melhor
idade. Dessa quantia enorme de denominações para quem já atingiu o excesso de tempo
de vida ainda vivo, “melhor idade” deve
ser a que carrega o maior tom de ironia. Onde já se viu a pessoa com mais de
setenta estar na melhor idade? Onde, alguém com mais de sessenta
janeiros, carregar nos costados
uma carga de melhor idade? Onde...
No dia 27 de setembro vamos comemorar
o Dia do Idoso no Brasil. A data oficial, criada pela ONU, em 1982, é 1º de outubro. Para nós é 27/09, e pronto. Com certeza nos espaços onde os
idosos se juntam para encontros rotineiros haverá alguma programação diferente.
Festas. Os governos em todas as esferas são obrigados, pelo estatuto do idoso,
a mostrar que “gostam” de velhos. E gostam mesmo. Principalmente se o velho é
um DAS 5, aposentado, que tem conta bancária rechonchuda com muito poder de
compra, que enfim, ainda gasta “a rodo”.
Acho até que o termo subjetivo melhor
idade nasceu nesse grupo, justamente porque ainda movimenta a economia.
O outro grupo, a confraria dos ferradões, governos “gostam”,
também, mesmo quando, maquiavelicamente,
nos hospitais públicos os velhos são ardilosamente selecionados para morrer. Errado? Acho que não. Afinal os macrobióticos já viveram bastante e o
dinheiro gasto para mantê-los vegetativamente fingindo que estão vivos seria
(seria) mais bem empregado com creches, escolas, hospitais para crianças, que
estão iniciando a caminhada da existência. Assim fazia a Dra. Virginha Helena
Soares de Souza, no Hospital Evangélico de Curitiba quando marcava os velhos
que deviam ser “envelopados” (infelizmente lá o motivo não era tão nobre).
O ministro da economia do Japão
escancarou. Disse em forma de conselho aos velhos japoneses: “tratem logo de morrer, a fim de resolver
o problema da previdência social”. E lá, no Japão, só cientistas com
mais de 75 anos estão trabalhando na usina nuclear de Fukushima, justo para
proteger os jovens cientistas dos perigos da radiação. Tem sentido. É um
paradoxo, mas é a real. Outra família que também protege seus jovens
facilitando a “passagem” dos macróbios:
os ratos. Quando colocamos veneno, ou
uma armadilha é detectada, os ratos velhos vão à frente, se morrer um, a turma
toda desvia de rota, muda o caminho. Salvam-se os jovens da família. Isso é
morrer com dignidade. Bem melhor do que morrer por falta de amor. Viver sozinho
no meio de pessoas ou abandonados em asilos ou hospitais.
“O pior da vida é o envelhecimento,
principalmente quando não temos do que nos orgulhar”. Li esta frase em
algum lugar, e isso não é apenas uma frase é um veredito. É isso. Mas não vamos
perder as festas. Na semana do idoso, ou no dia do idoso, as presidências de
conselhos dos idosos vão estar todos empetecados,
vestidos a rigor, caras de entendidos, participando de audiências públicas ou
festins; chefes das delegacias dos idosos, promotor (o boa praça Doutor Valdir
Macieira) e todos os órgãos vão estar dizendo que estão dando o sangue e suor pelos anciãos. É bom não duvidar. Mas o
melhor mesmo é não precisar de nenhum desses agentes do Estado. Se isso, por infelicidade
acontecer, é mais uma razão para aceitar uma eutanásia como paciente da Dra. Virginha,
ser cientista com mais de setenta anos no Japão, ou até cometer um haraquiri à brasileira...



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