O Welber
(não confundir com o Max Weber), aluno do curso de engenharia de automação
industrial de uma universidade em São Paulo se acostumou consultar listas de
cabeça para baixo, ou seja, sempre iniciando a leitura pelos últimos nomes, e é
sintomático, pois o nome de documento do cidadão começa por “ W”, que já tinha sido até exonerado do cargo de letra oficial
do alfabeto da língua portuguesa. O certo é que o jovem se condicionou. Agora
até as listas de compras do supermercado são lidas assim, de revestrés.
As listas. A mais famosa delas é a lista
de Oscar Schindler, empresário alemão que mesmo sendo membro do partido nazista, armou um esquema
que impediu mais de mil judeus de embarcarem no trem que os levaria aos campos de
concentração de Auschwitz, salvando-os da morte certa. Qual o mortal comum que
nunca consultou uma lista? A avidez com que vestibulandos disputam as listas
com nome dos aprovados na seleção às
universidades; os concursados candidatos a um emprego público. Vixi! E as listas, onde ninguém quer estar,
que é as dos marcados para morrer (fazendeiros,
traficantes, políticos, quadrilhas rivais dentro e fora dos presídios e outras
tantas listas malditas).
Há bastante tempo atrás
– e bote bastante nisso – quase eu ia no tapa com o técnico do the phuntos futebol clube, meu time lá
do Pato Macho onde eu era titular da ponta direita, e no dia do jogo o meu nome
não constava na lista dos que iam jogar. (interessante frisar que prevaleceu a
posição do “professor”, já que eu tinha faltado ao treino preparatório para o
jogo da semana).
Bom, eu estava lavando a merda do cachorro no pátio de casa, de manhã, quando a Regina
passou. Ia toda arrumadinha.
- Bom dia seu Orlando. Respondi o cumprimento e perguntei.
- Pra onde tu vais assim, tão bonita Regina?
- Ah, seu Orlando, vou lá na prefeitura vê se tem alguma
coisa pra mim. O assessor dum vereador mandou que eu fosse com o vice. Tô cheia de esperança.
Alguma prosa mais. Desejei
boa sorte, e lá se foi a Regina toda fagueira ver se tinha “alguma coisa para ela...”, na prefeitura.
Eu estava de saída era mais ou menos dez horas, e lá vem a
Regina de volta. Não estava mais com aquela cara de felicidade esperançosa. Eu
provoquei:
- E aí Regina, emplacou?
- Que nada, seu Orlando, o meu nome não tava na lista.
- Como assim, lista?
- Eu fui recebida pelo vice-prefeito e disse que tinha ido a
mando do meu vereador, aí ele perguntou:
- Tu trabalhastes? Eu
disse que sim. Ele disse:
- Deixa eu ver.
- Tirou da gaveta um cadernão, olhou, olhou, olhou, me olhou e disse:
- O teu nome não está na lista. Não tem nada pra ti. Enfiou de
volta o cadernão na gaveta e foi embora.
A Regina se despediu. Foi embora toda capionga. Macambúzia.
Deprimida...
Estive em um evento da prefeitura maritubana no dia 04/10,
era a festa em homenagem aos idosos usuários dos Cras(s) do município, e na
hora que o cerimonialista apresentava às autoridades presentes no baile, foram
anunciados três nomes do primeiro escalão, todos com o sobrenome “begot”
(acho que a grafia é essa). Esses, com certeza, fazem parte da lista de ouro. Aquela, onde todo mundo
quer estar (ô inveja! Senhor).
Segundo o filósofo e pensador Immanuel Kant, a ética, objeto de estudo da ciência, da
filosofia e até da teologia, tem a mania de alterar comportamentos nos seres
humanos, justo porque ela se relaciona com a liberdade, com o bem, o mal, e com
a consciência moral da lei. É míster de gestores dar emprego a amigos, parentes
, correligionário. Grupos que gravitam em torno do poder ganham também suas
fatias, que quase sempre, são recompensas por serviços prestados ou promessas
de campanha. A preocupação é: têm capacidade administrativa, boa reputação?
Oxalá os atuais ungidos com as bênçãos do novo caudilho sejam portadores destas
qualidades, para que no futuro ele não venha dizer o que o Reinaldo, prefeito corrupto
de Pitanguá da série “a mulher do prefeito” (Rede Globo) e que está em prisão
domiciliar, falou para a mulher dele, D. Aurora Rangel: “é difícil pra mim até olhar pra minha cara no espelho...”.
Alguns ex-prefeitos devem estar fazendo essa reflexão.





