“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de
tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas
mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”
(Rui Barbosa)
A minha cidade ganhou mais um prefeito. Mais um. É o quinto em seis meses. Um município que nem parece ser metropolitano. Que nasceu sob a égide do azar. Com menos de 20 anos de emancipado, mal saiu da adolescência, e já sofre de doenças crônicas de cidades que estão na terceira idade. O coitado é mesmo sem sorte desde nascença. Vejamos: teve como primeiro administrador, um prefeito profissional que vinha de dois mandatos ganhos dos eleitores de Ananindeua, ainda antes da emancipação maritubana. O detalhe é que esse cidadão antes de ser político, era um pacato relojoeiro com uma banquinha na porta do mercado municipal. Fez a primeira campanha montado em bicicleta. Protestante da Assembleia de Deus, cara de bonzinho, não tinha quem não acreditasse no homem. Se deu muitíssimo bem. Deve estar na boa vivendo uma aposentadoria com a bunda virada para a lua. Merece. “Trabalhou” para isso.
Daí veio outro que cumpriu oito anos de mandato. Este, um legítimo representante do que existe da mais limpa, ilibada, cristalina e inatacável conduta de homem público, probo e honesto. Os mentirosos e invejosos espalharam que ele responde mais de oitenta processos na justiça. Invenção pura! Intrigas dos inimigos. Coisas da política. O homem só ainda não foi canonizado por que os processos não chegaram até o Vaticano, estão dormitando nas gavetas da burocracia oficial dos tribunais e disponíveis na rede, para quem tem paciência de ficar cusculhando a vida “dosoutros” pela internet.
O último nem cumpriu quatro anos de mandato no município, foi defenestrado antes do apito final, sem direito a prorrogação. O problema é que com a saída dele veio o sanatório geral. Na eleição para escolha do substituto, o campeão de votos não assumiu porque tinha pendências judiciais; sentou na cadeirona o presidente da Câmara, que foi afastado por ter cometido algumas venalidades. Entrou outro interino, que tratou logo dar duas secretarias, uma para a mulher e outra para a filha (Educação e Administração).
Cada um desses caciques que ficou como pref/tampão tirou os nacos que estava no seu alcance. Incrível como essa gente é gulosa. Ah, algo positivo ficou. O ultimo tampão oficializou as cores do município. Agora quem entrar não vai poder pintar, de lixeiras a prédios municipais, com as cores do seu partido. Os fornecedores de tintas é que não estão gostando.
E la nave va. O prefeito eleito, já enfrenta preocupações. Os adversários já acharam uns motivosinhos para impugná-lo. Sinceramente? Odeio o partido dele (os morubixabas que comandam a sigla são os gargantas profundas mais insaciáveis do País), mas torço para que ele assuma. Chega de desgoverno. Mesmo sabendo que os primeiros atos dessas santas criaturas é a operação caça às bruxas, que consiste em demitir em massa quem não fez campanha pró e agasalhar os lambe botas nas vagas dos demitidos. E o pior, isso acontece até em setores que funcionam com resultados positivos.
Sou usuário dum projeto social no Cras. Emmanuel Rocha, e no primeiro ano administrado pelo gestor desterrado, aquele que saiu pela porta dos fundos, cinco, cinco coordenadores (todas mulheres) passaram por lá, parece que a cadeira da chefia tinha fio elétrico desencapado. Até que colocaram uma assistente social na coordenação, que era, digamos, diferenciada. Com um jeito sem graça, simplória, calçada de sandálias franciscanas. Diferente. Sem o nariz empinado. Sem o salto alto, sem a empáfia do deslumbramento que as rainhas de bateria desfilam no sambódromo da vida pública.
Mesmo que seja efêmero, esses cargos costumam mexer com o ego dos ocupantes. A maioria costuma olhar na vertical ascendente o baixo clero, é como se esses fossem formigas. A madame em epígrafe, atravessou as administrações interinas incólume. Também pudera! A Edilena Galvão, que tem de simples sobra em competência. Arrumou a casa. Ganhou a confiança e o respeito de usuários e subordinados. Com certeza existem outras “edilenas” (os) dando almas e corações, respeitando as vagas que ocupam; devolvendo com suor e sacrifício o humilde salário que recebem.
A estas criaturas vai uma frase que foi o slogan de campanha dum ex-prefeito de Belém: “fé no que virá”. Mas é bom ficar velhaco. Espertos. Porque o atual rufião do poder municipal é forjado na mesma linha de produção dos antecessores. Quando estão no poder enxergam só, e tão somente só, o que lhes interessa. Né mesmo...?






