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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

POR AMOR A ALÁ, EU VOU TE MATAR



       
“E diz-lhes: A verdade emana de Vosso Senhor; assim, pois quem desejar que creia, e quem quiser que descreia” (Alcorão 18:29)

Jesus quando andava pelo mundo fez muitos milagres. Alguns fazem parte das narrativas bíblica outros não, normal, afinal tem muita coisa da vida de Jesus que ninguém sabe mesmo. Tem estórias, por exemplo, de quando ele era menino que tinha um amiguinho de traquinagens, seu nome era Arnon, que o pai não aprovava a amizade entre os dois e por isso quando o velho saia ele deixava o moleque trancado em casa, evitando assim, que os dois brincassem juntos.
Ele sabia que o menino amigo do filho dele era “menino”, só não sabia que era o menino Jesus. E olhem o que o Jesus menino fazia: Ele ficava na mutuca, quando o pai do Arnon saía ele ia lá rapidinho e pela fresta da casa tirava o amigo e saiam para brincar; quando o velho estava para chegar o Arnon era empurrado de volta pela fresta para dentro de casa. Isso durou até o tempo que aconteceu um acidente com Arnon. Eles brincavam numa ribanceira quando o guri levou uma topada caiu, rolou para abaixo, bateu com a cabeça numa pedra e morreu. Aí não teve jeito. Não dava para enfiá-lo pela fresta de volta. Ele já estava morto. Mortinho. E o pior, o pai do menino morto acusou Jesus, alguém que viu os dois brincando perto da ladeira, entregou. A situação, como dizia o professor Astromar (personagem da novela Roque Santeiro/globo 1975) estava acroática para o lado de Jesus. Aí ele não se conteve, entrou lá na casa onde o defuntinho estava sendo velado e ordenou:
-Arnon, te levanta e fala a verdade.
Ato seguinte, o morto ressuscitou, sentou e falou:
-Ele não me empurrou. Eu que levei uma topada, rolei ribanceira abaixo, bati com a cabeça na pedra e morri.
Em seguida o Jesus menino, ordenou:
-Pronto, agora pode morrer de novo. O moleque retornou à morte. Agora eterna.
Já na época de adulto, antes dos 33 anos, num dia de muito calor, e cercado por enorme multidão, Jesus atendia a galera. Fazia milagres. Uns buscavam cura para alguma doença, outros ovacionavam, gritavam, aplaudiam. Atraídos pelos gritos dois amigos que andavam juntos há muito tempo se aproximaram da multidão. Era o Nhanhanha e o Cotó.
Um era fanhoso e outro era aleijado, não tinha as duas pernas. Os dois chegaram junto e insistiram para serem atendidos. Cansado, suado, exausto, já quase sem paciência, mas Jesus era Jesus, logo, acabou atendendo os dois amigos e depois de escutá-los foi logo ordenando:
-Tá bem, tá bem. Vão os dois lá pra trás daquela árvore (Baoba, árvore milenar da África)
        Os dois ficaram atrás da grande árvore e a multidão lá em expectativa e Jesus de cabeça inclinada começou a orar. Orou, orou e gritou.
-Aleijado, joga a primeira muleta. Aí uma muleta voou detrás da árvore. A multidão aplaudia.  Mais oração e a segunda ordem:
-Aleijado, joga a segunda muleta. Mais uma muleta voou e mais aplauso e gritaria, a galera delirava. Em seguida mais uma ordem, a última, o verídicto final:
-Fanho, fala!
-O Cotó se esborrachou todinho no chão. Respondeu o Nhanhanha com a mesma voz fanhosa. (Alguma coisa deu errado que o milagre não funcionou)
Esta é uma piada sem graça baseada na doutrina religiosa do Cristianismo. Agora se eu contar uma assim: “O Maomé, 40 anos, ex-mercador, bom de papo, irresistível na arte de convencer pessoas, não tinha seguidores (até porque na época ele era só o Mohammad), teve uma ideia. Fazia parte da sua rotina afastar-se de todo mundo por muitos dias para longos períodos de meditação. Foi após um desses retiros espirituais que, ao retornar, ele sondou o ambiente, viu que o momento era propício e colocou em prática a ação já bastante pensada.
Se aproximou da montanha (Monte Hira) e começou falar sozinho em voz alta, quase gritando. Dizia: ‘Eu sou o último profeta enviado à humanidade, e com o poder que me foi confiado por Deus vou fazer com que aquela montanha venha até mim’.
Pessoas foram chegando, chegando, chegando, até que se formou uma enorme multidão. É, mas a montanha, claro, não se mexeu. Aí ele com toda calma do mundo disse a frase que até hoje é repetida: ‘se a montanha não vem até Maomé, Maomé vai até  a montanha’. Em seguida andou em direção à montanha sendo seguido pelo povo. Assim se tornou líder religioso.”
Incrível! Mas eu posso morrer por causa de uma brincadeira dessas. É difícil para nós, seres humanos comuns, imaginar que uma religião que tem um livro sagrado – Alcorão – com 114 capítulos (suras), que destaca a onipotência de Deus (Alá) e a importância da bondade, da generosidade, da justiça e do relacionamento social espalhe tanto ódio, tantas mortes pelo mundo. Charges, livros, filmes só são tolerados se for para enaltecer a figura sagrada do Maomé, do contrário...Que o diga o escritor indiano de nacionalidade inglesa Salman Rushdie, autor do livro Versos Satânicos e Nakoula Basseley que recentemente filmou o vídeo Inocência dos Muçulmanos. Todos estão com as cabeças a prêmio.
O Islão numa tradução livre quer dizer submissão a vontade de Deus. Com a morte do seu fundador, em 632, e muitas guerras (aliás, guerra é uma constante na história dos muçulmanos) acabaram se dividindo dando origem aos xiitas e sunitas.
A história do Islamismo é longa, linda, e impressiona pelo radicalismo quando se trata de matar ou morrer em nome do Alá. Eu hem! Como diz o paraense da gema: É-GU-Á....

terça-feira, 27 de novembro de 2012

REDES SOCIAIS: INTEGRAÇÃO E TRANSGRESSÃO


                                                                                        
                                                                  “A beleza de tudo é a certeza de nada"
                                                                                    (Zeca Baleiro)
        
           Em meados dos anos 60 na colônia Chicano do Tauá, zona rural na época município de Ananindeua, um dos sistemas de comunicação bastante usado era a batida na sapupema da sumaumeira, indicava direção; soprar numa fenda feita com as mãos em forma de concha, o som de acordo com o timbre emitido mandava uma mensagem diferente; viajando pelos rios batendo ritmado com os remos na beirada da canoa, sinalizando que ali ia um defunto a caminho do cemitério. Era a nossa conectividade cabocla. Na construção da estrada de ferro de Bragança, por volta de 1910, os engenheiros americanos responsáveis pela obra no setor de manutenção escreviam recados curtos nas costas do tio Gregório. Ele era negrinho e os ianks faziam isso de pura sacanagem, divertiam-se, humilhando.
        Com a chegada do primeiro rádio a pilha, foi uma verdadeira revolução em termos de comunicação através dos programas radiofônicos das emissoras AM, com as mensagens para o interior. Em 1967 eu tive o meu primeiro contato com um telefone – número 1516 na casa do Dr. Caubi Cruz, meu escravizador (já está no andar de cima) - e em 1998 instalamos o primeiro aparelho em casa. Vieram a internet e o celular (não exatamente nesta ordem) junto com as redes sociais. O mundo diminuiu. Quase não escreve-se mais cartas, passa-se e-mail. A quantia de “amigos”, que não se abraçam e nem se olham nos olhos; onde o calor, nada humano, está restrito a temperatura do aparelho usado na emissão das mensagens virtuais. Abraço físico, percepção de sutilezas nas expressões faciais, no tom de voz e nos gestos? Impossível, claro. Agora as mensagens são de texto, instantâneas, o bate-papo verbal até que acontece, mas por vídeo.
        Afinal, o que é rede social?
        É um site (sítio eletrônico, em língua portuguesa) que permite aos usuários compartilhar informações entre si. No Brasil os mais populares são Orkut, twiter, myspace, Yahoo e facebook, esse ultimo com mais de 800 milhões de usuários no mundo. As redes têm seus perigos e vantagens. O perigo depende mais de como o usuário utiliza essa tecnologia, por exemplo, revelar detalhes demais do seu perfil, fotos e atualizações de status (mensagens breves enviadas a todos de sua lista de amigos) e seus comentários (suas respostas às atualizações de status de outras pessoas). Esses detalhes podem revelar onde você mora, quando está ou não em casa, onde trabalha ou estuda. Aqueles comentários cheios de pavulagem do tipo “vamos viajar amanhã”, de repente pode ser tudo que seu menino precisa para lhe dar uma gatunada. De tão democrático que é o uso das redes que alguns perdem a noção de como usá-la. Elas dizem coisas que normalmente não diriam numa conversa de verdade. Algumas não percebem que uma postagem de mau gosto pode lhe custar sua boa reputação.
         No livro A hora da Geração Digital do escritor e pesquisador Don Tapscott, o autor escreve: “Dê uma olhada em sua página do ponto de vista de outra pessoa. Pergunte-se: “É assim mesmo que quero ser vista pelos outros? Se alguém visse as fotos que postei e me descrevesse com base nelas, o que provavelmente diria? ‘Que sou linda’? ‘Provocante’? ‘Sensual’? ‘Ou alguém que está querendo se exibir’? Será que é mesmo essa impressão que eu estou querendo causar, será que isso, de fato, representa meus valores?
        Se você é jovem, pergunte-se: ‘E se meus pais, meu professor ou adultos que admiro vissem minha página? Será que eu ficaria envergonhada por causa das coisas que eles poderiam ver ou ler?”Bom, tudo é muito relativo. Certamente se você é uma jovem de bom nível intelectual, independente total, vai esnobar a teoria do cuidado com que posta, ainda vai dizer, ou postar, “tô cagando pra vocês e suas teorias, faço parte de uma estrutura social composta por pessoas que adoram a minha autoadmiração, meu narcisismo. Essa é a minha forma de pensar, interagir, trabalhar, socializar, tô nem aí. Ó, procês...” e ainda vai dobrar os dedos anelar e indicador deixando o médio todo inteiro e teso fazendo um sinal que simboliza bem a raiva contra alguém ou alguma coisa, (o popularíssimo cotôco).
No livro A Liberdade do Ver, do poeta, escritor e pensador Artur da Távola, ele escreve: “O processo de tomada de contato com a realidade vem através de mecanismos que, por mobilizarem mais os sentidos, diminuem a carga de esforço e atuação de outros elementos componentes do sistema neuropsíquico do indivíduo, principalmente a razão...”.
        Todos os nossos sonhos e atitudes são revistos o tempo todo. Eis que intelectuais urbanos ou matutos pirentos (como eu) que detestava computador e internet, mudamos, nos adaptamos. Que bom que somos assim. Acredito que da mesma forma que a TV, nos anos 50/60, mudou toda a forma de ver, pensar e conviver por causa da novidade daquela época, a internet hoje é também, um marco transformador e ajuda na fixação do homem do campo na sua cidade, sem o risco da asfixia cultural de anos atrás. Mas cuidado! Rede social popular como facebook, por exemplo, é como um tabuleiro, revirando tudo se encontra coisa boa. E é como um redemoinho que suga a pessoa para dentro dele, excelente, porém, desde que usado com cautela. O mais irônico na internet: facilita o contato quando pessoas da família estão distante fisicamente, e os mantém afastados quando estão muito próximo, que é em casa...
        Orkut já era. Agora é face. Questione-se: você não se acha uma pessoa chata quando posta com frases prontas, tristezas, desabafos, frustrações, repetidamente e ainda pede, compartilhe. Imagine a cara das outras pessoas “amigas” lá na outra telinha. Hum hum...     

terça-feira, 6 de novembro de 2012

NA SALA EXTRA



Dos 3.185.000 candidatos submetidos à prova do Enem eu era um deles. Nem sei por que faço isso. Nos dois anos anteriores que eu me submeti a prova fui classificado em duas universidades particulares, mas em cursos que não tinham nada a ver comigo e ainda por cima em horário noturno, hum, tenho quase 64 anos e sem nenhuma disposição para estar saindo cinco da tarde e retornando meia noite. Nem pensar!
Mas tenho certa fissura em estar disputando alguma coisa, colocando algo novo no hipotálamo, tanto que esse ano que está já no limiar fiz dois cursos – eletricidade predial e manutenção de micro – eu acho mesmo que na real, no fundo, eu quero mesmo é dar-me alguma compensação pelo tempo passado que não estudei. Não me preparo estudando forte. Sei alguma coisa de língua portuguesa, gramática e literatura pelo fato de viver lendo. E só. Consigo sempre notas razoáveis em redação o resto é na base do anabububú quem sai é tu pelo rabo do tatu, quem escolheu foste tu...
Sou negro, logo, gosto de cores vivas e por isso uso boina com cores afros. Em 2009 revalidei a minha CNH usando boina na fotografia e foi permitida (ainda tenho a carteira), este ano quando fui revalidar novamente o documento fui impedido de usar na foto a minha tão querida boina. Recorri ao jurídico do Detran com uma carta feita de próprio punho anexando a foto da carta vencida, demonstrei que a Resolução nº 192/206 é anterior a data que eu renovei a habilitação, no caso em 2009, e mesmo assim a doutora Zaíra Cecília Costa Diniz, coordenadora do consultivo foi inflexível, fez valer a Resolução do Contran. O que não tem jeito está ajeitado, aceitei. É a lei, afinal. O que tem a ver isso com o Enem? Explico.
É a tal da boina. No primeiro dia da prova eu entrei na sala de boina na cabeça. Quase uma hora depois de iniciada a prova o fiscal pediu para que eu tirasse o meu adereço do bestunto. E lá se foi a boina para o saco e ficou agasalhadinha embaixo da carteira. Embaixo da minha bunda. Nada nobre para quem está acostumada na parte alta corpo.
No segundo dia, domingo, cheguei cedo e fui direto à coordenação pedir para deixarem eu  emboinado, aleguei, inclusive, como sou asmático que me protege a cabeça já quase toda despelada do frio e que nas regras a serem obedecidas relacionadas com as proibições estavam: boné, chapéu, viseira e gorro, ou seja, artigos de chapelaria. Nada! E lá se foi a boina para o saco novamente, era a condição sine qua non para que eu fizesse a prova, foi-me, todavia, dado uma alternativa: fazer a prova na SALA EXTRA. Manda quem pode... Obedeci e não me arrependi.
Na SALA EXTRA ficamos eu, uma outra candidata, o fiscal responsável e mais uns 300 lugares desocupados. Temperatura controlada, calma absoluta, ninguém deslizando de braço cruzado parecendo uns fantasmas na sala. Calma na alma.
                Agradeci a inflexibilidade das regras, da lei. Eu e minha boina dessa vez não nos sentimos menores, derrotados. Foi uma prova longa, sofrida, mas com muita CALMA NA ALMA. Graças a SALA EXTRA da Universidade da Amazônia – Unama.

sábado, 27 de outubro de 2012

CUIDADO! NEM TUDO QUE PARECE, É.


A doutora Raimunda Nazaré já não sabia mais o que fazer. Depois que a d. Maria, doméstica que trabalhou mais de vinte anos na casa dela, e que foi praticamente mãe substituta das duas filhas – atualmente uma tem 19 outra 17 anos – ambas já são universitárias, de repente a família ficou sem a faz-tudo da casa. O problema é que a d. Maria de tanto ser explorada pelo clã classe média alta, adoeceu. Feriu o pé ao pisar descalça em um caco de vidro. Só deram merthiolate pra ela passar na sisura (no linguajar da doutora um “golpezinho de nada”). Só que a pobre velha, com mais de cinquenta anos de idade, era portadora de diabetes. O ferimento piorou. E foi nesse tempo que ela foi mandada embora do emprego.
Um ano depois, muitos anúncios em jornais, cadastro no SINE (SISTEMA NACIONAL DE EMPREGO), que toda semana mandava uma candidata lá para a casa da Dra. Raimundinha, e nada. Não parava ninguém. Até que apareceu a Érica. Um perfil diferente. Alta, loura, rosto fino. “Até se parece com a minha filha”. Chegou a comentar com amigas, a patroa.
O certo é que, depois de dois telefonemas para pessoas que a Érica indicou e que a referendaram como uma pessoa “de bem”, zás trás. A Érica estava empregada. A dra. sequer pediu os documentos da nova funcionária (a moça, afinal, era branca e loura) que além de bonita tinha bom nível de escolaridade – médio completo – e falava um pouco francês. Foi simpatia na primeira vista. Toda família foi contaminada pela alegria e educação da nova empregada. Até o Doutor Ferdinando, sempre muito sisudo, passou dar uns sorrisinhos e uns olhares de esguelha à doméstica diferente.
Já há oito meses na casa, saía de vez em quando com as meninas. Era de confiança. Nunca atrasara um dia. Dava conta do trabalho, esticava o expediente sem brigar pela renumeração das horas extras. Era eficaz e eficiente. Quiseram contratar uma auxiliar, ela disse logo que “não precisa doutora, eu dou conta do serviço”. E dava mesmo. Na boa, nem se importava em ser explorada.
O que tem de dar errado, vai dar errado. É a Lei de Murphy.
Era uma segunda feira. A Érica ainda estava trocando de roupa quando a doutora bateu forte na porta do quarto, quase gritando, ordenou:
- Vem rápido aqui que queimou a lâmpada do meu quarto.
                E lá foi a pobre da Érica, toda agoniada ajeitando a saia porque não tinha dado nem tempo de vestir a calça comprida que ela gostava de usar no serviço. Quando chegou na suíte da madame esta já tinha posicionado a escada e a Érica foi logo subindo. A doutora se segurava na escada com a mão direita e na esquerda ela tinha a lâmpada nova que entregou para a Érica. Neste momento ela olhou para cima e, de repente, deu um grito. Um grito desesperado. Grito de susto. Gritou e deslizou para o chão, desmaiando. As filhas ouviram no outro cômodo da casa o berro da mãe e invadiram a suíte, foram direto acudir a velha. A Érica estava lá em cima, estática. A madame se recuperou logo e sem olhar apontava para cima sinalizando que às filhas olhassem também. Elas obedeceram. As meninas olharam e o que viram deixou-as paralisadas,  estupefatas, admiradas.
A Érica era um travesti. E bem dotado. Estava sem “calcinha” e, involuntariamente, mostrava aquele montão de coisa lá, pendurado, balançando acima da cabeça das três. Era um visual incrível! Uma surpresa inesperada. Foi o maior furdunço.
 As meninas tinham que sair. A madame também. Assim foi feito. A Érica ficou só, triste, executando suas tarefas, preocupada.
À noite o patrão chegou. A situação era tensa, mas reinava calma. Foi feito um relato. A mãe e as duas filhas apelaram para que a Érica ficasse, mas o doutor estava uma fera e não quis acordo. Não admitia de jeito nenhum, nem um minuto a mais a presença daquela aberração que tinha visto sua mulher e filhas peladas muitas vezes, e até despertara nele uns pensamentos meios safadinhos... ”Não! Aqui não! Não quero ver mais a cara dessa, sei lá, desse troço aqui”.
 A Érica foi demitida. Perdeu o emprego que ela conseguiu manter por quase nove meses. Trabalhou e viveu honestamente naquele período. É, mas acabou.
 Duas semanas depois uma carta intimava a família a comparecer na justiça do trabalho. O ex-empregado doméstico Onório Orlando de Oliveira, pleiteava seus direitos trabalhistas.
Érica...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

TÔ ELEITO, MÃOS AO ALTO!


Festa da Democracia. A campanha eleitoral, onde o povo participa de verdade, acabou.  Aff! Graças a Deus. Fotografias tamanho gigante, bandeiras, carros som, jingles, “santinhos”, gritarias, discussões e brigas. Essas manifestações verbais, sonoras e policrômicas, confirmam, na real, onde a população participa de verdade.  Uns ganharam uns trocados empunhando bandeira (bandeirantes do asfalto da era moderna), outros levam um capilezinho a sorrelfa, e até uma promessa de emprego deixa o fanatismo tomar conta do eleitor, fazendo dele um ardoroso defensor do seu candidato podendo até sair no braço em defesa do seu “preferido”. Mas a festa do povaréu termina por aí.
Depois que o candidato eleito assume, entra no gabinete com sua entourage, c’est fini. Acabou. Já era. O povo sai de cena. Aquele carinho com intimidade, o abraço aconchegante, o aperto de mão; aquele sorriso gracioso e alegre dispensado aos eleitores no período dos festejos na caça ao voto, é substituído pelo isolamento do reizinho ou da princesa, que dentro do seu palácio vai olhar a massa pelas frestas das persianas ou pelo vão do balancim do banheiro aonde ele vai se esconder quando alguém procurá-lo no seu domicílio. Ah! Sim, na rua ele passará por aquela criatura, um ex-abraçado, no seu possante com o vidro fumê levantado. E lá no gabinete? Lá, os assessores funcionarão como uma barreira de proteção. É aí que o ex-todo poderoso e paparicado eleitor vai descobrir que ajudou eleger alguém que não tem vínculo com os anseios coletivos.
                A maioria deles passam representar a si mesmos e por tabela os interesses espúrios do submundo da política. Traição de candidato? Não! Ingenuidade do eleitor que se deixou empolgar pelos paparicos e logo depois da eleição esquece o candidato eleito, deixa de lado, só o procurando quando, individualmente, precisa de algum favor; que não se junta a outros eleitores para fiscalizar as condutas suspeitas e repugnantes dos seus parlamentares. Infelizmente, para o eleitor brasileiro, depois que ele aperta os botões da urna, pronto! Tudo acaba ali. Não temos o hábito de marcar no corpo a corpo nossos legisladores, saber o que eles fazem na vida pública, cobrar. Isso é ótimo para os eleitos. Eles têm a certeza que seis meses, ou antes até, depois de eleitos, ninguém lembra mais nem em quem votou, e isso só reforça o que “eles” já usam como filosofia, a de que não estão subordinado a ninguém, principalmente os mais calhordas, aqueles que enxovalham a vida pública, já tão  fértil de malfeitorias.
Amoralidade. O eleitor não é vítima, é apenas uma espécie de vírgula em uma redação maior cujo tema são artimanhas que de republicanas não têm nada, a não ser o desejo de atingir e se manter no poder. Existem políticos nas casas legislativas com inúmeros mandatos emendados um no outro. Alguém acha que essa cambada dedica uma vida inteira em favor da causa alheia? Claro que não! O que interessa são seus próprios interesses, seus sonhos, que até são os sonhos do eleitor também, só que o pobre do eleitor dorme e acorda com pesadelos, a realização dos sonhos fica para o ilustre candidato que ele ajudou eleger; candidato que eleito financia sua boa vida, de familiares e amigos com o dinheiro dos desdentados; que se transformam (ou às vezes já são) em delinquentes políticos especializados em roubar cofres públicos; aves de rapina que são capazes de subir no cangote da própria mãe como suporte para decolar em voos mais altos.
Uns se perpetuam no poder e formam feudos, outros menos espertos – ou mais burros – se ferram. Ganham (?), esbanjam e empobrecem. Conheço um que foi vereador duas vezes e prefeito uma, nadava em benesses, hoje, já velho, sobrevive com um BPC - Benefício de Prestação Continuada. Bem feito!
Curiosidades. Esse ano, na Hungria, Alemanha, Nova York, não foi roubalheira, mas por algum deslize menor, Presidente, Primeiro Ministro e Governador, respectivamente, renunciaram; no regime Talibã o castigo para um furto simples é ter uma das mãos amputadas. Aqui políticos ladrões (oh, desculpe, corruptos) são cheios de pose e orgulhosos. Ah! Também não queremos um país de manetas...
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