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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

TÁ NA LISTA. TÁ EMPREGADO, PODE ENTRAR...


O Welber (não confundir com o Max Weber), aluno do curso de engenharia de automação industrial  de uma universidade  em São Paulo se acostumou consultar listas de cabeça para baixo, ou seja, sempre iniciando a leitura pelos últimos nomes, e é sintomático, pois o nome de documento do cidadão começa por “ W”, que já tinha  sido até exonerado do cargo de letra oficial do alfabeto da língua portuguesa. O certo é que o jovem se condicionou. Agora até as listas de compras do supermercado são lidas  assim, de revestrés.
As listas. A mais famosa delas é a lista de Oscar Schindler, empresário alemão que mesmo sendo  membro do partido nazista, armou um esquema que impediu mais de mil judeus de embarcarem no trem que os levaria aos campos de concentração de Auschwitz, salvando-os da morte certa. Qual o mortal comum que nunca consultou uma lista? A avidez com que vestibulandos disputam as listas com nome dos aprovados na seleção às  universidades; os concursados candidatos a um emprego público.  Vixi! E as listas, onde ninguém quer estar, que é as  dos marcados para morrer (fazendeiros, traficantes, políticos, quadrilhas rivais dentro e fora dos presídios e outras tantas listas malditas).
 Há bastante tempo atrás – e bote bastante nisso – quase eu ia no tapa com o técnico do the phuntos futebol clube, meu time  lá do Pato Macho onde eu era titular da ponta direita, e no dia do jogo o meu nome não constava na lista dos que iam jogar. (interessante frisar que prevaleceu a posição do “professor”, já que eu tinha faltado ao treino preparatório para o jogo da semana).
Bom, eu estava lavando a merda do cachorro no  pátio de casa, de manhã, quando a Regina passou. Ia toda  arrumadinha.
- Bom dia seu Orlando. Respondi o cumprimento e perguntei.
- Pra onde tu vais assim, tão bonita Regina?
- Ah, seu Orlando, vou lá na prefeitura vê se tem alguma coisa pra mim. O assessor dum vereador mandou que eu fosse  com o vice. Tô cheia de esperança.
Alguma prosa  mais. Desejei boa sorte, e lá se foi a Regina toda fagueira ver se tinha “alguma coisa para ela...”, na prefeitura.
Eu estava de saída era mais ou menos dez horas, e lá vem a Regina de volta. Não estava mais com aquela cara de felicidade esperançosa. Eu provoquei:
- E aí Regina, emplacou?
- Que nada, seu Orlando, o meu nome não tava na lista.
- Como assim, lista?
- Eu fui recebida pelo vice-prefeito e disse que tinha ido a mando do meu vereador,  aí ele perguntou:
- Tu trabalhastes?  Eu disse que sim. Ele disse:
- Deixa eu ver.
- Tirou da gaveta um cadernão, olhou, olhou, olhou,  me olhou e disse:
- O teu nome não está na lista. Não tem nada pra ti. Enfiou de volta o cadernão na gaveta e foi embora.
A Regina se despediu. Foi embora toda capionga. Macambúzia. Deprimida...
Estive em um evento da prefeitura maritubana no dia 04/10, era a festa em homenagem aos idosos usuários dos Cras(s) do município, e na hora que o cerimonialista apresentava às autoridades presentes no baile, foram anunciados três nomes do primeiro escalão, todos com o sobrenome “begot” (acho que a grafia é essa). Esses, com certeza, fazem parte da lista de ouro. Aquela, onde todo mundo quer estar (ô inveja! Senhor).
Segundo o filósofo e pensador Immanuel Kant,  a ética, objeto de estudo da ciência, da filosofia e até da teologia, tem a mania de alterar comportamentos nos seres humanos, justo porque ela se relaciona com a liberdade, com o bem, o mal, e com a consciência moral da lei. É míster de gestores dar emprego a amigos, parentes , correligionário. Grupos que gravitam em torno do poder ganham também suas fatias, que quase sempre, são recompensas por serviços prestados ou promessas de campanha. A preocupação é: têm capacidade administrativa, boa reputação? Oxalá os atuais ungidos com as bênçãos do novo caudilho sejam portadores destas qualidades, para que no futuro ele não venha dizer o que o Reinaldo, prefeito corrupto de Pitanguá da série “a mulher do prefeito” (Rede Globo) e que está em prisão domiciliar, falou para a mulher dele, D. Aurora Rangel: “é difícil pra mim até olhar pra minha cara no espelho...”.

Alguns ex-prefeitos devem estar fazendo essa reflexão.

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