Começou o fenômeno da euforia trabalhística.
E começa com gentilezas como sorrisos, abraços em gente suada, carregamento de
crianças, onipresença em velórios, missas de sétimo dia, apertos de mão então
nem se fala, e preocupação com os doentes. Muita preocupação. O problema é que
doentes saem das salas de cirurgia porque a prioridade é do paciente
recomendado pelo vereador tal. São os
efeitos colaterais de ano eleitoral.
São 5.565 municípios nesse Brasilsão de meu
Deus, e na maioria deles, os seus gerentes querem a prorrogação do mandato ou colocar
um parceiro, um substituto amigo e leal, de preferência do mesmo partido, que é
para evitar aquele negócio de auditoria, essas coisas de quem quer mostrar ao
distinto público no início do mandato, os “maus feitos” dos outros e coisa e
tal. Parceiro não entrega parceiro. Na bandidagem é assim. Na política também.
Esse é um ano atípico, diferente.
A cor do partido da situação tem de estar,
da camisa do chefe ao funcionário mais humilde; das lixeiras dos banheiros nas
repartições ao prédio público mais suntuoso. É necessário. Mostrar cores
partidárias faz parte do jogo. Ao mesmo tempo que dá visibilidade ideológica,
essa policromia cega os eleitores, que com seus votos dão uma procuração para
que sua excelência se transforme em administrador público, com livre arbítrio
para ungir e mugir.
Como parte do método policrômico
de chamar atenção pelo colorido em movimento, todo mundo recebe uniformes de
graça; assistidos por projetos sociais, dos projovens aos terceiridadistas; operários
tem que usar uniformes do tipo “cheguei”.
Isso tudo faz parte do toque de Midas, das espertezas e velhacarias dos
finórios.
Ah! E as obras que, de tanto
tempo paradas estão com limo, inconclusas, paradas a um porrilhão de tempo?
Estas agora saem. Agora tem verba para
tudo. Agora as máquinas não param, caçambas, caminhões, e as placas anunciando
o “aqui se trabalha”, “interdidado, estamos em obras” ou homens trabalhando passam a fazer parte
da paisagem. Os homens agora estão suando até debaixo de chuva. De repente, não
mais que de repente, aquela rua que depois de uma chuvinha enchia, enlameava
tudo, recebe a visita dum cassaco nível “a”
avisando que, “vamos asfaltar a sua rua” e logo no outro dia, pasmem! É
verdade. Todo o aparato mecanizado e braçal toma conta do pedaço, e na
inauguração a “entourage” vem na frente soltando foguetes, pistola, carro som,
puxa-sacos por todos os lados (eles também são parte integrante do sistema).
Enfim, é ano eleitoral. Viva o
Brasilsilsil...


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