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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"RESTAURE-SE A MORALIDADE, OU NOS LOCUPLETEMOS TODOS..."

ASSIM FOI A NOSSA CONFRATERNIZAÇÃO: 30 USUÁRIOS IDOSOS E FUNCIONÁRIOS. QUEM ENXERGAR UMA AUTORIDADE DO PRIMEIRO  ESCALÃO GANHA UM EMPREGO COMO FUNCIONÁRIO FANTASMA NA PMM
“Rouba, mas faz”. Isto está tão arraigado na crença  popular que os larápios se sentem os tais. São uns virtuosos. Tem um senador paraense dono de uma das maiores fortunas no Estado que é mais conhecido pelas larapiosas manobras que se envolveu na carreira política (antes da era Joaquim Barbosa foi o primeiro político do escalão superior que viajou de um Estado a outro algemado no avião). Tá, mas vá falar mal dele numa dessas áreas de ocupação chamadas de jardelândias que existem por aí, vá...Quem quiser fazer isso que o faça mas sem a garantia de sair vivo de lá. Por quê? Porque o homem é o “o bom ladrão”.  No imaginário popular o habitante pobre  da área invadida tem casa  hoje porque foi ele quem “deu” quando era governador. E o povo não esquece quem lhe faz algum bem, principalmente se esse bem feitor é dono de emissoras de rádio que 24 horas por dia estão lá a falar bem  desse santo homem, tanto que na ultima eleição ele teve, só no Estado, mais votos do que a campanha “ficha limpa” que foi votada em todo Brasil.
Renascer é o nome do grupo da terceira idade de Marituba. Até antes do ex-gestor Couto (aquele que saiu pela porta dos fundos) nós nos congregávamos todos no Cras Emmanuel Rocha,  no bairro do Decouville. Houve o desmembramento  e o que era um cento de convivência passou a ser quatro. Sou usuário a quase dez anos do projeto e nesse período passaram três prefeitos  regularmente eleitos. Os interinos são um escracho que vieram, com o aval da lei, diga-se, só abocanhar os seus nacos. Eles se deram bem. Uns estão cassados (improbidade), mas com as vidas feitas e lógico, não tão nem aí...
Um ex-titular, que atualmente responde, dizem, mais de 30 processos – uns por improbidade -, impobridade todo mundo sabe é um eufemismo, né, que tem outros significados. Pois bem, durante os dois mandatos do improbo nunca faltou merenda. Velhos passeavam, datas comemorativas eram festejadas de verdade, enfim, dentre as demais atividades existia até sala com computadores, onde os idosos mais plugados aprendiam informática em dois turnos. Foi lá que eu tive os meus primeiros contatos com esta máquina. As nossas festas de fim de ano sempre foram grandiosas. Insatisfações existiam, mas no geral os idosos eram beneficiados com as atividades lúdicas, como  preconiza o estatuto do idoso. Isso é passado. Foi ontem.
O presente. Hoje: Os centros de referência foram desmembrados.  Agora são quatro.
Ontem: idosos tinham café e almoço; hoje: raramente têm um lanche (quase sempre mingau); ontem: Idosos se deslocavam em ônibus da prefeitura; hoje: vão aos centros como podem; ontem: funcionários contratados tinham férias renumeradas, hoje saem de férias lisos.
Detalhe: segundo informações a entrega de “alimentos” é feita por revezamento mensal. No mês que um Cras é abastecido outros três ficam a ver navios ( ? ).
Pois é. A festa de  confraternização do Renascer Emmanuel Rocha aconteceu. Cada velhinho como eu, levou a sua sacolinha plástica com alguma coisa dentro e os inseparáveis refris “espoca buchos”, que são mais baratos. Com a coordenação e mais uns quatro funcionários confraternizamo-nos. Alegação oficial  da não realização da grande festa de final do ano: em setembro teve o baile do idoso e o fluxo de caixa da PMM está negativo Acabou a verba. C’es fini l’arjent...
Enquanto isso na estrutura da governança municipal tem até Secretaria de Exportação.
Marituba é uma cidade dormitório, como fica às margens da BR de pista dupla, distante de Belém menos de 20 Km. logo, é uma cidade movimentadíssima. De passagem de carros, claro.  E agora, ex-por-ta-do-ra. A dúvida é: De quê?
Com certeza 2014 com o PIB alto (não confundir com PIBMM, produto interno bruto da miséria maritubana) Marituba vai bombar e os velhotes assistidos nos Cras  vão ter de volta tudo que tinham antes e mais alguma coisa. Será...
O Stanilaw Ponte Preta  (Sérgio Porto) cunhou uma frase antológica: “Restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos...”.
Os camaradas metem a mão, defradam, surrupiam, fazem e acontecem e sequer são chamados de ladrão que dá, vontade sim, de fazer parte do butim...

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