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quarta-feira, 28 de março de 2012

FÉ NO QUE VIRÁ? HUM, CUIDADO!


A gente que gosta de escrever não tem jeito, escreve. E eu gosto. Vivia encrencando com a minha mulher porque ela não saia da frente do computador e escutava as broncas dela que me chamava até de tecnofóbico, que eu sim, devia me “atualizar”. De fato, na minha cabeça eu achava que caneta e papel eram os únicos instrumentos capazes e inspiradores de uma boa escrita. Tinha raiva do computador. Comprei (por 20 reais) uma máquina velha de escrever que era para fazer os meus textos. A desculpa da ignorância quando era cobrado sobre o porquê do não uso do computador: “Ah, cachorro velho não late ou papagaio velho não fala”. 
Bom, sou usuário de um CRAS – Centro de Referência e Assistência Social – e lá implantaram curso de informática para os idosos, aí eu fiz digitação. Como trabalhei muitos anos em escritório e a posição das letras no teclado é o mesmo das máquinas datilográficas, foi fácil. Aprendi rápido.
Quando colocamos uma internet em casa, que é mais lenta do que romaria de tartaruga, fui me empolgando. Peguei gosto. Com ajuda da madame criei um blog, o “blogdojambu”, agora acabou a folga. O hipotálamo e o cerebelo estão trabalhando mais. Dá uma certa tristeza porque as pessoas quase não leem . Uma pena. É que a massa gosta mesmo das redes sociais populares – quem está bombando agora é o  “face” – com mensagens do tipo: “Tô tistinha pq vc ñ veio” ou “knsada d+ vou mimi”. E por aí vai. Assuntos bons ficam chatos, cansativos, insuportáveis de ler. Fazer o quê? Não vou parar de escrever, aliás, vou parar sim, quando não puder mais. Até por que:
Assunto não falta. Hoje eu estava em Belém lá pelo centro comercial e passando pela rua Manoel Barata esquina da travessa 7 de setembro, fiquei estupefato. Caramba! De vez em quando o “rapa” da prefeitura sai às ruas arrancando placas de publicidade irregulares, bancas de revistas, tacacazeira, tabuleiro de bombonzeiro, o diabo a quatro. Certo. Certíssimo! A cidade precisa dos espaços onde as pessoas circulem livremente mas, pô! O que me deixou estarrecido é que na esquina mencionada tem um “restaurante” ao ar livre que fecha totalmente a rua.  
Armaram no chão um tabuado (atenção no detalhe: É de madeira), deve ser uma exigência do código de posturas. Armação, lona em cima, fogão, mesas e cadeiras. Tem de tudo lá, menos, é claro, higiene. Eu acho que deve fazer parte do roteiro gastronômico turístico municipal. Meu Deus! Rua fechada. Eu hem!
 Aí me veio na mente algumas recordações desses mandantes efêmeros que deixam heranças eternas. Exemplos não faltam. Um outro prefeito (ô população de sorte) que foi o dono da bola por 8 anos. Dois mandatos. Lembram aos domingos como ficava a Assis de Vasconcelos em toda a extensão da Praça da República? Era a boiódroma popular. Êta, que lindo era. Vatapá, caruru, maniçoba, pato no tucupi, caldo da cabeça de gurijuba; pirarucu, piramutaba, tudo assado com açaí; a imundice que ficava? Ah, irrelevante. Afinal o objetivo do alcaide era nobre: Mostrar o ecletismo da gastronomia belenense na via pública. Que lugar melhor para esses eventos? Praça pública, claro. Afinal estes camaradas quando estão no topo do poder, e a nível municipal o topo é cargo de prefeito, ficam muito criativos. Ih! O criador da boiódroma na praça está batendo na porta do todo poderoso eleitor. “Fé no que virá”. Cuidado! Pode começar tudo de novo.
Um desses, aliás, esse, a pipira já beliscou (morreu). Uma vez um jornalista perguntou assim: “Prefeito o Senhor vai fazer a reforma do Ver o Peso? “Que reforma que nada! o povo gosta é de imundice”. Foi a resposta. Noutra ocasião os médicos do Pronto Socorro estavam em greve. Indagado que atitude tomar em relação aos grevistas. A resposta: “Médico é parece sal:  branquinho, barato e em todo lugar tem”. Já virou anjo. Deus o tenha.
É assim, eles todos (e nós também, claro) um dia saem de cena, viram pó, mas as obras que deixam como herança quando ideológicas ou de concreto sustenido, só o tempo corrói. Pior, na galeria dos ex-prefeitos estão lá todos ostentando no peito o brasão municipal, tanto os que são motivo de orgulho de seus conterrâneos, quanto os pilhadores que sugaram até a seiva das árvores de mangas da “cidade das mangueiras”. Esses a fotografia devia ficar virada de costa ou, se de frente, com uma legenda em baixo do nome do finado: “Só fez merda...”
NB. QUER CONHECER (SE AINDA NÃO CONHECE, LÓGICO) UM ESPAÇO HÍPER LEGAL, VISITE O MABE – MUSEU DE ARTE DE BELÉM. VÁ, VÁ LÁ, É MUITO BACANA. 

domingo, 25 de março de 2012

Na bêra du aquele

Santa Cruz de Urubobó era um desses lugarejos tão distantes que a gente costumava dizer que é "lá onde o diabo perdeu o cachimbo" (ou "cu do judas"). Lá existiam outros lugares como Pau de Remo, Livramento, Fundo de Pote e Cristal - onde o mataram o justiceiro Quintino - tudo no alto Rio Piriá, divisão entre os Estados de Pará e Maranhão.
Era final dos anos 60. O seu Orlando (também conhecido como Jambu) e d. Raimunda, a Dona Mundinha, com muito sacrifício mandaram a filha mais velha, a Núbia, morar com uma família em Belém e como era costume, acho que ainda é, a menina trocava o serviço de doméstica de dia para estudar a noite. Até que deu certo. A Núbia fez o primário, admissão ao ginásio,  o científico depois prestou vestibular e entrou para a Escola Superior de Enfermagem. Uma vitória e tanto. Pobre, preta, meio escravizada e fazendo nível superior, coisa que ninguém da família onde morava e trabalhava não tinha conseguido. Diga-se, como a maioria absoluta das famílias esta não só explorou, ajudou também.
A d. Mundinha e o seu Jambu tinham outros filhos que davam duro na lavoura. A cidade mais movimentada que o casal já tinha visitado era Castanhal. Mas a véia adoeceu. Nasceu uns "negóço na bêra du aquele", era como ele dizia  quando alguém perguntava. Na verdade uns furúnculos, nódulos inflamatórios no anus, que todos os remédios orientados pelos pajés lá no interior não tinham trazido melhoras e só não piorou porque tão logo a filha soube que a mãe estava doente só sossegou quando, após muita insistência, conseguiu trazer o casal para Belém mas com uma condição imposta pela mãe: só viria se fosse acompanhada pelo marido. Não queria tá dando "trabalho p'ros outro".
A Núbia já tinha um razoável conhecimento no mundo acadêmico a que pertencia e conseguiu uma consulta pra mãe com certa facilidade e o pai, coitado, estava lá. Homem analfabeto, rude, tôsco mesmo e vocabulário limitado. Já no consultório umas vinte pessoas, a maioria mulheres que fingiam ler revistas velhas de um monte de diferentes tipos de literaturas já tinham notado a presença do casal, digamos, diferente. Antes da d. Mundinha ser chamada pela atendente a Núbia chamou o pai e orientou:
- Pai, o Senhor é que vai entrar,  mas cuidado como vai falar, não se esqueça que a mãe tá doente do anus, viu? Não esqueça é anus. "Tá, tá bom", respondeu o velho já meio invocado.
Já na sala de consulta e os dois lá travados, envergonhados. E o doutor:
- Diga dona Raimunda, o que a senhora tem?.
Ela, quase desesperada, olhava para o marido. Pedia socorro. E ele prontamente:
- Dotô, ela tá cuns negóço na bera du...Esqueceu o nome que a filha se preocupou tanto em ensiná-lo e pensando em voz alta ainda resmungou:
- Diacho, cuma é o nome du... Aí não se conteve, foi até a porta do consultório, abriu num safanão e falou meio gritando com a filha:
- Ô Nubinha, DROGA! TU INVENTA CADA NOME PRAS COISA, CUMA É MESMO O NOME DO CU DA TUA MÃE?


segunda-feira, 19 de março de 2012

Estamos em Obras: É ano eleitoral!


Começou o fenômeno da euforia trabalhística. E começa com gentilezas como sorrisos, abraços em gente suada, carregamento de crianças, onipresença em velórios, missas de sétimo dia, apertos de mão então nem se fala, e preocupação com os doentes. Muita preocupação. O problema é que doentes saem das salas de cirurgia porque a prioridade é do paciente recomendado pelo vereador tal.  São os efeitos colaterais de ano eleitoral.
 São 5.565 municípios nesse Brasilsão de meu Deus, e na maioria deles, os seus gerentes querem a prorrogação do mandato ou colocar um parceiro, um substituto amigo e leal, de preferência do mesmo partido, que é para evitar aquele negócio de auditoria, essas coisas de quem quer mostrar ao distinto público no início do mandato, os “maus feitos” dos outros e coisa e tal. Parceiro não entrega parceiro. Na bandidagem é assim. Na política também.
Esse é um ano atípico, diferente.  A cor do partido da situação tem de estar, da camisa do chefe ao funcionário mais humilde; das lixeiras dos banheiros nas repartições ao prédio público mais suntuoso. É necessário. Mostrar cores partidárias faz parte do jogo.  Ao  mesmo tempo que dá visibilidade ideológica, essa policromia cega os eleitores, que com seus votos dão uma procuração para que sua excelência se transforme em administrador público, com livre arbítrio para ungir e mugir.
Como parte do método policrômico de chamar atenção pelo colorido em movimento, todo mundo recebe uniformes de graça; assistidos por projetos sociais, dos projovens aos terceiridadistas; operários tem que usar uniformes do tipo “cheguei”. Isso tudo faz parte do toque de Midas, das espertezas e velhacarias dos finórios.
Ah! E as obras que, de tanto tempo paradas estão com limo, inconclusas, paradas a um porrilhão de tempo? Estas agora saem.  Agora tem verba para tudo. Agora as máquinas não param, caçambas, caminhões, e as placas anunciando o “aqui se trabalha”, “interdidado, estamos em obras” ou homens trabalhando passam a fazer parte da paisagem. Os homens agora estão suando até debaixo de chuva. De repente, não mais que de repente, aquela rua que depois de uma chuvinha enchia, enlameava tudo, recebe a visita dum cassaco nível “a” avisando que, “vamos asfaltar a sua rua” e logo no outro dia, pasmem! É verdade. Todo o aparato mecanizado e braçal toma conta do pedaço, e na inauguração a “entourage” vem na frente soltando foguetes, pistola, carro som, puxa-sacos por todos os lados (eles também são parte integrante do sistema).
Enfim, é ano eleitoral. Viva o Brasilsilsil...

domingo, 11 de março de 2012

Somos Humanidade 4

"Cada ser humano possui o direito de escolher sua própria maneira de servir o sagrado e deve fazê-lo sem perseguições ou discriminações. Deve fazê-lo com liberdade" (Encantaria Cigana)

No Brasil, o arttigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, prevista no texto da Constitução de 88, determina que a educação religiosa nas escolas públicas assegure "o respeito a diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer forma de proselitismo". Será que isso acontece mesmo? O MEC fiscaliza? Humhum...
No ultimo texto eu prometi que ia relacionar, dentro do que se chama de sincretismo religioso, que é a fusão de elementos culturais diferentes, em um só elemento, no caso, os Santos da Igreja Católica e os Orixás Africanos. Funciona mais ou menos assim: (lembrando sempre que aqui se fala do candonblé gueto da Bahia).
Exu: é o orixá mensageiro, guardião das encruzilhadas e da entrada das casas, no sincretismo ele é o diabo - esse não tem nada de Santo;  Ogum: orixá da metalurgia e da tecnologia, deus da guerra, e no sincretismo São Jorge e Santo  Antonio; Oxóssi: (ou Odé), orixá da caça, deus da fauna, e no sincretismo São Sebastião e São Jorge; Ossaim: orixá da vegetação, deus das folhas e no sincretismo: Sato Onofre; Oxumaré: orixá do arco-íris, no sincretismo: São Bartolomeu; Obaluaiê: (ou Omulu), orixa´da varíola, da peste, praga e no sincretismo: São Roque e São Lázaro; Xangô: Orixá do trovão, deus da justiça, no sincretismo:  São Jeronimo e São João Batista; Iansã: (ou Oiá) Orixá do relâmpago, dona do espírito dos mortos, no sincretismo: Santa Bárbara; Obá: orixá da água, deusa do trabalho doméstico e do poder da mulher, sincretismo: Sata Joana D'Arc; Oxum: orixá das águas doces e do ouro, deusa do amor e da fertilidade, no sincretismo: Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora Aparecida; Logum Edé: Orixá dos rios dentro das florestas, no sincretismo: São Miguel Arcanjo; Iemanjá: Orixá das águas grandes, dos mares e oceanos, a grande mãe, deusa da maternidade, no sincretismo: Nossa Senhora das Candeias ou dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição; Nanã: orixá da lama do fundo das águas, no sincretismo: Santa Ana; Oxaguiã: orixá da criação da cultura material  (o Oxalá jovem), no sincretismo: Menino Jesus; Oxalufã: (ou Obatalá): Orixá da criação da humanidade (Orixá Velho), no sincretismo: Cristo Redentor, Senhor do Bonfim.
Tem muita  mas muita coisa ainda sobre religiões de raízes africanas, na realidade o assunto é infindo, vou parar por aqui pelo candomblé que foi na verdade só uma pincelada, ademais eu não sou especialista no assunto, estou só exercendo a curiosidade.
É bom repetir, para os seguidores da umbanda ou do condomblé, o terreiro é um templo sagrado, portanto, merecem e devem ser respeitados assim como são respeitados os templos de igrejas ditas cristãs, principalmente aqueles que chamam os candomblecistas ou umbandistas de "adoradores do diabo".Afinal a verdade não pertence a ninguém. Há um pedacinho dela em cada lugar, em cada crença, dentro de cada um de nós. Próximo assunto: Islamismo

sexta-feira, 9 de março de 2012

Eu trafico, roubo, mato sim, e daí? Sou de menor...

Até julho de 2011 o Brasil tinha 11.442  Leis ordinárias. Leis tão perfeitas que são, inclusive, copiadas por outros Países.  Tem lei para tudo e todos. Não vemos ricos, políticos, juízes, promotores, desembargadores nas cadeias por razões diversas, mas a principal tem raízes lá atrás. Afinal a primeira universidade no Brasil tem só 210 anos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundada em 1792), antes as elites mandavam seus filhotes para a Europa, principalmente Coimbra em Portugal, de onde vinham doutores e aqui eram os fazedores de leis, leis que já traziam na cerne o escudo de proteção dos seus criadores, como é até hoje e como vai ser até sempre. É o tal fôro privilegiado.
Com ele juiz mata, esfola e recebe uma censura interna como punição, quando o crime cometido pelo meretíssimo é muito grave, escabroso, hediondo, aí ele recebe a pena máxima. Máxima mesmo: é aposentado com os proventos integrais. Enfim, começa que o sujeito com curso superior, caso vá para a cadeia, tem direito a cela especial. Enfim de novo, congressistas e togados vivem em simbiose, tanto os, como diz a Doutora Eliana Calmon, bandidos, como os fichas limpas, dão-se as mãos quando um precisa do outro. É a lei do é dando que se recebe, não está na Constituição mas que é de usufruto vitalício entre os parceiros.
Eu, sinceramente nem ia escrever sobre isso, o assunto era sobre leis mas no momento que eu comecei teclar, li uma notícia no blog do jornalista paraense Lucio Flávio Pinto e fiquei  tão revoltado com que juízes (mais precisamente um deles) fizeram com esse camarada que acabei desviando o tema do meu texto, que são as alterações no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Li, reli,  li de novo os artigos que alteraram a Lei. Um saco! E o pior, acabei não entendendo quase nada. É tudo muito difícil.
Mas a verdade é que a Lei 12.594 que instituiu o SINASE, Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativas, agradou as entidades de defesa dos direitos humanos da infância e da juventude e os promotores da área. Agora com mais direitos os menores bandidos, aliás, infratores, estão  mais a vontade para usufruirem o gozo dos benefícios das leis (ou lincenciosidades?). O menor sabe, por exemplo, que se emprenhar a miúda de 12 anos não vai preso. Os avós ou o Estado tomam conta da cria; sabe que se for apreendido, (não é preso, não!) além de poder receber visita íntima, ninquém pode nem olhar  feio para ele, o jovem; ele sabe que quando estiver lá fora tem um patrão que lhe fornece "mercadoria" de cujo lucro, além de poder comprar o tênis "de marca", ajuda a proteger o chefe, que está sempre na moita; ele sabe que assaltos, latrocínios, homicídios não afetam em nada, ou seja, não prejudica a maioridade, quando (e se) atingi-la vai estar limpo. Limpinho. Só uma preocupação: a famigerada justiça com as próprias mãos, faz crescer os grupos de extermínio, assassinato de jovenzinhos infratores. A vingança como punição.
As estastísticas estão aí: depois da Constituição cidadã que trouxe no bojo a Lei  8.069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e agora com os "melhoramentos" introduzidos, aumentam também os efeitos colaterais negativos. Ou não...?
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