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domingo, 22 de dezembro de 2013

TONINHO E ISA, UM CONTO DE NATAL


(HOMENAGEM ESPECIAL A IARA CECÍLIA, MINHA NETA, QUE INSPIROU-ME NESTE TEXTO)

Toninho coordenava uma equipe de mulheres artesãs que expunham seus trabalhos nas barracas da praça principal da cidade, Acaputeua. Ele era educador social. Tinha projetos políticos para o futuro, quem sabe uma vereança. D. Graça, a encarregada de organizar a montagem das barracas nos finais de semana, estava sempre acompanhada de uma moça negra muito linda.
- Bom dia D. Graça. Cadê as outras?  
 Perguntou o Toninho pelas outras mulheres artesãs.
Era domingo quase nove horas. A D. Graça arrumava as tralhas e o movimento de pessoas na praça já era grande.
-Inda num chegaram Toninho, mas já já elas tão por aqui.
 Como que por  encanto todas apareceram, quase ao mesmo tempo. A conversaria tomou conta do espaço, e no meio a gargalhadas e falação todas as barracas foram rapidinhas montadas e enfeitadas com os mais variados produtos.
 Começava mais um domingo do arte na praça, nome do projeto do Toninho, que foi se chegando para junto da D. Graça e tímido, meio sem jeito, perguntou quem era aquela bela jovem que a acompanhava sempre.
- É a Isa minha filha, mas ela já tem namorado por quê? Respondeu a D. Graça, de forma bem intimidatória.
O encabulado Toninho disfarçou, saiu de fininho, mas deu um olhar de esguelha e uma piscadela em direção à moça, que correspondeu com um sorriso dissimulado.
O tempo passou. Seis meses depois Toninho e Isa estavam namorando firmes.
O tempo passou. Dois anos mais e os dois estavam casados.
O tempo passou. Cinco anos após o casamento chegou um circo lá em Acaputeua.
O circo recém chegado armou a lona colorida no terreno ao lado da praça com o nome vistoso Le Grand Cirque Français e anunciou a inauguração, tendo como maior atração Margot, uma francesa com todos os atributos indispensáveis para deixar os homens malucos. Linda. Desfilou em carro aberto pelas principais ruas da cidadezinha. Toda garbosa, luxuosa, bela, esplêndida, majestosa. O resultado apareceu nas bilheterias. O circo ficou lotado. A maioria homens. Dentre os poucos que estavam acompanhados o Toninho estava lá, com a Isa. Ela meio trombuda, e com razão. Quando a francesa apareceu foi um furor. Até ele, Toninho, sempre muito compenetrado, de repente, embasbacou. Ficou com um semblante amortecido, abrandado. Parecia meio leso. Cara de apaixonado.
O tempo passou. Três meses depois quando o circo levantou lona o Toninho desapareceu de casa. Sumiu junto com o circo. Fugiu com a Margot.
E o tempo passou. Muito tempo. Trinta e cinco anos. Era noite de  24 de dezembro, véspera de Natal.
A Isa escolhia algo simples para fazer uma pequena ceia. Ainda mantinha os traços da beleza dos tempos idos. Vaidosa, malhava, por isso tinha um corpo perfeito. Aposentou-se como professora. Levava uma vida tranquila. De repente, como se tivesse sido atraída por uma força invisível virou-se rápido, e deparou com um homem idoso de cabelos grisalhos, um pouco gordo que a olhava com insistência. Ela o encarou, e como um raio sua mente começou trabalhar e, pimba! Reconheceu o cidadão.  Tremendo em cima dos sapatos, porém, com uma firmeza inusitada, cumprimentou aquele homem macambúzio, abatido, meio envergonhado, que parecia querer atravessar-lhe com o olhar. Era o Toninho.
- Oi, Toninho. Tudo bem com você? Falou, estendendo-lhe às mãos.
O encabulado Toninho evitava olhar nos olhos da Isa. Parecia acabrunhado. Monossilábico, custou engrenar um assunto. Na realidade ambos evitavam abrir uma mala sobrecarregada de tristes recordações. De repente, próximo dali da loja de conveniência onde eles se encontravam começou ressoar os sinos da igreja, que anunciavam o início da missa do galo. Era Noite de Natal. Fez-se um breve silêncio quebrado pela Isa que, aliás, era a iniciadora dos argumentos de conversação.
- Vamos cear em casa. Ainda moro no mesmo endereço.
- Não! Não fica bem eu e você juntos. O povo vai falar...
- Ô Toninho! Quem vai ligar pra dois velhos andando juntos. Vamos logo.
Ele aquiesceu. Saíram da lojinha conversando banalidades.
A emoção estava visível na fisionomia do Toninho quando ele entrou na casa onde fora tão feliz. Sentou-se à mesa no mesmo lugar onde sentara pela ultima vez mais de trinta anos atrás. Nada tinha mudado na casa a não ser um ou outro objeto decorativo. Até as fotos emolduradas do casamento estavam lá penduradas e os sorrisos dos dois, ainda vestidos de noivos, parecia tirar um sarro com cara que ambos estavam naquele momento. E a Isa pra lá e pra cá. Enquanto arrumava e abastecia pratinhos  não parava de falar com um Toninho que continuava lacônico. Inquieto ele não parava de olhar para o quarto do casal, e principalmente para um par de chinelões  masculinos, lá arrumadinhos embaixo da cama, como que esperando o pé do dono. Já quase duas da manhã, o movimento nas ruas era grande e a Isa apesar de falante evitava cuidadosamente tocar em assuntos desagradáveis para os dois, e o Toninho agoniado, não parava de olhar para  aquele par de chinelos de homem lá, embaixo da cama.
Demonstrando preocupação pelo horário a Isa pediu para o Toninho ficar. Ele recusou. Alegou que “não fica bem um homem passar a noite na casa de uma dama que mora só”. Ela insistiu.
- Toninho, nós já estamos bastante velhos pra nos preocuparmos com falação do povo, não achas? Pior é tu sair essa hora da noite correndo riscos por aí...
A angústia do Toninho estava virando aflição. Muito nervoso ele não aguentou. Falou entredentes com a voz trêmula:
- É. Eu até  posso ficar aqui com você, mas, e esse chinelão de homem aí embaixo da cama. De quem éé...?
Perguntou quase berrando  com os olhos pululando de ódio e ciúme.
Quá quá quá quá quá!!! A Isa caiu na gargalhada. Riu tanto que quase nem conseguia responder ao ansioso Toninho:
- É o teu chinelo, Toninho. Taí do mesmo jeito que você deixou na noite que você sumiu de casa...
Lá fora duas pessoas despediam, desejando um ao outro um Feliz Natal....

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"RESTAURE-SE A MORALIDADE, OU NOS LOCUPLETEMOS TODOS..."

ASSIM FOI A NOSSA CONFRATERNIZAÇÃO: 30 USUÁRIOS IDOSOS E FUNCIONÁRIOS. QUEM ENXERGAR UMA AUTORIDADE DO PRIMEIRO  ESCALÃO GANHA UM EMPREGO COMO FUNCIONÁRIO FANTASMA NA PMM
“Rouba, mas faz”. Isto está tão arraigado na crença  popular que os larápios se sentem os tais. São uns virtuosos. Tem um senador paraense dono de uma das maiores fortunas no Estado que é mais conhecido pelas larapiosas manobras que se envolveu na carreira política (antes da era Joaquim Barbosa foi o primeiro político do escalão superior que viajou de um Estado a outro algemado no avião). Tá, mas vá falar mal dele numa dessas áreas de ocupação chamadas de jardelândias que existem por aí, vá...Quem quiser fazer isso que o faça mas sem a garantia de sair vivo de lá. Por quê? Porque o homem é o “o bom ladrão”.  No imaginário popular o habitante pobre  da área invadida tem casa  hoje porque foi ele quem “deu” quando era governador. E o povo não esquece quem lhe faz algum bem, principalmente se esse bem feitor é dono de emissoras de rádio que 24 horas por dia estão lá a falar bem  desse santo homem, tanto que na ultima eleição ele teve, só no Estado, mais votos do que a campanha “ficha limpa” que foi votada em todo Brasil.
Renascer é o nome do grupo da terceira idade de Marituba. Até antes do ex-gestor Couto (aquele que saiu pela porta dos fundos) nós nos congregávamos todos no Cras Emmanuel Rocha,  no bairro do Decouville. Houve o desmembramento  e o que era um cento de convivência passou a ser quatro. Sou usuário a quase dez anos do projeto e nesse período passaram três prefeitos  regularmente eleitos. Os interinos são um escracho que vieram, com o aval da lei, diga-se, só abocanhar os seus nacos. Eles se deram bem. Uns estão cassados (improbidade), mas com as vidas feitas e lógico, não tão nem aí...
Um ex-titular, que atualmente responde, dizem, mais de 30 processos – uns por improbidade -, impobridade todo mundo sabe é um eufemismo, né, que tem outros significados. Pois bem, durante os dois mandatos do improbo nunca faltou merenda. Velhos passeavam, datas comemorativas eram festejadas de verdade, enfim, dentre as demais atividades existia até sala com computadores, onde os idosos mais plugados aprendiam informática em dois turnos. Foi lá que eu tive os meus primeiros contatos com esta máquina. As nossas festas de fim de ano sempre foram grandiosas. Insatisfações existiam, mas no geral os idosos eram beneficiados com as atividades lúdicas, como  preconiza o estatuto do idoso. Isso é passado. Foi ontem.
O presente. Hoje: Os centros de referência foram desmembrados.  Agora são quatro.
Ontem: idosos tinham café e almoço; hoje: raramente têm um lanche (quase sempre mingau); ontem: Idosos se deslocavam em ônibus da prefeitura; hoje: vão aos centros como podem; ontem: funcionários contratados tinham férias renumeradas, hoje saem de férias lisos.
Detalhe: segundo informações a entrega de “alimentos” é feita por revezamento mensal. No mês que um Cras é abastecido outros três ficam a ver navios ( ? ).
Pois é. A festa de  confraternização do Renascer Emmanuel Rocha aconteceu. Cada velhinho como eu, levou a sua sacolinha plástica com alguma coisa dentro e os inseparáveis refris “espoca buchos”, que são mais baratos. Com a coordenação e mais uns quatro funcionários confraternizamo-nos. Alegação oficial  da não realização da grande festa de final do ano: em setembro teve o baile do idoso e o fluxo de caixa da PMM está negativo Acabou a verba. C’es fini l’arjent...
Enquanto isso na estrutura da governança municipal tem até Secretaria de Exportação.
Marituba é uma cidade dormitório, como fica às margens da BR de pista dupla, distante de Belém menos de 20 Km. logo, é uma cidade movimentadíssima. De passagem de carros, claro.  E agora, ex-por-ta-do-ra. A dúvida é: De quê?
Com certeza 2014 com o PIB alto (não confundir com PIBMM, produto interno bruto da miséria maritubana) Marituba vai bombar e os velhotes assistidos nos Cras  vão ter de volta tudo que tinham antes e mais alguma coisa. Será...
O Stanilaw Ponte Preta  (Sérgio Porto) cunhou uma frase antológica: “Restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos...”.
Os camaradas metem a mão, defradam, surrupiam, fazem e acontecem e sequer são chamados de ladrão que dá, vontade sim, de fazer parte do butim...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MEU FILHO, MEU NETO; MEU INIMIGO, MEU ALGOZ...



O velho Celino tem mais de 90 anos. Doente, com a visão comprometida,  só se locomove com ajuda de outra pessoa. Um estorvo. Mas ele tem uma coisa muito boa: um cartão bancário que é usado para sacar o salário de aposentado. Separado da mulher, D. Darci, os dois moram em casas separadas dentro do mesmo terreno. São vizinhos. No terreno  tem mais três casas ocupadas por filhos e netos. Uma espécie de condomínio familiar, onde os conflitos são constantes. Dos cinco filhos que ele criou só um levantou a bandeira da independência e bateu asas.
A qualidade de vida dos velhos depende muito dos seus cuidadores. O velho Celino, neste quesito, não teve muita sorte. Dos filhos que ficaram morando na  propriedade onde fica a casa do velho, quem ficou habitando no mesmo espaço foi a Marilena. Ma-ri-le-na. Pois é. E foi esta santa criatura que se apropriou do cartão de recebimento do benefício previdenciário, como  procuradora do pai. E isso não é pecado. O problema é que a Mari de vez em quando vira cavalo do cão. Quando isso acontece ela bate no velho. Ela arria o malho no seu Celino. Arma-se com que encontra pela frente e bota todo mundo pra correr, inclusive a mãe, D. Darci, que está com o telhado todo cheio de buracos e os vidros das janelas quebrados ou trincados, vitimados pelas pedradas que a endiabrada Marilena atira. Quando ela pega umas carraspanas aí é que não tem quem a segure. Já foi em cana uma vez e processada duas vezes. Agora ela não bate mais no velho Celino. Faz pior: cospe-lhe no rosto. Porque é indolor e não deixa marcas. Depois do casamento com o Orlando, um cirurgião dentista reformado da marinha e aposentado da sespa, a Mari ficou mais fortalecida. Era o aliado que ela precisava pra continuar fazendo as marilenices  que amedronta a parentada toda. Credo...
            Como presidente do CMDPI – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa - fui procurado esses dias pela mãe da Madá, D. Darci, que me passou as informações aqui contidas. A idosa vem tendo crise de nervos e quer providências.
Apesar de ter lutado quase dez anos pela criação do Conselho, hoje, como presidente, estou igual barata tonta, não sei o que fazer com o cargo. O Conselho não tem sala, secretária, carro, computador, não tem nada. Ou seja, existe de direito, de fato, porém...
            Sou um dos líderes da Pastoral do Idoso da minha Paróquia  e conheço muito bem essas mazelas sociais. Existem idosos bem tratados, idosos maltratados, idosos abandonados dentro de casa no meio dos parentes. Reféns da intolerância e do desamor. Todos, porém, têm algo em comum: sustentam com seus parcos proventos a maioria dos seus algozes, e outro detalhe que os iguala: quase todos, por amor ou temor, esconde que é vítima de maus tratos por parte do filho, neto ou outro parente, tutelado pelo próprio idoso.
            Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), Política Nacional do Idoso (PNI), Estatuto do Idoso, etc. Tudo isso são siglas de leis das políticas sociais de proteção aos velhos. E ainda tem a Igreja Católica com a Pastoral da Pessoa Idosa que em todo Brasil ajuda na assistência aos que tem a sorte ou, dependendo do caso, a desdita de envelhecer. Nada disso seria necessário se a vida não  fosse cheia de marilenas; se nós não tivéssemos esquecidos que o velho que hoje está na nossa frente como um espectro “incomodando” com suas dores, gemidos, resmungos; que não escuta e nem enxerga direito; com sua teimosia repetindo várias vezes o mesmo assunto, é o mesmo ser humano que lá atrás quando éramos crianças nos carregou no colo, segurou na nossa mão, nos deu segurança e proteção. Desnecessárias seriam leis protetivas se ao invés de brutalizarmos nossos velhos os tratássemos com respeito e amor; nada disso seria necessário se, ao invés de cusparadas no rosto encriquilhado o velho recebesse afago e carícia.
 Infelizmente muitos esquecem que respeitar o velho hoje é tratar o próprio futuro com respeito. Bom, talvez a certeza que não envelhecerão faz agirem dessa forma. Só pode ser isso. Sabe Deus. Meu Deus...

NB.O caso aqui relatado é real, só os nomes foram trocados. Porquê? Medo, sim, tenho medo...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

TÁ NA LISTA. TÁ EMPREGADO, PODE ENTRAR...


O Welber (não confundir com o Max Weber), aluno do curso de engenharia de automação industrial  de uma universidade  em São Paulo se acostumou consultar listas de cabeça para baixo, ou seja, sempre iniciando a leitura pelos últimos nomes, e é sintomático, pois o nome de documento do cidadão começa por “ W”, que já tinha  sido até exonerado do cargo de letra oficial do alfabeto da língua portuguesa. O certo é que o jovem se condicionou. Agora até as listas de compras do supermercado são lidas  assim, de revestrés.
As listas. A mais famosa delas é a lista de Oscar Schindler, empresário alemão que mesmo sendo  membro do partido nazista, armou um esquema que impediu mais de mil judeus de embarcarem no trem que os levaria aos campos de concentração de Auschwitz, salvando-os da morte certa. Qual o mortal comum que nunca consultou uma lista? A avidez com que vestibulandos disputam as listas com nome dos aprovados na seleção às  universidades; os concursados candidatos a um emprego público.  Vixi! E as listas, onde ninguém quer estar, que é as  dos marcados para morrer (fazendeiros, traficantes, políticos, quadrilhas rivais dentro e fora dos presídios e outras tantas listas malditas).
 Há bastante tempo atrás – e bote bastante nisso – quase eu ia no tapa com o técnico do the phuntos futebol clube, meu time  lá do Pato Macho onde eu era titular da ponta direita, e no dia do jogo o meu nome não constava na lista dos que iam jogar. (interessante frisar que prevaleceu a posição do “professor”, já que eu tinha faltado ao treino preparatório para o jogo da semana).
Bom, eu estava lavando a merda do cachorro no  pátio de casa, de manhã, quando a Regina passou. Ia toda  arrumadinha.
- Bom dia seu Orlando. Respondi o cumprimento e perguntei.
- Pra onde tu vais assim, tão bonita Regina?
- Ah, seu Orlando, vou lá na prefeitura vê se tem alguma coisa pra mim. O assessor dum vereador mandou que eu fosse  com o vice. Tô cheia de esperança.
Alguma prosa  mais. Desejei boa sorte, e lá se foi a Regina toda fagueira ver se tinha “alguma coisa para ela...”, na prefeitura.
Eu estava de saída era mais ou menos dez horas, e lá vem a Regina de volta. Não estava mais com aquela cara de felicidade esperançosa. Eu provoquei:
- E aí Regina, emplacou?
- Que nada, seu Orlando, o meu nome não tava na lista.
- Como assim, lista?
- Eu fui recebida pelo vice-prefeito e disse que tinha ido a mando do meu vereador,  aí ele perguntou:
- Tu trabalhastes?  Eu disse que sim. Ele disse:
- Deixa eu ver.
- Tirou da gaveta um cadernão, olhou, olhou, olhou,  me olhou e disse:
- O teu nome não está na lista. Não tem nada pra ti. Enfiou de volta o cadernão na gaveta e foi embora.
A Regina se despediu. Foi embora toda capionga. Macambúzia. Deprimida...
Estive em um evento da prefeitura maritubana no dia 04/10, era a festa em homenagem aos idosos usuários dos Cras(s) do município, e na hora que o cerimonialista apresentava às autoridades presentes no baile, foram anunciados três nomes do primeiro escalão, todos com o sobrenome “begot” (acho que a grafia é essa). Esses, com certeza, fazem parte da lista de ouro. Aquela, onde todo mundo quer estar (ô inveja! Senhor).
Segundo o filósofo e pensador Immanuel Kant,  a ética, objeto de estudo da ciência, da filosofia e até da teologia, tem a mania de alterar comportamentos nos seres humanos, justo porque ela se relaciona com a liberdade, com o bem, o mal, e com a consciência moral da lei. É míster de gestores dar emprego a amigos, parentes , correligionário. Grupos que gravitam em torno do poder ganham também suas fatias, que quase sempre, são recompensas por serviços prestados ou promessas de campanha. A preocupação é: têm capacidade administrativa, boa reputação? Oxalá os atuais ungidos com as bênçãos do novo caudilho sejam portadores destas qualidades, para que no futuro ele não venha dizer o que o Reinaldo, prefeito corrupto de Pitanguá da série “a mulher do prefeito” (Rede Globo) e que está em prisão domiciliar, falou para a mulher dele, D. Aurora Rangel: “é difícil pra mim até olhar pra minha cara no espelho...”.

Alguns ex-prefeitos devem estar fazendo essa reflexão.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

OS VELHOS E A MORTE. A SIMBIOSE PERFEITA



“Tenho 82 anos, tô vivo, mas nada mais funciona”.
Assim falou o Silvio Santos  na televisão dele, o SBT. Falou daquele jeito desabrido que é uma característica do dublê de apresentador e empresário bem sucedido. A atriz Suzana Vieira, no papel de Pilar da novela  Amor à Vida, evidenciando a sua frustração por já estar embarcando na arca  arqueológica que deposita as velharias humanas, disse: “envelhecer é um estigma”
Velho, idoso, terceira idade, melhor idade. Dessa quantia enorme de denominações para quem já atingiu o excesso de tempo de vida ainda vivo, “melhor idade” deve ser a que carrega o maior tom de ironia. Onde já se viu a pessoa com mais de setenta estar na melhor idade? Onde, alguém com mais de sessenta janeiros, carregar  nos  costados  uma carga de  melhor idade? Onde...
No dia 27 de setembro vamos comemorar o Dia do Idoso no Brasil. A data oficial, criada pela ONU, em 1982,  é 1º de outubro. Para nós é 27/09,  e pronto. Com certeza nos espaços onde os idosos se juntam para encontros rotineiros haverá alguma programação diferente. Festas. Os governos em todas as esferas são obrigados, pelo estatuto do idoso, a mostrar que “gostam” de velhos. E gostam mesmo. Principalmente se o velho é um DAS 5, aposentado, que tem conta bancária rechonchuda com muito poder de compra, que enfim, ainda gasta “a rodo”. Acho até que o termo subjetivo melhor idade nasceu nesse grupo, justamente porque ainda movimenta a economia.
O outro grupo, a confraria dos ferradões,  governos “gostam”, também,  mesmo quando, maquiavelicamente, nos hospitais públicos os velhos são ardilosamente selecionados para morrer. Errado? Acho que não. Afinal os macrobióticos já viveram bastante e o dinheiro gasto para mantê-los vegetativamente fingindo que estão vivos seria (seria) mais bem empregado com creches, escolas, hospitais para crianças, que estão iniciando a caminhada da existência. Assim fazia a Dra. Virginha Helena Soares de Souza, no Hospital Evangélico de Curitiba quando marcava os velhos que deviam ser “envelopados” (infelizmente lá o motivo não era tão nobre).
O ministro da economia do Japão escancarou. Disse em forma de conselho aos velhos japoneses: “tratem logo de morrer, a fim  de resolver  o problema da previdência social”. E lá, no Japão, só cientistas com mais de 75 anos estão trabalhando na usina nuclear de Fukushima, justo para proteger os jovens cientistas dos perigos da radiação. Tem sentido. É um paradoxo, mas é a real. Outra família que também protege seus jovens facilitando a “passagem” dos macróbios: os  ratos. Quando colocamos veneno, ou uma armadilha é detectada, os ratos velhos vão à frente, se morrer um, a turma toda desvia de rota, muda o caminho. Salvam-se os jovens da família. Isso é morrer com dignidade. Bem melhor do que morrer por falta de amor. Viver sozinho no meio de pessoas ou abandonados em asilos ou hospitais.
            “O pior da vida é o envelhecimento, principalmente quando não temos do que nos orgulhar”. Li esta frase em algum lugar, e isso não é apenas uma frase é um veredito. É isso. Mas não vamos perder as festas. Na semana do idoso, ou no dia do idoso, as presidências de conselhos dos idosos vão estar todos empetecados, vestidos a rigor, caras de entendidos, participando de audiências públicas ou festins; chefes das delegacias dos idosos, promotor (o boa praça Doutor Valdir Macieira) e todos os órgãos vão estar dizendo que estão dando o sangue e suor pelos anciãos. É bom não duvidar. Mas o melhor mesmo é não precisar de nenhum desses agentes do Estado. Se isso, por infelicidade acontecer, é mais uma razão para aceitar uma eutanásia como paciente da Dra. Virginha, ser cientista com mais de setenta anos no Japão,  ou até cometer um haraquiri à brasileira...
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