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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O SACO, O PÃO E A CUECA DO SEU CAZUZA


Dia 12 de outubro, dia das crianças, é comum os mais velhos recordarem as peripécias, engraçadas ou não, dos tempos da infância. E esse ano de 2014 o dia dos miúdos coincidiu com o círio de Nazaré e da Padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida, aí foi uma trilogia festiva.
Na casa da dona Natércia na rua 3 de maio, na cremação; entre garfadas de pato no tucupi, maniçoba e gargalhadas cada um lembrava e contava proezas e até incidentes que causaram algum vexame naqueles tempos idos. Memorizei essa que irmãzinha trouxe contada pela Luci, na época com sete anos: naquele tempo o plástico não era a embalagem “da hora”. No Ver o Peso, por exemplo, o peixe era embrulhado em folhas de guarumã, nos açougues o açougueiro usava um amolador de faca que tinha um furo, aí ele varava a carne, metia a fibra naquele furo, puxava dava um nó e pronto. A gente levava a carne pra casa pendurada. E assim caminhava a humanidade. Pois é. Mas a estória de criança da Luci aconteceu assim:
A dona Sinamor, a mãe da Luci, fez como todas as donas de casa, um saco comprido exclusivo para transportar o pão comprado no único local perto de casa, que era a taberna da dona Mundica. E dos sete irmãos, Pedro, Alípio, Carlos, Lulu, Chico, Ester e Luci, passavam por um revezamento, ou seja, todos cada um no seu dia tinha que ir cedo antes do pai, seu Cazuza, sair para o trabalho, lá na taberna da dona Mundica comprar os barrocos indispensáveis para o café da manhã. E quem não ia de manhã tinha, obrigatoriamente, que ir a tarde.
- Eu era a mais chata – conta a Luci – no meu dia de ir na taberna eu já me deitava com raiva na véspera. Um dia eu tava escalada pra comprar o pão quentinho das quatro da tarde, mas eu com raiva não achava, de propósito o saco do pão. Eu já tinha reparado um monte de roupa bem branquinha na bacia que tinha sido lavada naquele dia. Foi quando a mamãe deu um berro indicando que o saco tava no meio das roupas lavadas e que eu tratasse logo de encontrar se não ela ia procurar e esfregar na minha cara. Como eu sabia que uma ameaçava  dela era fatal, tratei de ir lá na bacia revirei rápido, peguei o “saco”, enrolei na mão  e saí com raiva pra taberna. Fiquei na fila. Quando chegou a minha vez, pedi os cinco pães e o Nilson filho da dona Mundica que atendia no balcão, mandou eu abrir o saco, quando eu abri, olha o vexame: era uma ceroula, a cuecona do papai. E o Nilson pra querer ser engraçado ainda falou bem alto:
- Ei menina! Mas isso é a cueca do Seu Cazuza.
Foi quando eu me dei conta de que, com preguiça e com raiva acabei não reparando que no meio das roupas eu tinha tirado justamente a cueca do papai.
Eu, morta de vergonha, disparei, parti na carreira batendo todos os recordes de velocidade, entrei em casa chorando. Na minha cabeça eu ouvia as risadas das pessoas  que estavam na fila. A mamãe correu preocupada com a minha choradeira. Quando eu consegui contar o que tinha acontecido, ela deu-me duas lambadas com um cinto que ela já tinha lá pendurado na parede só pra essas emergências. Acabou sobrando pra um dos meninos que eu nem lembro quem foi comprar o pão naquela tarde. Meu Deus! Até hoje o meu estado emocional se abala quando eu lembro...

Só não me mudei de bairro porque não tínhamos nem um parente onde eu pudesse me abrigar e mesmo a mamãe e o papai jamais permitiriam que eu, menina ainda, fosse morar com outra família. Como eu já não gostava de ir na taberna da dona Mundica, por um bom tempo eu não fui mais. Na verdade nem na rua eu queria sair...

domingo, 14 de setembro de 2014

DENTRE TANTAS "PRIMEIRAS", ENFIM, UMA SECRETÁRIA/ DAMA DE PRIMEIRA...


Estatuto do Idoso- Lei 10.741
Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Pois é. Eu já escrevi vários textos aqui tendo como assunto administrações municipais maritubanas. Até porque as peculiaridades administrativas pelas quais passou o município assunto era que não faltava, haja vista que, em dois anos foi batido o recorde de ocupantes no cargo de mandante-mor. Um texto, porém, deu-me alguma preocupação. Eu pensava que ninguém acessava meus escritos até a publicação do “MARITUBAGUNÇA”. Título do despretensioso texto publicado em maio de 2013 que incomodou. Pois não é que ligaram pra minha casa com recados do tipo, “negão, cuidado! tu tá falando muito...” Eu, ao invés de me borrar de medo fiquei feliz da vida. Caramba! Putz! Alguém lê o que escrevo. Tá, mas como não sou besta pra tirar onda de herói (Raul Seixas) e a D. Nazaré (a Irmãzinha) ficou muito preocupada, segurei a minha onda e parti para assuntos, digamos, menos mortais...
Bem, apesar das turbulências a sociedade civil teve algumas conquistas, e uma delas foi homologação do Decreto Lei 112 de outubro de 2013, que criou o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Foi uma gestação que de nove anos. Do período de duração, desde a primeira reunião, até o dia de aprovação do Projeto de Lei foram dias de muita expectativa, mas enfim, Marituba é o primeiro município da área metropolitana com um Conselho dos Idosos. Ora viva! E eu, o chato, militei em favor e sou o primeiro presidente (mereço uma placa, porque não?) e tenho orgulho disso. Mas assim como não existem corpos sem alma, nada se faz sozinho. Ao longo do caminho percorrido encontramos pessoas que nos incentivaram, deram forças, nos orientaram.
Nesta lista tem a Patrícia, coordenadora do Cras Emmanuel Rocha – 2004/2006 -, a Ana Lucia, brilhante assistente social e uma batalhadora pela causa. Mas uma criatura muito, muito especial, lutadora, corajosa, que injetava ânimo todas as vezes que a gente esmorecia, Edilena Galvão foi, sem sombra de dúvida, a nossa baluarte na cruzada pela concretização do sonho de criar o nosso Conselho. São pessoas admiráveis, que não cruzam nossos caminhos por acaso, é Deus que orienta nossos passos na mesma direção. Acredito. Tivemos também a boa vontade do gestor que estava de plantão na época, e até o vereador que fez o projeto de Lei e o levou para votação na Câmara Municipal. Foi assim o parto do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa.
Quando a justiça afastou o, até agora, ultimo ocupante da cadeirona, que eu já estava achando-o bonzinho, e empossou o atual, Mário Filho, no dia 25/04/2014, ressabiei-me, e, de novo, muito santo da vida fui à primeira reunião com a nova equipe de governo. Quatro meses depois e várias reuniões (dezessete precisamente), dois fóruns, duas oficinas do Sinase, - André Franzini - uma da Política Nacional de Assistência Social- PNAS - Profª Maria Lucia Gaspar, já dá para traçar um diagnóstico: o município agora está bem servido. O esforço em fazer, e fazer bem, é visível. Existem falhas pontuais, que certamente, vão existir sempre, porém o que se vê deixa os munícipes mais animados. Mais felizes. Elogios prematuros? Não! Existem motivos, principalmente quando a tentativa de acertar é corrigindo falhas como o relato do parágrafo a seguir.
Um funcionário com cinco anos de serviço, 62 anos, vigilante, foi demitido em maio. Através de ofício solicitei, no dia 17 de julho, a reintegração do servidor com base no que preconiza o art. 3º, Lei 10.741 (Estatuto do Idoso). Demorou quase dois meses, mas hoje, 12/09, a Secretária de Assistência Social, Primeira Dama Michele Begot, que lógico, é esposa do chefe, garantiu-me que o idoso voltou ao emprego. Muito bem.
Foi assim, informalmente, que a SECRETÁRIA/DAMA DE PRIMEIRA, comunicou-me a
recondução do funcionário idoso ao emprego
Tem uma frase de um sábio chinês, Confúcio, 551 a.C. que diz: “não corrigir as próprias falhas é cometer a pior delas”. Existe, todavia, pessoas que quando travestidas de autoridade mandonista acha que é mais fácil ser imbecil do que voltar atrás numa decisão. O saudoso Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) dizia “que ninguém é bonzinho de graça”, logo... Bom, o certo é que o homem voltou. Intão tá.
E eu termino esta escrevinhação com a minha própria frase: a primeira Dama Michele Begot não fez nenhum favor, mas a atitude de reconduzir o velho servidor sem judicialização mostra que ela não se conforma em ser apenas uma primeira secretária. Quer mais, quer e tem tudo para ser, uma Secretária de Primeira... Amém !!!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

AS GUERRAS E O PROGRESSO, SÃO IRMÃOS SIAMESES?


 
A 3ª da esquerda para a direita, é a Jaqueline Almeida, jornalista, trabalha no Instituto Peabiru, que presta serviço à Unicef, foi a responsável pela capacitação da equipe de trabalho do Fórum Comunitário 

As guerras deixam algum legado bom? Deixam. Deixam Sim! E como...
Agora em agosto a primeira guerra mundia aniversaria. Completa 100 anos. E foi uma espécie de treino para a segunda, iniciada 25 anos depois, em 1939. Todas duas chefonas das guerras deixaram grandes benefícios à humanidade. Exemplos: Imagine o sofrimento que era soldado atirando com espingardas velhas que com certeza falhavam na hora fatal; quando isso acontecia, a luta tinha  que ser para enfiar baioneta na barriga um do outro. Credo! Era muito sofrimento.
O Avanço tecnológico já foi visto na segunda guerra: metralhadoras, fuzis e submarinos modernos, capacetes, encouraçados, armas químicas. Tudo de bom! Até a bomba atômica! Não fosse ela, a Segunda guerra se prolongaria por muito tempo.
Ao longo da história está provado, que nada é capaz de causar saltos tecnológicos tão grandes quanto uma guerra. E tem mais, quanto mais longa e sangrenta mais a tecnologia avança. Vejamos a aviação: na primeira guerra um Zepelim parecia uma tartarugona flutuando no ar e hoje, as super máquinas como os aviões de guerra americanos, modelos f 22, espalhando morte a 2.400km/h; na indústria automotiva, antes da primeirona,  a briga era em lombo de cavalos e foi justamente aí um dos maiores avanços, vieram os carros blindados, as motos Halley, por exemplo; na saúde, o raio X, o absorvente, os antibióticos.
A cirurgia plástica não começou agora esses dias com o Dr. Pitangui, não! Foi o esforço de um grupo de médicos que se juntou para remendar os rostos mutilados dos veteranos de guerra. Enfim, do banco de sangue, a lamina de barbear, alimentos enlatados e até, o hoje, absorvente íntimo, todos esses produtos são legados das duas guerras que mais mataram gente. Na comunicação então nem se fala. A internet de hoje, controle de tráfego aéreo e muitas e muitas outras coisas boas que  temos atualmente vieram, principalmente, como resultado das duas guerras mundiais. Ah, danadinhas...
Preste  atenção nessas siglas. Todas surgiram após as duas guerronas:
ONU= Organização das Nações Unidas
IAEA= Agência Internacional de Energia Atômica 
FAO= Organização de Comida e Agricultura  
OTAN= Organização do Tratado do Atlântico Norte
UNICEF= Fundo das Nações Unidas para a Infância
Pois é, de todos esses organismos que nasceram depois das maiores tragédias humanas e sociais, a UNICEF, fundada em 1946, justamente para ajudar crianças vítimas de guerras, isso a priori, porque hoje, presente em mais de 190 países em programas de desenvolvimento em longo prazo nos setores da saúde, educação, nutrição, água, saneamento e também em situações de emergência para defender as crianças vítimas não só de guerras, mas de outras catástrofes (que não são poucas), esta é, portanto,  a organização que merece o maior respeito pela proficuidade das atividades desenvolvidas em todo mundo, praticamente
Dos 610 municípios da Amazônia Legal onde o Unicef se faz presente, Marituba, no Pará, está se organizando em busca do Selo Unicef, que qualifica o município no quesito inclusão social, e é um dos mecanismos de estímulo às políticas públicas voltadas para a infância e adolescência. O pontapé inicial acontece no dia 8 de agosto, com a realização do 1º Fórum Comunitário.
 O Fórum faz parte da metodologia que a Unicef usa como estratégia para que os municípios partícipes elaborem um diagnóstico de como está a população de zero a dezessete anos, e tem como objetivo promover o fortalecimento  e a participação da comunidade nos processos de planejamento, execução, monitoramento e avaliação das políticas públicas voltadas para a criança e o adolescente, reunindo representantes e lideranças de associações de bairro, grupos religiosos, Conselhos e demais organizações que integram o sistema de garantia de direitos. 
 A Unicef é um dos maiores legados das guerras na área social e humana. Imaginemos: na primeira guerra morreram 19 milhões de pessoas, na segunda 60 milhões. Não fossem essas duas guerras e mais as catástrofes naturais onde morrem zilhões de criaturas, o mundo estaria hoje com uma superpopulação e quem, provavelmente, mataria as crianças, seriam os adultos... Para se alimentarem...
Dona Guerra! Feliz Aniversário pelos seus cem anos,  mas, por favor, pelo amor de Deus, não volte mais. ..

terça-feira, 22 de julho de 2014

"EI, ATENDE LOGO! É O MÁRIO...O PREFEITO..."



Ética, Respeito e Humanização. Sonhos impossíveis na política?

Na Grécia Antiga, período que vai de 1.100 ao ano 146 a.C., o  maior castigo que se podia impor a um ser humano, como pena a ser cumprida, não eram castigos físicos e nem pena de morte. Era o isolamento. O desterro. Era impedir o apenado de se comunicar com outras pessoas. E a comunicação entre criaturas é tão importante quanto  comer e beber. A incomunicabilidade é capaz de nos levar à morte. O homem se revela pelo que fala, pelo que escuta, e até pelo que lê. Logo, falar, escutar e ler pode ser terapêutico. A palavra certa dita no momento certo pode curar;  mas também a palavra errada, no caso, ofensiva, e dita na hora errada pode adoecer, quem sabe até, matar.  Não pode haver forma mais eficiente de se aproximar do semelhante do que pelo exercício  da palavra. Relacionar-se pelo exercício da palavra é uma chance preciosa de crescimento. É a vitrine que expõe de verdade quem você é para si e para os outros. Tá.
No dia 17/07/2014 aconteceu no auditório do IESP, aqui em Marituba, uma audiência pública. Era o executivo municipal fazendo um demonstrativo da LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias – para o exercício de 2015 (foi o que eu entendi).  Mas o  inusitado não foi a audiência, e sim, o que aconteceu na véspera. Eram quase dez horas da noite o telefone   em casa tocou, a minha mulher atendeu, me passou o aparelho e deu-se o seguinte diálogo:
- Alô, é seu Orlando?
- Sim. Sou eu, quem fala?
- Seu Orlando, aqui é o Mário...
- Que Mário?
- Mário Filho, seu Orlando.
- Mário Filho, o prefeito?
- Sim, seu Orlando.
- Bom, tô surpreso. A que devo a honra?
- Seu Orlando amanhã tem uma audiência pública lá no IESP e eu queria o senhor lá representando o Conselho do idoso...
Despedimo-nos com um “boa noite” recíproco e eu fui comentar com a irmãzinha o “estranho” e quase inacreditável telefonema, ponderando: - Caramba! O prefeito tem tanto secretário, assessor e puxa-sacos e ele mesmo faz essa convocação. Ah! Tô lisonjeado. Brinquei...
Bom, audiência pública é instrumento democrático de participação popular e um dos seus principais instrumentos é a oralidade. É quando executivo e legislativo ficam frente a frente com o eleitor reivindicante. Por isso que detentores de mandato nesse momento se escondem. Não aparecem. É que uma boa parte deles depois de eleitos costumam fugir  do povo como o diabo foge da água benta. Lá na audiência do IESP só dois vereadores apareceram, o presidente da Câmara e outro que está no primeiro mandato (ainda não exala o mau cheiro dos políticos profissionais).
O telefonema do prefeito pode até ser marketing pessoal, se for o alcaide vai economizar, e muito, dos R$ 2.400.000,00 previstos na LDO como despesa de ENCARGOS COM PUBLICIDADE DO PODER EXECUTIVO para o ano 2015, já que não vai precisar pagar marqueteiro, e além do mais, boa imagem se faz com trabalho e isso, felizmente, já é visível no município. Amém! O gesto do prefeito, também, é um “upgrade” na nova funcionalidade da gestão. Manter linha direta com pessoas do povo funciona como um catalisador de humanização. O Zé Mané que atende a ligação tende a se sentir o tal..., e isso é bom.
Na audiência, os dois minutos que me foi permitido falar, eu usei quase todo para fazer esta reivindicação que está neste ofício:
CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA
LEI 112/2013
MARITUBA - PARÁ

Ofício nº 002/2014
Ilustríssimo Sr. Mário Filho
Prefeito Municipal de Marituba

Eu, Orlando Mescouto Ramos, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa no município de Marituba, sirvo-me do presente para, valendo-me do Artigo 3º da Lei 10.741 – Estatuto do Idoso, que diz:  Dentre outros atores que é obrigação do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, direito ao trabalho. Reforçado no parágrafo único do capítulo VI, artigo 27. Textuais: “o primeiro critério de desempate em concurso público é a idade, dando-se preferência ao de idade mais elevada”. Dito isto venho solicitar a Vossa Excelência a recondução ao quadro funcional da Prefeitura desse município, do Sr. HENRIQUE PENICHE BARBOSA, 62 anos, que há cinco anos era funcionário da Prefeitura, trabalhando na função de vigia e ultimamente exercia essa atividade no colégio Santa Tereza D’Ávila, tendo como agravante o fato de ter sido contratado, para substituí-lo, funcionários mais jovens.
Em anexo, cópia dos documentos  do referido ex-funcionário.
Certo de que a solicitação será atendida, fique com meus votos de estima e consideração.
Marituba,  17 de julho de 2014.
____________________________________
Orlando Mescouto Ramos
O diplomata americano Henry Kissinger dizia que noventa por cento dos políticos dão aos dez por cento exemplos de péssima reputação. Entristece-nos esta constatação. Ainda não sei o resultado desta minha solicitação, mas o fato  de um idoso, com 62 anos que não cometeu falhas graves, há cinco anos na mesma função, trabalhando no mesmo emprego, ser demitido para a vaga ser ocupada por funcionário mais jovem (provavelmente pagamento de favores políticos) é a confirmação de que a velha prática de fazer política continua metendo um pé na bunda dos gestos nobres e bem intencionados. Infelizmente...


















sexta-feira, 4 de julho de 2014

FILHO, SEGUE TEU TRILHO, QUE O ESTADO TE ABENÇOE...

Último momento. A foto da turma após uma dinâmica. O André Franzini é o camisa preta na fila dos agachados.
O politicamente correto hoje aqui no GIGANTÃO PELA PRÓPRIA NATUREZA é falar bem de índio, mesmo daqueles que falam dois ou mais idiomas e só andam com filmadora a tiracolo e têm sky na aldeia, dizer sim para o estatuto da criança e do adolescente batendo palmas para o SINASE, não virar a cara quando ver duas mulheres se beijando na boca ou homens (?) fazendo juras de amor, fazer campanha para retirada dos símbolos sagrados catolicismo (imagem do crucifixo, ex.) dos tribunais alegando a laicidade do Estado, e tem a questão do negro, bolsa família, etc.
Eu sou negro e velho, logo, tenho que ter muito cuidado quando assumo uma posição contrária à maioria. Quando isso acontece sou olhado como se eu fosse uma jiboia de biquíni que rebolativamente começa uma sessão de strip-tease. Por pena, ou respeito, as pessoas do grupo onde estou me poupam. Tá. Mas hoje, 03/07, eu passei por um massacre. Uma derrota acachapante. Não sei bem quantos éramos, mas certamente que o grupo tinha aproximadamente 30 pessoas e participávamos de uma oficina que visava minudenciar o SINASE – Sistema Nacional do Atendimento Socioeducativo – Lei 12.594, e a exposição era feita por um dos luminares do assunto no Brasil e que ajudou na elaboração da Lei, o ítalo-brasileiro boa praça André Francini,  que presta consultoria à prefeitura de Marituba. A plateia era predominantemente composta de mulheres assistentes sociais, pedagogas, psicólogas e conselheiros. Homens? Só cinco, aliás, só quatro: três homens e um velho, no caso eu, e mais o preletor e um psicólogo.
Sala com ar condicionado perfeito, merenda farta e saborosa e um explicador muito, muito competente. Domina o assunto. Não é norma, mas nessas situações para os atentos aprendizes o sim é incontestável. Então. É nesses momentos que eu lembro Nelson Rodrigues. Ele cunhou a frase: “toda unanimidade é burra”. Provoquei:
- O Estado entrou tão forte nas famílias que agora não podemos criar nossos filhos segundo a nossa vontade. São tantas as leis e estatutos que a gente só faz o que o estado quer... Hum! Sofri um mas-sa-cre. Uma desqualificação branca. Os argumentos  foram reforçados com exemplos da "presença" do Estado na vida (bpc, acs, estatuto do idoso, até o Contran entrou na lista...) e não nas famílias como eu perguntei, deixaram-me mais mudo do que a Múmia de Ramsés. Também pudera. Perdi de 30 a 1. Mas será que foi uma derrota mesmo assim esmagadora?
Sabe jumento velho quando empaca que nem fogo debaixo da barriga o tira do lugar? Às vezes eu sou assim, teimoso. Mas a pergunta que eu fiz, na realidade, foi essa: 1 “se as  políticas convencionais de direitos humanos são hipocrisias políticas  institucionalizadas utópicas?”. A avalanche de argumentos factuais como resposta tomou mais de quinze minutos (exatos 18 minutos) da palestra/aula. E eu? Claro, sou teimoso, mas não sou tão burro, logo, calei-me. Detalhe: o professor/palestrante foi ajudado por algumas das escutantes da plateia.
Um dia antes, numa fila  da lotérica eu escutei duas pessoas conversando, transcrevo aqui: “pois é vizinho! Porque a senhora não quis dá o bombom o menino que devia ter uns três anos, mas era todo gordinho, deu uma tapa tão forte na cara da mãe dele que ela lagrimou. Senti que ela ficou com vergonha...” O senhorzinho contra argumentou, com gestos fortes e uma cara de raiva: “ eu tenho um filho de oito anos e digo mesmo pra ele, o dia que eu não puder mais contigo eu te meto uma bala na cabeça. E ele tem medo de mim...”A dúvida é: Qual dos dois está errado, a que cumpre a lei ou o que descumpre? Ou será eu ambos estão certos?
Um político mineiro que em votações complicadas sempre ficava em cima do muro e ainda argumentava que não era “contra nem a favor  muito pelo contrário...”  Pois sim, eu às vezes sou até  inconsequente no que digo, mas prefiro-me assim do que  ter problemas de refluxo com aquilo que ficou entalado na garganta por medo de falar. Dou sim, minhas opiniões. Sofro reveses, mas eles (os reveses) me fazem bem. Aprendo. E aprendo muito.
Lei da palmada, proíbe pais infligirem qualquer ação que resulte em sofrimento com suposta intenção de educar;  
ECA, conjunto de normas do ordenamento jurídico brasileiro que tem como objetivo a proteção integral da criança e do adolescente;
Sinase, regulamenta a execução das medidas socioeducativas destinadas a adolescentes que praticam ato infracional.
Bom, a mãe apanha uma tapa do filho que não pode devolver porque o Estado a proíbe; o “de menor” mete uma bala na cabeça no momento que rouba o celular,  só porque a vítima olhou-o no rosto, e é protegido pelo Estado (sob a tutela do Estado o amizade não é bandido e nem mais menor infrator é um “socioeducando”); jovens e até crianças se envolvem mais cedo e mais rapidamente na criminalidade em comparação com algumas décadas atrás, quando não era só palmada mas cinturãozada, rimpada, cipoada com galho de goiabeira (um conselheiro tutelar anda com uma borracha pregada num pau para ilustrar as palestras dele, que foi mostrada  para ajudar me desqualificar e uma lamparina. Não entendi o por quê da lamparina). Eu sei que o super André Franzini não vai perder tempo lendo as baboseiras que eu escrevo aqui. Mas, para encerrar,  eu vou fazer mais perguntas.
Pergunta 2 (a 1 está lá em cima): Será que os ideólogos/humanistas/esquerdistas não estão querendo a todo custo anular o conceito de submissão de autoridade dos pais para submetê-los (filhos) ao domínio do Estado?
Pergunta 3: Será que esses atores não estão ansiando tornar a família um laboratório de pesquisa para psicopatias ideológicas com a intenção de implantar na sociedade uma consciência anestesiada incapaz de reagir às intromissões do Estado em assuntos privados (lembrar Hitler)?
Ultima pergunta, a 4:
Será que não é hora da sociedade brasileira reagir ao esvaziamento da autoridade dos pais antes que venha uma lei que decrete a total impossibilidade deles (pais) impor disciplina aos filhos?
Bom, irmãozinhos, é assim que eu penso...Quem concordar, maravilha,  Vá Fá I. Quem não concordar, paciência, Vá Fá II...
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