A gente que gosta de escrever não tem jeito,
escreve. E eu gosto. Vivia encrencando com a minha mulher porque ela não saia da
frente do computador e escutava as broncas dela que me chamava até de
tecnofóbico, que eu sim, devia me “atualizar”. De fato, na minha cabeça eu
achava que caneta e papel eram os únicos instrumentos capazes e inspiradores de
uma boa escrita. Tinha raiva do computador. Comprei (por 20 reais) uma máquina
velha de escrever que era para fazer os meus textos. A desculpa da ignorância
quando era cobrado sobre o porquê do não uso do computador: “Ah, cachorro velho não late ou papagaio
velho não fala”.
Bom, sou usuário de um CRAS
– Centro de Referência e Assistência Social – e lá implantaram curso de informática
para os idosos, aí eu fiz digitação. Como trabalhei muitos anos em escritório e
a posição das letras no teclado é o mesmo das máquinas datilográficas, foi
fácil. Aprendi rápido.
Quando colocamos uma internet em casa, que é mais
lenta do que romaria de tartaruga, fui me empolgando. Peguei gosto. Com ajuda
da madame criei um blog, o “blogdojambu”, agora acabou a folga. O hipotálamo e
o cerebelo estão trabalhando mais. Dá uma certa tristeza porque as pessoas
quase não leem . Uma pena. É que a massa gosta mesmo das redes sociais populares
– quem está bombando agora é o “face” –
com mensagens do tipo: “Tô tistinha pq vc
ñ veio” ou “knsada d+ vou mimi”. E
por aí vai. Assuntos bons ficam chatos, cansativos, insuportáveis de ler. Fazer
o quê? Não vou parar de escrever, aliás, vou parar sim, quando não puder mais.
Até por que:
Assunto não falta. Hoje eu estava em Belém lá pelo
centro comercial e passando pela rua Manoel Barata esquina da travessa 7 de
setembro, fiquei estupefato. Caramba! De vez em quando o “rapa” da prefeitura
sai às ruas arrancando placas de publicidade irregulares, bancas de revistas,
tacacazeira, tabuleiro de bombonzeiro, o diabo a quatro. Certo. Certíssimo! A cidade
precisa dos espaços onde as pessoas circulem livremente mas, pô! O que me deixou
estarrecido é que na esquina mencionada tem um “restaurante” ao ar livre que
fecha totalmente a rua.
Armaram no chão um tabuado (atenção no detalhe: É
de madeira), deve ser uma exigência do código de posturas. Armação, lona em
cima, fogão, mesas e cadeiras. Tem de tudo lá, menos, é claro, higiene. Eu acho
que deve fazer parte do roteiro gastronômico turístico municipal. Meu Deus! Rua
fechada. Eu hem!
Aí me veio na
mente algumas recordações desses mandantes efêmeros que deixam heranças
eternas. Exemplos não faltam. Um outro prefeito (ô população de sorte) que foi
o dono da bola por 8 anos. Dois mandatos. Lembram aos domingos como ficava a
Assis de Vasconcelos em toda a extensão da Praça da República? Era a boiódroma popular. Êta, que lindo era.
Vatapá, caruru, maniçoba, pato no tucupi, caldo da cabeça de gurijuba;
pirarucu, piramutaba, tudo assado com açaí; a imundice que ficava? Ah,
irrelevante. Afinal o objetivo do alcaide era nobre: Mostrar o ecletismo da
gastronomia belenense na via pública. Que lugar melhor para esses eventos?
Praça pública, claro. Afinal estes camaradas quando estão no topo do poder, e a
nível municipal o topo é cargo de prefeito, ficam muito criativos. Ih! O criador
da boiódroma na praça está batendo na
porta do todo poderoso eleitor. “Fé no
que virá”. Cuidado! Pode começar tudo de novo.
Um desses, aliás, esse, a pipira já beliscou
(morreu). Uma vez um jornalista perguntou assim: “Prefeito o Senhor vai fazer a
reforma do Ver o Peso? “Que reforma que nada! o povo gosta é de imundice”. Foi
a resposta. Noutra ocasião os médicos do Pronto Socorro estavam em greve. Indagado
que atitude tomar em relação aos grevistas. A resposta: “Médico é parece sal: branquinho, barato e em todo lugar tem”. Já
virou anjo. Deus o tenha.
É assim, eles todos (e nós também, claro) um dia
saem de cena, viram pó, mas as obras que deixam como herança quando ideológicas
ou de concreto sustenido, só o tempo corrói. Pior, na galeria dos ex-prefeitos
estão lá todos ostentando no peito o brasão municipal, tanto os que são motivo
de orgulho de seus conterrâneos, quanto os pilhadores que sugaram até a seiva
das árvores de mangas da “cidade das mangueiras”. Esses a fotografia devia
ficar virada de costa ou, se de frente, com uma legenda em baixo do nome do finado: “Só
fez merda...”
NB. QUER CONHECER (SE AINDA NÃO CONHECE, LÓGICO) UM
ESPAÇO HÍPER LEGAL, VISITE O MABE – MUSEU DE ARTE DE BELÉM.
VÁ, VÁ LÁ, É MUITO BACANA.


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